Sarampo: sintomas, vacina e tratamento

O fenômeno do crescimento da doença é atribuído à baixa cobertura vacinal dos pais


O sarampo é uma doença altamente contagiosa que evolui com sinais e sintomas como febre, tosse persistente, corrimento nasal, conjuntivite, pequenas manchas avermelhadas que começam perto do couro cabeludo e depois vão descendo, se espalhando por todo corpo.

O tratamento é feito de forma a aliviar os sintomas porque esta doença é causada por um vírus e por isso o corpo consegue se livrar dele sozinho, sem a necessidade de antibióticos.

Foto: Adobe Stock
O sarampo está de volta e pode levar a óbito: neste surto, um número significativo de bebês com menos de um ano foi infectado

A vacina contra o sarampo é a melhor forma de prevenir a doença e faz parte do calendário básico de vacinação infantil. Essa vacina é altamente eficaz mas como o vírus pode sofrer uma mutação, por vezes, mesmo pessoas vacinadas podem ser infectadas pelo sarampo anos mais tarde.

1. Quem deve tomar a vacina?

A vacina do sarampo geralmente é dada gratuitamente aos 12 meses de idade, com reforço entre os 15 e 24 meses. No caso da vacina tetraviral, a dose normalmente é única e deve ser aplicada entre os 12 meses e os 5 anos. Existem 2 formas principais de tomar a vacina do sarampo, a vacina exclusiva ou as combinadas: vacina tríplice-viral, contra sarampo, caxumba e rubéola; vacina tetraviral: que protege também da catapora.

Qualquer pessoa pode ser vacinada, desde que ainda não a tenha tomado, mas a do sarampo também pode ser administrada em pessoas que estejam expostas ao vírus, como acontece quando os pais não foram vacinados e têm um filho com sarampo. Mas, nesse caso, para que tenha efeito, a pessoa deve ser vacinada até 3 dias depois do surgimento dos sintomas da pessoa com quem teve contato.

2. Quais os principais sintomas?

Os sintomas mais comuns incluem: manchas avermelhadas na pele que aparecem primeiro no rosto e depois espalham-se em direção aos pés; manchas brancas arredondadas por dentro da bochecha; febre alta, acima dos 38,5ºC; tosse com catarro; conjuntivite; hipersensibilidade à luz; nariz escorrendo; perda do apetite; pode haver dor de cabeça, dor abdominal, vômitos, diarreia e dor nos músculos.

3. O sarampo coça?

Ao contrário de outras doenças como a catapora ou a rubéola, as manchas do sarampo não causam coceira na pele.

4. Qual o tratamento recomendado?

O tratamento consiste em diminuir os sintomas através de repouso, hidratação adequada e uso de medicamentos para baixar a febre. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também indica a suplementação com vitamina A para todas as crianças diagnosticadas.

Normalmente a pessoa com sarampo se recupera completamente, alcançando a cura em cerca de 10 dias após o início dos sintomas. Mas pode-se indicar o uso de antibióticos quando existem evidências de infecção bacteriana associada, se a pessoa apresentar também infecção de ouvido ou pneumonia, porque estas são complicações comuns do sarampo.

5. Qual o vírus que causa o sarampo?

O sarampo é por um vírus da família Morbillivirus, que consegue crescer e se multiplicar nas mucosas do nariz e da garganta de um adulto ou de uma criança infectada. Dessa forma, este vírus é facilmente transmitido em pequenas gotículas liberadas ao tossir, falar ou espirrar. Nas superfícies, o vírus pode ficar ativo até durante 2 horas, por isso, deve-se desinfectar bem todas as superfícies em cômodos onde esteve alguém com sarampo.

6. Como acontece a transmissão?

O contágio do sarampo ocorre principalmente através do ar, quando uma pessoa infectada, tosse ou espirra e outra que se encontra próximo e inala estas secreções. Durante os 4 dias que antecedem as manchas na pele até o seu desaparecimento completo o paciente está infectante, porque é quando as secreções estão bem ativas e a pessoa não toma todo o cuidado necessário para não infectar outras.

7. Como prevenir o sarampo?

A melhor forma de prevenir o sarampo é a vacinação contra a doença, no entanto, existem alguns cuidados simples que também podem ajudar, como: lavar as mãos frequentemente, especialmente após estar em contato com pessoas doentes; evitar tocar nos olhos, nariz ou boca, caso as mãos não estejam limpas; evitar estar em locais fechado com muita gente; não ter contato muito direto com pessoas doentes, como beijar, abraçar ou partilhar talheres.

O isolamento do doente é outra foram eficaz de impedir o contágio da doença embora somente a vacinação seja realmente eficaz. Por isso, caso uma pessoa seja diagnosticada com sarampo, todos os que mantém contato próximo com ela, como os pais e irmãos, devem ser vacinados, caso ainda não tenham sido, e o doente deve ficar em casa, de repouso, sem ir para a escola ou trabalho, para não contaminar os outros.

Algumas situações em que a pessoa pode estar com o sistema imune deficiente, que seu corpo não consegue se defender do vírus do sarampo, incluem as pessoas em tratamento contra o câncer ou contra a AIDS, as crianças que já nasceram com o vírus HIV, pessoas que receberam algum transplante de órgão ou que estão em estado de desnutrição.

8. Quais as complicações da doença?

Na maior parte dos casos, o sarampo desaparece sem causar qualquer tipo de sequela na pessoa, no entanto, em algumas com o sistema imune mais enfraquecido, podem surgir algumas complicações como: obstrução das vias respiratórias; pneumonia; encefalite; infecção do ouvido; cegueira; diarreia grave que leva à desidratação. Além disso, caso o sarampo surja na grávida também existe um elevado risco de sofrer um parto prematuro ou ter um aborto espontâneo.

Fonte: Drª Sylvia Hinrichsen, infectologista
www.tuasaude.com

MINISTÉRIO DA SAÚDE

O sarampo está voltando

Desde o início do ano, foram confirmados 1.322 pacientes com a infecção no Brasil

O sarampo está se alastrando pelo País. Depois de São Paulo, Rio e Bahia, é a vez do Paraná registrar a doença. O Ministério da Saúde contabilizou até o momento 1.226 casos da infecção entre 12 de maio e 3 de agosto. Do total, 1.220 estão concentrados em SP, 4 no Rio, 1 na Bahia e outro, no Paraná. Há ainda 6.678 casos em investigação. Desde o início do ano, foram confirmados 1.322 pacientes com a infecção, 95% dos quais nos quatro Estados que atualmente estão em situação de surto.

Diante do avanço de casos, o Ministério da Saúde montou na semana passada um comitê encarregado de acompanhar diariamente a situação em todo o País, o primeiro estágio para que a decretação de estado de emergência seja realizada.

Como o jornal O Estado de S. Paulo mostrou, numa resposta à situação de surto, o Ministério da Saúde iniciou as negociações com a Organização Pan-Americana de Saúde para uma compra de vacina, caso seja necessário. A transação funciona como uma pré-reserva. As doses serão enviadas assim que o governo acionar o organismo internacional.

A estratégia atual do governo é realizar vacinações de bloqueio, em que pessoas que tiveram contato com suspeitos de ter a infecção são imunizadas. As campanhas também visam vacinar adultos jovens e reforçar a proteção entre crianças em cidades consideradas prioritárias, mesmo menores de um ano.

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