Mães alegam terem sido coagidas a votar sim a escola integral

Promotor cobra explicações sobre como foi realizada a consulta com a comunidade escolar sobre a possibilidade de adesão ao Programa de Ensino Integral


Foto: Reprodução
Bilhete entregue pela unidade perguntava nome e série do estudante

O promotor da Vara da Infância e Juventude de Santa Bárbara d’Oeste, Luiz Fernando Garcia, pediu informações para a direção da Escola Estadual Irene de Assis Saes, no Jardim São Francisco, a respeito da forma como foi feita a consulta com a comunidade escolar sobre a possibilidade de adesão ao PEI (Programa de Ensino Integral).

A cobrança acontece após o promotor receber uma representação assinada por quatro mães, que afirmam que a comunidade escolar foi “coagida” a se posicionar favorável à mudança. O teor do bilhete utilizado na votação e uma suposta falta de transparência também são criticados.

A reunião ocorreu em 27 de agosto, depois da Secretaria de Educação do Estado anunciar a expansão do PEI. A expectativa da pasta é atender cerca de 100 unidades que tenham, em média, 500 estudantes cada. As escolas tinham até sexta-feira passada para sinalizar interesse, mas o prazo foi prorrogado e termina nesta quinta-feira.

O objetivo da reunião era saber se a comunidade escolar tinha interesse na mudança, critério fundamental para que a instituição pleiteie o projeto. Na representação, as mães dizem que muitos dos presentes foram embora antes do término.

“Não teve uma votação. Parecia que já estava certo, só estavam mesmo avisando a gente. Eles coagiram sim. Fui na reunião, muita gente gritava que não queria e teve muita gente também que opinou em falar que sim. Só que a maioria era não”, disse uma das mães, de 34 anos, que pediu para não ser identificada.

Teria sido dito pela supervisão da escola no final do encontro que os pais receberiam um bilhete perguntando se eram a favor ou não. Entretanto, era necessário informar o nome do aluno, a série em que está matriculado, a assinatura do responsável e responder “sim” ou “não” para a pergunta.

O texto foi interpretado como uma “ameaça”, não uma consulta. “A comunidade está se sentindo ameaçada, coagida e desrespeitada, organizaram um abaixo-assinado contra a implementação do projeto na referida unidade com grande adesão, foram 616 em sua totalidade”, cita a representação.

As quatro mães dizem não terem tido acesso à ata da reunião. A direção teria informado que a mesma estava na Diretoria de Ensino de Americana e que não havia cópia.

A representação foi protocolada no dia 10. O promotor encaminhou um ofício para a escola solicitando informações sobre o caso, de acordo com sua secretária.

Explicação. O LIBERAL entrou em contato com a escola, mas foi dito que a orientação da Diretoria de Ensino era de que ninguém falasse sobre o tema. Segundo a responsável pelo PEI na Secretaria de Educação do Estado, Bruna Waitman, a direção da Escola Irene será procurada para “entender o que aconteceu”.

“A gente oferece algumas ferramentas de suporte, algumas questões norteadoras que podem ajudar nas discussões e ponderações da comunidade escolar, mas como eles vão entrar em consenso, fica aberto para eles decidirem, desde que garantido que seja um processo democrático, que todo mundo tenha voz”, explicou Bruna.

Ela garante que os estudantes das escolas que aderirem ao PEI terão prioridade para seguir na instituição. “O estudante que não quiser ficar vai para outra unidade próxima, mas o estudante que está lá sempre vai ter prioridade”, frisou.

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