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Caso Emily

Justiça decreta prisão temporária de suspeito de sequestrar a menina Emily

Mandado expedido pela juíza Camila Marcela Ferrari Arco é válido por 30 dias; homem se entregou nesta segunda e nega cárcere privado

Por André Rossi

13 jul 2020 às 21:17 • Última atualização 14 jul 2020 às 14:15

A 1ª Vara Criminal de Santa Bárbara d’Oeste determinou no início da noite desta segunda-feira (13) a prisão temporária de Paulo Cesar da Silva Santos, 28, suspeito de ter sequestrado a menina Emily Bello Soares da Silva, 11.

Paulo Cesar se entregou à polícia por volta das 16 horas desta segunda-feira – Foto: Marcelo Rocha – O Liberal.JPG

As informações foram divulgadas pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Americana.

O mandado de prisão, expedido pela juíza Camilla Marcela Ferrari Arcaro, é válido por 30 dias e atende ao pedido formulado pela delegado da DIG e responsável pela investigação, José Donizeti de Melo.

Paulo Cesar se entregou à polícia por volta das 16 horas desta segunda-feira, acompanhado de dois advogados. Um dos defensores, Marcelo Rosa Maia, negou que seu cliente tenha mantido Emily em cárcere privado e que ele não sabia que se tratava de uma criança.

O acusado foi submetido a exame cautelar e posteriormente transferido para a Cadeia Pública de Monte Mor, onde ficará a disposição do Poder Judiciário.

O caso

Emily desapareceu na madrugada do dia 5 de julho, por volta das 0h30, quando saiu de casa, no Jardim Europa, em Santa Bárbara d’Oeste, com um homem maior de idade. O encontro teria sido combinado pelas redes sociais. Ela foi encontrada na manhã da última quinta-feira (9), em um posto de combustível da Praia Azul, em Americana.

Segundo Emily, o homem a manteve em cárcere privado nesses quatro dias. Ainda de acordo com a menina, o sujeito a mandou sair do cativeiro após ter visto, na televisão, uma reportagem sobre o desaparecimento dela. Ela contou que a repercussão do caso o deixou com medo.

Emily disse que saiu do local na madrugada de quinta, a pé e sozinha, andou pela Rodovia Anhanguera (SP-330) e parou no posto de combustível da Praia Azul. Ela teria percorrido, então, uma distância de aproximadamente dez quilômetros.

Com a ajuda de Emily e de sua família, os investigadores encontram na sexta-feira, o local onde Paulo teria mantido a garota em cárcere privado. O apartamento fica em Sumaré, no condomínio Praças de Sumaré, no Jardim Santa Maria.

Defesa

De acordo o advogado Marcelo Rosa Maia, seu cliente conheceu a menina através de um aplicativo de relacionamentos e não sabia sua real idade, já que ela utilizaria um perfil fake (falso).

O suspeito buscou Emily em casa, no bairro Jardim Europa na madrugada no dia 5 de julho e só teria percebido que se tratava de uma criança no dia seguinte, segundo seu advogado.

“Não fazia transparecer para ele que ela tinha essa idade. Incorreu uma falsa percepção da realidade. Marcou esse encontro, pegou ela à noite. Ela estava com capuz, roupa de moletom. Foi para o apartamento e no outro dia foi revelado qual era a realidade da situação”, disse Maia.

O advogado conta que Paulo não acionou a polícia por ter medo de ser preso e porque não sabia como lidar com aquela situação. Ele nega que a garota tenha passado fome e que tenha sido mantida em cárcere privado.

“A porta do apartamento ficava aberta. Isso vai ser comprovado através das câmaras de segurança do local. Ele saiu varias vezes. Ela não queria ir embora. Tudo está registrado nas mensagens que ela trocava com outras pessoas no celular dela”, afirmou Maia.

A defesa de Paulo Cesar diz que foi ele quem levou a menina até a região da Praia Azul, pois ela teria familiares que residem no local. O suspeito também teria deixado dinheiro com a menina para que pegasse um ônibus.

O apartamento em Sumaré pertence a irmã do homem. O advogado diz que nenhum dos familiares tinha conhecimento da situação.

“Se ele errou, ele vai arcar na medida da culpabilidade dele com aquilo que ele fez, mas a família não tem nada a ver. Existia apenas o Paulo, que vai arcar com a responsabilidade dele”, comentou Maia.