Newton Cesar Balzan, ex-professor do Vocacional, morre aos 86 anos

Docente sofreu parada cardiorrespiratória no último sábado e foi sepultado Cemitério Parque Flamboyant, em Campinas


Foto: Reprodução
De acordo com Maria Cecília Balzan, esposa de Newton, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu

Ex-professor do Ginásio Vocacional de Americana, Newton Cesar Balzan morreu no último sábado (16) aos 86 anos. O sepultamento foi realizado no mesmo dia no Cemitério Parque Flamboyant, em Campinas, cidade na qual residia.

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De acordo com Maria Cecília Balzan, esposa de Newton, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu. O ex-professor deixa a esposa, uma filha e uma neta.

Newton trabalhou com a primeira turma do Ginásio Vocacional, de 1962, como professor de Estudos Sociais. Três anos depois, virou coordenador geral da disciplina no colégio. Em entrevista ao LIBERAL em 2014, ele relembrou que Americana foi uma das seis cidades escolhidas para receber o sistema de ensino após decreto do governador Carvalho Pinto.

O Ginásio Vocacional era considerado o modelo mais avançado e eficiente de ensino do País por ir além do conteúdo expositivo das escolas tradicionais e ensinava o aluno com a prática. Aprendia-se Artes Plásticas, Educação Musical, Práticas Comerciais, Agrícolas, Industriais e Domésticas. Até a cantina era comandada pelos estudantes.

“O ponto básico era a formação cultural geral e o espírito crítico dos alunos. O ensino vocacional estava adiante de sua época”, disse Newton.

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O docente viu de perto a influência do regime militar no colégio a partir de dezembro de 1970. Um ano antes, problemas internos na unidade entre professores dispensados e a direção causaram o esvaziamento do modelo.

Irritado com a dispensa, um dos professores divulgou uma carta em que dizia que a “subversão” sempre ocorreu no ensino vocacional. A revolta deu início à investigação do regime nos colégios. Segundo o ex-professor, o principal receio dos militares era a “formação cultural geral e o espírito critico dos alunos”.

“Ele (Vocacional) não foi fechado pela ditadura. Ele foi esvaziado. Cada vez mais os professores deixavam de ser contratados. Acho que a razão foi o fato de o Vocacional ser uma escola que despertava a consciência crítica dos alunos. Isso não agradou aos militares. As outras escolas não despertavam”, apontou Newton.

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