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Revista L - Motors

Histórias de afeto unem proprietários e veículos

Moradores de Americana com amigos de duas ou quatro rodas, falam sobre a relação mais que especial que mantêm com suas máquinas

Por Marina Zanaki

01 de setembro de 2021, às 08h34

O valor de um veículo é calculado a partir do modelo, ano de fabricação e também o estado de conservação. Mas alguns fatores não podem ser medidos, como as histórias vividas com ele. Existem ainda aqueles cujo vínculo afetivo não tem preço, e simplesmente não cabem na tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Esse é o caso do Puma branco, ano 1978, do engenheiro civil Marco Antonio Lavrador, de 74 anos, de Americana. O veículo já recebeu diversas propostas de compra, inclusive com a possibilidade de troca com um carro zero quilômetro.

O engenheiro Marco Lavrador com o Puma conversível que ganhou da esposa Nilva, já falecida, em um Dia dos Pais no início da década de 80 – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal

Contudo, dinheiro nenhum consegue comprar a importância afetiva do Puma. Marco foi presenteado com o carro pela esposa Nilva em um Dia dos Pais no início da década de 1980. Anos depois, ela faleceu. “A gente adorava baixar a capota do carro, tínhamos um filho só na época, entrávamos no Puma e sumíamos, íamos para qualquer lugar, sem saber para onde estava indo”, recorda o engenheiro.

Hoje, Marco precisa dirigir carro com direção elétrica por limitações no braço. Mas o Puma segue guardado na garagem da filha, e o objetivo do engenheiro é passá-lo para algum neto, mantendo o carro na família. Para ele, o veículo é o símbolo do amor da sua vida.

“Amo o carro pelo modelo, acho lindo. Mas o meu amor por ele tem relação com a minha esposa. Eu até brinco, quem me deu esse, não dá outro. Não tem negócio, não tem valor. É inquestionável para mim”, contou o engenheiro civil.

RESTAURO. O empresário André Piccin, 31 anos, de Americana, também tem uma relação afetiva com o Corcel 1974 que pertencia ao pai, falecido há seis anos. André tem o projeto de restaurar o veículo, investindo em um motor potente, pneus maiores e refazer a parte interna com peças originais. A lataria, contudo, deve continuar como está. “Meu pai não era o cara mais bonito do mundo, mas era uma máquina, trabalhava demais e tinha uma mente para a frente. Quero fazer no carro uma releitura do meu pai, um cara muito bom por dentro, mas que por fora não era tão bonito”, explicou André.

O empresário André Piccin quer fazer do Corcel 1974 uma releitura do pai, que manteve o veículo durante toda a vida – Foto: Marcelo Rocha – O liberal

O carro foi batizado de Horse Odécio, uma mistura do apelido do veículo durante a infância de André e o segundo nome do pai. Além disso, André fez um desenho especial no capô do veículo, que faz referência a uma tatuagem que tem no braço. A inspiração para os traços foi a última foto que tirou com o pai. 

“Ele sempre gostou muito desse carro. A família tem origem muito humilde, meu pai nunca teve outro carro, sempre andou com o Corcel. Lembro de dar voltas de domingo para ir no açougue comprar carne para a semana. Também quando meu pai encostava em um boteco e eu ganhava paçoquinhas. Acho que aprendi a dirigir nesse carro, são lembranças muito boas”, definiu André.

A restauração será compartilhada no perfil @horseodecio. André calcula que vai investir entre R$ 20 mil e R$ 25 mil no carro, e pretende finalizar a reforma até o final do ano. Mesmo antes de concluir os reparos, o empresário já anda no Corcel para matar as saudades do pai.

“Para mim, não tem coisa mais valiosa que pegar de final de semana, montar no carro, colocar o cachorro no banco de trás, umas músicas antigas, e dar umas voltas pela cidade. Inclusive ainda vou no mesmo açougue, com os mesmos senhorzinhos que atendiam meu pai, no Cariobinha”, revelou André.

MODELO. A relação afetiva não precisa ser apenas com um veículo, pode estar ligada também ao modelo e à época que ele evoca. Técnico em segurança do trabalho, Adilson Pereira Lima, 47 anos, de Americana, aprendeu a gostar de motoneta antes mesmo de nascer.

O técnico em segurança do trabalho Adilson Pereira Lima herdou da família a paixão por motonetas – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal

Os pais de Adilson faziam viagens e passeios para cidades vizinhas na vespa da família durante a gestação. O último trajeto que Adilson fez ainda na barriga da mãe também foi de vespa

Ela começou a sentir as contrações e foi socorrida pelo pai, que morava na mesma rua. O trajeto feito às pressas entre o bairro Cidade Jardim, onde residiam, e o Hospital São Francisco, foi na vespa do avô de Adilson.

“Não tinha Uber na época, meu pai estava trabalhando, e quando minha mãe entrou em trabalho de parto os vizinhos foram chamar o meu avô. Colocaram ela em cima da vespa e meu avô a levou para o hospital para eu nascer”, conta Adilson.

Além da paixão por vespas, Adilson também tem carinho especial por mobiletes. Esse foi o primeiro veículo motorizado que ele teve, antes mesmo de tirar carteira de motorista.

O técnico em segurança do trabalho coloca essa relação afetiva em prática com o hobbie de comprar e restaurar os saudosos veículos. Adilson possui duas vespas e uma motoneta, e atualmente trabalha em uma mobilete francesa, modelo raro no Brasil. Adilson integra o Clube Lambretários, que restaura esse tipo de veículo em Americana. O grupo se junta para realizar viagens nas lambretas e vespas. “É mais lento que as motos modernas, mas para quem não tem pressa, vai a 80, 100 por hora, é tranquilo. É um estilo de vida”, resume o técnico. 

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