Conheça as ‘ites’ digestivas

Diverticulite, gastrite e esofagite são algumas das doenças mais comuns do aparelho digestivo; cirurgião explica sintomas e tratamentos


Incômodos após as refeições, enjoos, intestino “desregulado” e até febre podem ser sinais de inflamações no sistema digestivo. Segundo Rodrigo Surjan, cirurgião do Centro de Gastroenterologia do Hospital 9 de Julho, 50% dos casos de inflamações na região são desencadeadas por fatores emocionais e psicológicos atrelados à maus hábitos alimentares.

Essa conexão acontece, principalmente, pela ligação entre o sistema nervoso central e o digestivo, especialmente no intestino, onde também estão localizados neurônios especializados para viabilizar a digestão de maneira autônoma às demais atividades do corpo.

Foto: Divulgação
A alimentação saudável e a prática de exercícios físicos regulares é a chave para manter o sistema digestivo saudável

“Você não para de fazer suas atividades porque está digerindo um alimento. Essa complexidade de atuação do organismo é possível, entre outros fatores, pela sofisticação estrutural da região”, afirma o médico.

O sistema gastroenterológico é responsável, portanto, por todo o fluxo de alimentos dentro do nosso organismo, da boca ao ânus.

SISTEMA DIGESTIVO: Para entender quais as doenças mais comuns dos órgãos que o compõem, cirurgião listou alguns incômodos comuns nos pacientes e algumas das possíveis causas

Pancreatite

As inflamações no pâncreas – glândula localizada atrás do estômago que produz o suco pancreático e outras substâncias como a insulina – podem se tornar crônicas, se não identificadas precocemente e tratadas. Entre os métodos para evitar o problema causado pelas inflamações no pâncreas estão: evitar o consumo de álcool, adotar hábitos saudáveis com alimentação e exercícios físicos e manter o acompanhamento médico.

Esofagite

Inflamação no esôfago, tubo que liga a boca ao estômago. Os sintomas mais comuns são dificuldade para engolir, dor no peito, náuseas, vômito, dor abdominal, tosse e perda de apetite. Em alguns casos, os pacientes também percebem que os alimentos ingeridos ficam presos no esôfago, não completando o caminho até o estômago.

Segundo o Dr. Surjan, o tratamento está diretamente ligado a mudanças de hábitos alimentares, mas também ao entendimento das estruturas que compõem o esôfago, como a musculatura e a válvula que separa o órgão do estômago.

Gastrite

É uma irritação na mucosa (camada interna) do estômago. A doença desenvolve-se principalmente quando há o uso de medicamentos em excesso, bebida alcoólica, cigarro ou situações de estresse recorrentes.

A doença pode causar dor, desconforto, azia, má digestão e até enjoo. O tratamento inclui a redução de alimentos irritativos como frituras, condimentos, embutidos, derivados de leite, além de se evitar o álcool e o tabagismo.

“Algumas pessoas tomam leite para aliviar os sintomas da gastrite, mas o consumo deve ser controlado, pois ele estimula a produção de ácido gástrico, o que poderá intensificar a dor” explica o médico.

Diverticulite

O processo inflamatório acontece na parede do intestino. Ela é caracterizada, principalmente, pela inflamação de “bolsas” salientes chamadas de divertículos que muitas pessoas possuem. Uma dieta pobre em fibras pode contribuir para o desenvolvimento da doença ou ativar recidivas. O tratamento inclui uma mudança de estilo de vida mas, dependendo da gravidade, pode exigir indicação cirúrgica.

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