19 de abril de 2021 Atualizado 17:12

8 de Agosto de 2019 Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

Americana

‘Parece que a pessoa está pra chegar’, diz confeiteira que perdeu a mãe para Covid-19

Patrícia Silva Martins está entre os milhares de brasileiros que perderam parentes e não tiveram a chance de olhar uma última vez para os entes queridos

Por André Rossi

21 mar 2021 às 08:13 • Última atualização 21 mar 2021 às 08:14

A confeiteira Patrícia Silva Martins, 37, de Americana, está entre os milhares de brasileiros que perderam parentes para a Covid-19 e não tiveram a chance de olhar uma última vez para seus entes queridos.

Por conta dos riscos de contágio, a maioria dos caixões tem sido lacrados. Assim, os velórios, quando são autorizados, acontecem com as estruturas fechadas.

Patrícia perdeu a mãe, Neusa, em 22 de julho – Foto: Divulgação

Patrícia é filha da comerciante Neusa Silva Sousa Martins dos Anjos, que morreu no dia 22 de julho, aos 63 anos. A mulher era dona da lanchonete do Clube dos Veteranos de Americana e figura conhecida na cidade.

Neusa procurou atendimento no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi no início de julho. Além de sintomas gripais, ela estava com dores nas costas. Sem os demais sintomas da doença, a mulher acabou liberada e voltou para casa.

Três dias depois, Neusa piorou e foi novamente ao HM. Dessa vez, teve de ser internada. Depois de 15 dias intubada, a comerciante não resistiu e faleceu. Patrícia não pode reconhecer o corpo da mãe.

“Isso é muito triste. Você não poder ver a pessoa. É tudo lacrado. Uma morte que deixa a gente… sem explicação. Parece que a pessoa está para chegar. Entendeu? Isso é muito triste. Para quase um sonho… está pra chegar”, disse Patrícia, ao tentar descrever o sentimento para a reportagem.

Neusa era parte do grupo de pessoas que sabia dos riscos da doença e não minimizava a pandemia. Praticava o distanciamento social e saía de casa apenas para ir ao supermercado.

Patrícia, que também testou positivo e se recuperou, reforça o apelo pela conscientização das pessoas. “O pessoal não quer acreditar, mas a doença está aí. Infelizmente, não tem idade. Não tem como a gente saber quem aguenta e quem não aguenta”, comentou.

Doença agressiva

Durante o último ano, não faltaram relatos que evidenciam o quão rápido a doença pode evoluir, independentemente da idade da pessoa.

Na última quarta-feira, o celebrante de casamentos Moisés Rocha morreu aos 58 anos em um hospital de Americana. Morador de Santa Bárbara d’Oeste, ele era ativo e não tinha comorbidades.

Segundo um de seus filhos, o fisioterapeuta Matheus Rocha, 26, a expectativa era de que ele se recuperasse.

Moisés Rocha morreu aos 58 anos em um hospital de Americana – Foto: Divulgação

“Infelizmente foi progressivo e acabou comprometendo muito o pulmão dele, de não conseguir se recuperar. Mas a gente via o quadro favorável para que evoluísse bem. Mesmo depois de intubado, a gente tinha expectativa que ele se recuperasse”, contou Matheus.

Assim como Patrícia, o fisioterapeuta deixa o apelo para que as pessoas não minimizem a doença. “As pessoas tem que se conscientizar mesmo e cada um cuidar dos seus. Estar próximo da família, se respeitar. A gente precisa se cuidar porque o país que a gente vive exige isso”, disse Matheus.

Publicidade