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Covid-19

Enfermeiro de Sumaré fala do medo da doença no Amazonas

Cadu Vicente ficou na capital amazonense entre 16 e 24 de abril em missão do SUS

Por Rodrigo Alonso

06 Maio 2020 às 07:56 • Última atualização 06 Maio 2020 às 07:59

Cadu esteve em Manaus como voluntário do SUS - Foto: Aquivo Pessoal

Ex-secretário de Saúde de Sumaré, o enfermeiro Carlos Eduardo Vicente, de 40 anos, aponta que o “medo é inevitável” em Manaus (AM), em razão do colapso gerado pelo novo coronavírus (Covid-19). Ele ficou na capital amazonense entre os dias 16 e 24 de abril, em missão de combate à doença.

Cadu, como é conhecido, viajou para o norte do país acompanhado por outros 11 enfermeiros e cinco médicos. Voluntários, os profissionais integram a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde). Eles foram enviados a Manaus pelo Ministério da Saúde, para reforçarem o sistema de saúde local.

“O medo é inevitável. A insegurança, a angústia, o desespero. Tudo se resume num turbilhão de emoções. Afinal, vemos as pessoas definhando e, muitas vezes, estamos limitados nas ações de assistência à saúde”, diz o enfermeiro sumareense.

Em Manaus, Cadu fez plantões de 13 horas em dias alternados. Durante o serviço, ficava paramentado da cabeça aos pés. “Horas contínuas de paramentação. Privado de beber água, alimentação e utilização de banheiro. O risco de contaminação é altíssimo”.

Apesar de todas as precauções, ele conta que se preocupava com uma possível contaminação. “A situação é preocupante e tensa. A maior insegurança é não saber onde o vírus está. Temos medo mesmo utilizando os EPIs (equipamentos de proteção individual) adequadamente”, afirma.

De volta a Sumaré, o enfermeiro precisou se isolar completamente até a última segunda-feira e disse estar sem sintomas da Covid-19.

Enterro coletivo feito em cova comum aberta por trator em Manaus – Foto: Edmar Barros – Futura Press – Estadão Conteúdo

REFORÇO. Na última segunda-feira, 267 profissionais de saúde contratados pelo governo federal desembarcaram em Manaus para ajudarem no enfrentamento do coronavírus. Eles fazem parte da ação “O Brasil Conta Comigo”.

Treze membros da Força Nacional do SUS já haviam chegado à capital amazonense em 23 de abril, para atuarem de forma voluntária.

Desde o início da pandemia, o Ministério da Saúde também destinou R$ 68,8 milhões ao Amazonas para fortalecimento da rede hospitalar e de vigilância, além de 1,5 milhão de EPIs e 90 respiradores.

O próprio ministro Nelson Teich esteve em Manaus entre o último domingo e segunda, quando visitou hospitais e se reuniu com autoridades. Segundo boletim divulgado pelo governo estadual nesta terça, a cidade tem 4.804 casos confirmados de Covid-19, com 459 óbitos.