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115 anos

Sem festa por conta da Covid-19, Nova Odessa chega aos 115 anos

Prefeito Bill diz que foco é evitar mortes e que população não passará fome; obras vão continuar, garante

Por Rodrigo Alonso

24 Maio 2020 às 08:12 • Última atualização 24 Maio 2020 às 09:42

Fundada oficialmente em 1905, surgimento da cidade está ligado à imigração de russos – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Nova Odessa completa 115 anos neste domingo. Devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), não haverá festa na cidade. Neste momento, segundo o prefeito Bill (PSDB), o foco da administração municipal é evitar que a doença tire a vida de moradores.

Em entrevista ao LIBERAL, ele disse defender o isolamento social e ressaltou que, apesar da crise econômica agravada pela quarentena, o povo não morrerá de fome.

“Uma coisa eu posso ter certeza: o povo vai passar por dificuldade, mas morrer de fome, não. Porque nós somos solidários, nós vamos dividir”, justificou. Na visão dele, as pessoas podem se reerguer diante de adversidades financeiras.

Bill justifica que ação tomadas na cidade tem o objetivo de salvar vidas – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

“Muitas vezes, você tem um comércio, mas, sem vida, você não tem nada. Quando você perde alguém da família, quando alguém da família sua vai embora, você vai entender que todas as ações foram necessárias para salvar vida”, argumentou.

A cidade completa seu aniversário em meio a um inédito isolamento, que divide a opinião dos moradores. O comerciante Leonardo Cirillo, de 33 anos, se posicionou contra a quarentena, que está em vigor no Estado desde 24 de março.

“Pelo número de casos que teve, não acho que seja necessário do jeito que está levando. Acho que deve, sim, ter isolamento para quem precisa, que é o grupo de risco. Para quem não é grupo de risco, acho um exagero. Pode trabalhar normalmente”, declarou.

Prefeito Bill participou de solenidade na sexta-feira – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Por outro lado, o engomador João Marques, de 57 anos, acredita que o poder público deve agir com cautela e seguir as orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde).

“Neste momento, [a prioridade] é a saúde. Depois, é a reabertura do comércio gradual. Não adianta abrir tudo de uma vez, porque aí vai contaminar meio mundo, e o hospital não tem condições de cuidar dessas pessoas”, comentou.

Na região central da cidade, a reportagem identificou que há lojas abertas, mas sem a possibilidade de entrada dos clientes. O atendimento ocorre apenas da porta para fora.

De acordo com o comerciante Carlos Eduardo Fiorin, de 41 anos, as vendas em seu estabelecimento, que trabalha com acessórios para celular, caíram 70% por causa da quarentena.

“Acho que isso [o recesso econômico] vai longe ainda. Mesmo depois que voltar o comércio, acabar a quarentena e flexibilizar a situação, acho que este ano, se empatar, está bom. Eu acho um ano perdido”, opinou.

Planos

Em razão da pandemia, a prefeitura precisou cancelar as comemorações festivas voltadas para o aniversário de 115 anos, além de outros eventos que estavam previstos no calendário da cidade, como a Festa das Nações.

O projeto “Um Sonho de Natal”, realizado sempre em dezembro, também pode não acontecer. “Ainda tenho fé de que a gente possa chegar em dezembro e, pelo menos, fazer algo para poder acalentar e diminuir a tristeza do nosso povo de Nova Odessa”, apontou Bill.

Em contrapartida, as obras seguem em andamento. O prefeito espera inaugurar em novembro a ETA (Estação de Tratamento de Água) Santo Ângelo, a segunda do município.

A administração trabalha, ainda, na recuperação da Estrada Municipal Rodolfo Kivitz. Na última terça, a prefeitura abriu licitação para a segunda etapa do serviço.

“O objetivo nosso era que nós conseguíssemos entregar todas as obras no prazo correto. Porém, com esse problema do coronavírus, nós vamos entregar, mas com um pouco mais de dificuldade”, afirmou o mandatário.

Ligação com a Rússia

A origem da cidade está diretamente ligada à imigração de russos para o Brasil. Em 24 de maio de 1905, o secretário estadual da Agricultura, Carlos José de Arruda Botelho, criou o Núcleo Colonial de Nova Odessa justamente para a instalação desses imigrantes.

Cerimônia de aniversário contou apenas com uma breve apresentação do sexteto da Banda Sinfônica Municipal ‘Professor Gunars Tiss’  – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

À época, o governo comprava terras particulares e as revendia para estrangeiros. Uma dessas propriedades foi a Fazenda Pombal, localizada no território que, hoje, é Nova Odessa. O Estado oficializou a aquisição desse terreno em 11 de março de 1905.

Na sequência, outras propriedades compuseram o núcleo colonial: a Fazenda Velha e o “engenho velho” da antiga Fazenda São Francisco, áreas que ainda pertencem a Nova Odessa, além das fazendas Pinheiro, Paraíso e Sertãozinho, que atualmente fazem parte de Sumaré.

Os russos deixaram seu país em razão de uma crise política. Naquele período, a Rússia enfrentava uma guerra contra o Japão e, internamente, era palco de greves, motins, revoltas e atentados.

Todos os dados são da Prefeitura de Nova Odessa, que conquistou sua emancipação política em 31 de dezembro de 1958.

Podcast Além da Capa
Solidariedade e apoio aos necessitados marcam a luta contra o novo coronavírus (Covid-19) nas periferias da RPT (Região do Polo Têxtil). O LIBERAL visitou moradores do acampamento Roseli Nunes e da favela Zincão, em Americana, e da ocupação Vila Soma, em Sumaré, e observou como eles se unem para enfrentar as dificuldades provocadas pela pandemia. Nesse episódio, o editor Bruno Moreira recebe o repórter André Rossi, que esteve nas comunidades, para repercutir essa apuração.