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Revista Pet

Day Care: brincando e fazendo amigos

Espaços onde os cães socializam e fazem atividades funcionam como uma espécie de creche para os pets e figuram como alternativa para os que passam muito tempo sozinhos

Por Isabella Holouka

07 jul 2020 às 07:43 • Última atualização 08 jul 2020 às 09:19

Enquanto os tutores desenvolvem suas atividades na rua, os cães que ficam muito tempo sozinhos em casa podem sofrer com ansiedade e estresse. Destruição de objetos, desenvolvimento de dermatites por lambedura, latidos excessivos, problemas de socialização com outros animais ou pessoas são alguns dos problemas que podem surgir deste cenário.

O convívio com outros animais promove a socialização e reflete positivamente no comportamento dos cães – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal

“O cão passeia todos os dias, dorme na cama, come a melhor ração, tem uma vida boa, mas se ainda está estressado e ansioso é porque passa o dia inteiro em casa sem fazer nada”, resume o médico veterinário Bruno Barreto, do Royal Pet Social Club.

Os espaços que atendem no sistema de “Day Care” funcionam como uma espécie de creche para os animais. Nesses locais, os cães matriculados têm a oportunidade de sair da rotina, são incentivados com brincadeiras e aprendem a socialização.

Segundo a médica veterinária Salete Cândido, do LM Hospital Veterinário, o sistema é especialmente importante para os cães que têm pouco contato com outros animais da mesma espécie.

“Quando a pessoa tem apenas um animal e ele fica muito dentro de casa, não sai para a rua e não encontra outros animais, a gente realmente recomenda ir para um ‘Day Care’. Para eles é saudável a socialização”, acrescenta.

Adaptação. Antes de começar a frequentar o ‘Day Care’, normalmente é necessário que os cães passem por um período de adaptação ao local. O processo é tão importante para o novo visitante quanto para os antigos, pois garante a segurança de todos.

“Ao chegar sem adaptação, se for um cão ansioso ou medroso, com certeza ele vai se estressar ainda mais no espaço, porque é um local totalmente novo. Ao ver outros cães ele pode se sentir ameaçado, e você pode ter sérias complicações”, explica Bruno, citando, inclusive, problemas patológicos que podem se manifestar nestes casos.

“Os cães matriculados já entendem que vem brincar, que não tem briga, e trazer um cão sem adaptação, que pode oferecer um tipo de violência, pode estressar todo o grupo e criar um trauma”, pontua.

Enriquecimento ambiental

Quando o cão fica o dia todo em casa sozinho, geralmente fica dormindo ou, quando é filhote, pode até destruir objetos para passar o tempo. Assim como a socialização, o enriquecimento ambiental é um conceito essencial no sistema de ‘Day Care’, pois garante uma grande diversidade de atividades, como as que estimulam o raciocínio lógico dos cães por meio da caça ao petisco ou com tabuleiros específicos para isso.

O resultado esperado é que o cão, ao gastar toda a energia que estava acumulada, fique mais relaxado e por isso se alimente, se comporte e durma melhor.

Outra vantagem do cão bem-adaptado ao ‘Day Care’ é a capacidade de entrosamento com outros animais e pessoas, sem latidos excessivos ou tendência de brigar.

Em casa. O enriquecimento ambiental é um conceito que precisa ser aplicado também em casa, especialmente no período de isolamento social em que vivemos atualmente, em função do novo coronavírus (Covid-19), de acordo com a médica veterinária Marina de Lião Frezzarin Bettinardi, do Agropet Irapuru.

De acordo com ela, o mercado oferece uma grande diversidade de brinquedos que podem ser utilizados para isso, mas também é possível enriquecer o dia do animal com soluções simples e caseiras.
“Com um tubo de papel higiênico, você faz furinhos, coloca ração dentro e fica brincando com o animal. Pendure barbantes coloridos para os gatos. Espalhe montinhos de ração pela casa, para o animal procurar, como se estivesse caçando”, exemplifica Marina.

Na procura por um ‘Day Care’?

As brincadeiras e atividades estimulam os animais a expressarem as características naturais da espécie – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal

Atenção aos critérios!
É preciso atenção na escolha do melhor espaço para o seu pet fazer atividades e socializar. Afinal, o serviço vai muito além de um espaço amplo onde o cachorro pode ficar algumas vezes na semana. Ele deve ser encarado como uma oportunidade para o animal expressar as características da espécie, o que lhe proporciona bem-estar.

O médico veterinário Bruno Barreto aponta critérios importantes de se observar na escolha do estabelecimento adequado para acolher o pet.

Presença de um médico veterinário
Por mais que seja um ambiente controlado e os cães sejam todos saudáveis, pode acontecer de torcer uma pata, ou ter algum tipo de crise. Há casos também de cachorros que tomam medicamentos, então saber se o local tem um veterinário responsável e se essa pessoa se faz presente é muito importante.

Equipe treinada
Os cães dão sinais muito característicos de que estão com medo, se sentido ameaçados ou que podem avançar em outro cão. Por isso, é importante que os funcionários do local tenham qualificação para entender o comportamento dos animais e saber prever situações complicadas. O recomendável é que o estabelecimento mantenha uma média de até cinco cães por colaborador.

Controle sanitário
É importante que os animais estejam com antiparasitários e vermífugos em dia. Para aumentar a proteção, é importante também se certificar de que o local passa por dedetizações com frequência para evitar a presença de pulgas e carrapatos.

E os gatos?
Diferentemente dos cães, os gatos são animais que costumam ser mais independentes e também são muito mais sensíveis a ambientes hostis. As características especiais da espécie, segundo Bruno, tornam o manejo do gato mais difícil e arriscado para a saúde do animal.

“O gato tem menor necessidade de enriquecimento ambiental, sociabilização e gasto energético. Eles se estressam e se assustam muito fácil. Podem ficar sem comer ou beber água o dia inteiro, o que traz consequências graves ao fígado ou rins”, explica.

Como não há tanto problema em deixar os gatos sozinhos em casa, ele recomenda o enriquecimento dos ambientes com brinquedos próprios para a espécie, arranhadores, uso da chamada ‘erva do gato’ e brincadeiras com a ração, incentivando o instinto de caça.

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