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INVESTIGAÇÃO

Após um ano, ação sobre plano para matar Sergio Moro chega à fase final

Janeferson Aparecido Mariano Gomes, morador de Santa Bárbara, é apontado como o líder da organização

Por Gabriel Pitor

31 de março de 2024, às 07h52 • Última atualização em 31 de março de 2024, às 15h04

Após um ano da operação da Polícia Federal sobre um suposto plano arquitetado por possíveis integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) para matar autoridades políticas, entre elas o senador, ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (União Brasil-PR), a ação judicial que apura o caso chegou nesta semana à fase final.

A investigação da PF, chamada de Operação Sequaz, prendeu seis alvos na RPT (Região do Polo Têxtil). Um dos presos, Janeferson Aparecido Mariano Gomes, 47, morador de um condomínio em Santa Bárbara d’Oeste, deu o seu último depoimento à Justiça.

PF cumpriu mandados na RPT em março de 2023; Janeferson foi um dos alvos – Foto: Divulgação e Reprodução

Ele é apontado pela polícia como o responsável pela organização, financiamento, planejamento e execução do sequestro e do atentado às autoridades. Para vinculá-lo à trama, os investigadores encontraram na apuração, dentre outras provas, um “print” de uma videochamada feita junto a outros suspeitos de integrarem o grupo.

Com o fim da fase de interrogatórios nesta semana, a 9ª Vara Federal de Curitiba (PR) abrirá possibilidade das defesas e do MPF (Ministério Público Federal) requisitarem ou apresentarem alguma prova ou diligência. Caso não tenha qualquer questionamento, a ação irá para as alegações finais e, depois, para a sentença.

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Segundo a apuração, o plano de ataque seria uma retaliação da facção contra Moro – que promoveu ações contra a organização criminosa enquanto ministro da Justiça – e a família dele. Outro alvo seria o promotor do Ministério Público Lincoln Gakiya, de Presidente Prudente, que lidera investigações contra o PCC na região.

Janeferson, também conhecido como Nefo, e outros alvos da operação do ano passado continuam presos, embora alguns pedidos de habeas corpus estejam pendentes. A defesa do morador de Santa Bárbara, representada pelos advogados Odair Chiuvite Silvestre e Jazon Gonçalves Ramos Junior, vê as prisões como ilegítimas e aponta erros no processo.

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“É um caso político. Ele foi preso para ser investigado. É uma situação que não aconteceu, não houve nem tentativa de sequestro. O Código Penal é muito claro que tentativa é quando se começa atos executórios e é interrompido por algum motivo alheio. Quais foram os atos executórios?”, questionou Odair.

“Nós tentamos colocar o próprio Sergio Moro como testemunha, mas o juiz negou alegando que ele não viu nada. Lógico que não viu, porque não aconteceu nada. Não há crime algum, não há provas e elementos que indiquem a tentativa de sequestro. A ilegalidade da prisão do Janeferson é flagrante”, completou.

Um dos argumentos da defesa de Janeferson é que o procurador José Soares, do MPF, chegou a pedir o arquivamento do processo antes de deixar o caso. Segundo ele, os acusados não cometeram qualquer crime federal e a investigação deveria ter sido de competência da Justiça estadual paulista.

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Em depoimento, Nefo afirmou que as informações de Moro levantadas por ele, como locais de votação e a rotina do ex-juiz e sua família — encontradas pela polícia —, seriam parte de um ato político, já que o suspeito queria se encontrar com o senador para jogar ovos e frutas podres nele. O teor do depoimento de Nefo foi revelado pela revista Veja, em julho do ano passado. O morador de Santa Bárbara também nega que tenha qualquer ligação com o PCC.

O MPF e a 9ª Vara Federal de Curitiba foram procurados pelo LIBERAL, mas não quiseram se manifestar porque o caso tramita sob sigilo.

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