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arte de morar

5 itens para considerar no projeto do seu imóvel

A pandemia modificou a forma como os seres humanos vivem, e isso se reflete na arquitetura

Por Marina Zanaki

11 de janeiro de 2022, às 08h54

A pandemia mudou a relação com o ato de morar. O isolamento social obrigou a passar mais tempo em casa, desencadeando novas necessidades e uma reflexão sobre o espaço que chamamos de lar.

Isso se reflete também na própria arquitetura. Conceitos como sustentabilidade, utilidade e conforto ganham ainda mais importância nesse contexto, e a tendência que teve início em 2020 já se consolidou e deve representar uma mudança de paradigma.

Para a arquiteta Silvana Barreto, da Per Kasa Arquitetura e Interiores, esses conceitos deveriam sempre ter sido presentes na hora de planejar o lar.

”Sempre deveria ter sido assim, mas as pessoas não davam a importância necessária. Na minha profissão, foi muito bom para se pensar e resgatar esses conceitos”, avalia Silvana, que está há décadas no mercado.

O projeto deve valorizar os desejos e necessidades de quem mora na casa, e não ser apenas um espaço bonito para receber visitas.  “A pandemia teve muita influência na arquitetura, valorizando uma casa sustentável, saudável, funcional, útil, e tem que ser agradável esteticamente. Tudo dentro do quanto você dispõe de recursos”, defende a profissional.

Na avaliação de Silvana, ficou claro que os seres humanos são influenciados pelo meio, e vice-versa. Com isso, todos os espaços ganham novos contornos.

“A gente deixa nossa marca nos ambientes e eles interagem com a gente, sentimos emoções. Isso vale para todos os lugares, seja o ambiente doméstico, de trabalho, escola, banco, hospitais. Se tivermos essa percepção, vemos que tudo muda”, considera a arquiteta.

1. Iluminação

O contato com o sol ganhou cada vez mais importância ao longo da pandemia. Fonte de vitamina D e essencial para a imunidade, ele também tem forte influência sobre o humor e as emoções. Além disso, uma casa que recebe raios solares também ganha em higiene, já que ele mata germes e bactérias.

Silvana Barreto explicou que o sol deve ser considerado desde a concepção inicial do projeto. “A casa tem que ser voltada para leste, nunca para sul, que não entra sol. Senão, rinite e sinusite serão muito comuns naquela casa. Se quer ter a vista, mas está de costas para o sol, não é ideal. Passamos a ver tudo isso”, explicou Silvana.

2. Natureza

A presença de espaços naturais dentro de casa serviu para reconectar o ser humano com o meio ambiente. Silvana destaca que sempre trouxe em seus projetos essa marca, e em sua vida não consegue se enxergar distante da natureza.

Os elementos da natureza estão presentes na inserção de plantas, revestimentos naturais e na própria concepção dos ambientes, que se tornam mais abertos.

“Somos a mesma energia, não somos separados da natureza. Mas quando começamos a cimentar as cidades, perdemos a relação com a terra”, avalia a arquiteta.

3. De dentro para fora

Uma casa deve ser projetada de dentro para fora. Esse é o ideal de Silvana Barreto, que tem amplo conhecimento como designer de interiores.  

“A parte de design de interiores não tem na faculdade de arquitetura, é uma complementação. Fiz um curso, mas nem todo arquiteto tem esse conhecimento, então já vi muitos erros. As áreas têm que estar em sintonia, assim como a engenharia é uma complementação da arquitetura, para ter uma casa saudável e sustentável”, defende Silvana.

Esse conhecimento em design de interiores serve como pontapé inicial em seus projetos, que priorizam a humanização dos espaços.

“Faço meus projetos de dentro para fora, é totalmente diferente. Se você pensar a circulação e a distribuição, tudo muda. É importante que o profissional tenha esse conhecimento, pois o cliente tem que entrar na casa e falar: é meu lar”, define a arquiteta.

4. Arquitetura deve ser atemporal

O desenho de um projeto tem que estar em sintonia com os desejos e personalidade dos moradores da casa. Isso exige um profundo envolvimento entre o arquiteto e os clientes. Só assim será possível a projeção do eu interior da família na materialidade da casa.

“Em um bom projeto, com um bom profissional, você vai interagir com a casa, sem se preocupar se é modismo. Todos os meus projetos têm essa interação e são atemporais, estão ali para satisfazer”, conta a arquiteta Silvana Barreto.

Silvana sempre buscou elementos versáteis, que se encaixassem nas necessidades dos clientes sem deixar de lado o aspecto estético. Como resultado, mesmo seus projetos antigos ainda são muito atuais.

“Sou muito contemporânea. As tendências na arquitetura são como na moda, sempre voltam, mas de maneira diferente”, explicou a arquiteta.

Ela defende que o arquiteto deve fazer aflorar os pensamentos e emoções. “O profissional precisa auxiliar os clientes a buscarem isso dentro de si, eles têm que se identificar com os ambientes. Precisa fazer a pessoa pensar, e para isso precisa de tempo. Em uma casa, fiz 10 modificações no projeto, mas ficou com a cara da cliente. Quando ela pegou o desenho, disse que não via a hora de começar. É isso que você enquanto arquiteto tem que alcançar”, defende Silvana.

5. Profissional é essencial para o processo

O profissional de arquitetura será essencial para colocar em prática os desejos e necessidades de uma família na hora de morar. “Um bom profissional pode te ajudar a escolher o lote, o posicionamento da casa. Vai te dar toda a orientação na hora de reformar ou até de alugar. Procure alguém que você se identifique, tenha boa formação, que você conheça o trabalho e que vai respeitar seu jeito de ser”, recomendou Silvana Barreto.

A arquitetura também é um aliado na redução de gastos e aberta a projetos de dimensões variadas – desde os maiores e mais sofisticados, até os simples e econômicos.

“O bom profissional vai fazer uma pesquisa de materiais. Dentro de uma gama de produtos, procura pelo preço e qualidade”, contou Silvana. “É possível repaginar com os recursos que você tem. Um profissional vai garimpar, te ajudar a ganhar tempo e dinheiro”, finalizou a arquiteta.

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