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O Caixeiro Viajante

A China vai quebrar nossas fábricas?

A falta de proteção adequada para as indústrias nacionais pode resultar em um retrocesso econômico, colocando o Brasil em uma situação essencialmente agrícola, reminiscente do século 18

Por Oswaldo Nogueira

19 de maio de 2024, às 16h30

Importantes áreas produtivas do Brasil estão sob pressão devido à constante importação de produtos estrangeiros. A indústria têxtil é a que sofre há mais tempo com importações da Ásia. A Coteminas, gigante do setor têxtil com quatro fábricas, historicamente responsável por 20% do consumo nacional de algodão, enfrenta dificuldades com algumas de suas unidades paralisadas, ameaçando diretamente 7 mil postos de trabalho. Se não fizer o frio esperado este ano, a situação vai piorar muito. Nomes conhecidos como Santista, Artex, MMartan e Casa Moysés estão entre suas marcas líderes, que no início do mês pediram recuperação judicial com passivo estimado em R$ 11 bilhões.

O segmento químico também enfrenta incertezas, alertando para o possível fechamento de fábricas se a Câmara de Comércio Exterior não aumentar as tarifas de importação para 65 itens em sua próxima reunião. A Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, liderada pelo ministro Geraldo Alckmin, tem o papel decisivo nesse processo.

O déficit de R$ 46 bilhões na balança comercial em 2023 do setor químico ilustra o desafio econômico enfrentado. A siderurgia também está sob pressão, com a Gerdau clamando por medidas antidumping contra o aço chinês vendido a preços abaixo do mercado interno chinês. Há grandes estoques na China que estão sendo “desovados” aqui.

A crescente inundação de produtos asiáticos no mercado nacional preocupa as indústrias, especialmente devido à falta de conformidade com normas ambientais, resultando em impactos como poluição atmosférica. Enquanto a indústria brasileira segue padrões mais sustentáveis, enfrenta custos mais elevados, exacerbados pelas importações excessivas.

A Prysmian, única fábrica completa de fibras ópticas da América Latina, anuncia planos de fechar até julho deste ano sua unidade em Sorocaba caso o governo não imponha barreiras à importação da China. Outros países como México e França já elevaram suas tarifas para proteger suas indústrias dos subsídios chineses. Na última semana, os EUA elevaram as tarifas de importação para carros elétricos e baterias de 25% para 100%, entre outros itens.

A falta de proteção adequada para as indústrias nacionais pode resultar em um retrocesso econômico, colocando o Brasil em uma situação essencialmente agrícola, reminiscente do século 18.

Oswaldo Nogueira

Empresário e ex-vereador de Americana, escreve sobre temas do cotidiano com o objetivo de ser uma fonte de provocação e reflexão para os leitores; coluna quinzenal