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Política

Bolsonaro faz na ONU discurso em tom de campanha, ataca Lula e exalta economia

Presidente também exaltou o agronegócio e tratou o País como "referência" de sustentabilidade e defesa do meio ambiente

Por Agência Estado

20 de setembro de 2022, às 11h48 • Última atualização em 20 de setembro de 2022, às 14h47

Jair Bolsonaro na ONU - Foto: Alan Santos - PR

No discurso que abriu a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta terça-feira, 20, o presidente da República, Jair Bolsonaro, fez referências ao seu governo, introduzindo a fala com críticas, sem citação nominal, ao PT e ao ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, líder na maior parte das pesquisas e seu principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto. Bolsonaro também exaltou o agronegócio e tratou o País como “referência” de sustentabilidade e defesa do meio ambiente.

O discurso do presidente foi, em boa parte, voltado para o público interno, direcionado para as eleições, com acenos também para a comunidade internacional.

Sem citar nominalmente Lula, o presidente falou das condenações do petista na Operação Lava Jato. “No meu governo, extirpamos a corrupção sistêmica que existia no País. Somente entre o período de 2003 e 2015, onde a esquerda presidiu o Brasil, o endividamento da Petrobras por má gestão, loteamento político em e desvios chegou a casa dos US$ 170 bilhões”, afirmou o presidente no início de sua fala.

Ao afirmar que o “nosso agronegócio é orgulho nacional”, Bolsonaro disse “que, também na área do desenvolvimento sustentável, o patrimônio de realizações do Brasil é fonte de credibilidade para a ação internacional”. “Em matéria de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, o Brasil é parte da solução e referência para o mundo.”

Segundo Bolsonaro, “dois terços de todo o território brasileiro permanecem com vegetação nativa, que se encontra exatamente como estava quando o Brasil foi descoberto, em 1500”.

Acolhimento humanitário

Bolsonaro afirmou ainda que o País tem buscado atuar com bastante empenho para encontrar soluções pacíficas e negociadas de conflitos internacionais. “A política brasileira de acolhimento humanitário vai além da Venezuela. Temos também recebido haitianos, sírios, afegãos e ucranianos.”

O presidente ressaltou que o conflito na Ucrânia já se estende por sete meses e gera apreensão não apenas na Europa, mas em todo o mundo.

Também agradeceu aos países que colaboraram na evacuação de brasileiros que estavam na Ucrânia quando começou a guerra. “O Brasil tem se pautado pelos princípios do Direito Internacional e da Carta da ONU sobre guerra na Ucrânia. Defendemos um cessar-fogo imediato na Ucrânia e a proteção de civis e não-combatentes.”

Segundo Bolsonaro, seu governo tem tentado evitar o bloqueio dos canais de diálogo em relação à guerra no leste europeu, causado por polarização política e destacou que consequências do conflito já se fazem sentir nos preços mundiais de alimentos, combustíveis e outros produtos. “Impactos da guerra nos colocam a todos na contramão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, apontou. “Países que se diziam líderes da economia de baixo carbono agora passaram a usar fontes sujas de energia. Uso de fonte de energia suja é um grave retrocesso para o meio ambiente.” Ele também apontou que apoia todos os esforços para reduzir os impactos econômicos desta crise.

O presidente também fez uma defesa indireta da Rússia na ONU, ao destacar que “não acreditamos que o melhor caminho seja a adoção de sanções unilaterais e seletivas”, adotadas por países do ocidente contra o governo de Vladimir Putin por ordenado a invasão militar da Ucrânia. “Sanções têm prejudicado a retomada da economia e afetado direitos humanos de populações vulneráveis.”

Ainda, Jair Bolsonaro, que atacou o PT por suas ligações do passado com os governos de esquerda da Nicarágua, anunciou que “o Brasil abre as portas para padres e freiras perseguidos” no país.

7 de setembro

Ainda no seu discurso, o presidente mencionou as manifestações realizadas no 7 de setembro, dia em que o Brasil comemorou 200 anos de sua independência. Segundo ele, “milhões de brasileiros foram às ruas” convocados por ele. “Neste 7 de setembro, o Brasil completou 200 anos de história como nação independente. Milhões de brasileiros foram às ruas, convocados pelo seu presidente, trajando as cores da nossa bandeira”, disse, já no fim de sua fala. “Foi a maior demonstração cívica da história do nosso País, um povo que acredita em Deus, Pátria, família e liberdade”, emendou.

Bolsonaro repetiu a pauta de costumes, como já esperado, ressaltando a “defesa da família, do direito à vida desde a concepção, à legítima defesa e o repúdio à ideologia de gênero”.

Mulheres

Na sequência, afirmou que seu governo tem priorizado a proteção das mulheres. “Nosso esforço em sancionar mais de 70 normas legais sobre o tema desde o início de meu governo, em 2019, é prova cabal desse compromisso”, disse.

O presidente brasileiro citou ainda a primeira dama, Michelle Bolsonaro, ao falar sobre as mulheres. “Trabalhamos no Brasil para que tenhamos mulheres fortes e independentes, para que possam chegar aonde elas quiserem. A Primeira Dama, Michelle Bolsonaro, trouxe novo significado ao trabalho de voluntariado desde 2019, com especial atenção aos portadores de deficiências e doenças raras”, acrescentou.

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