24 de fevereiro de 2024 Atualizado 20:17

8 de Agosto de 2019 Grupo Liberal Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

Celebridades

Urso feroz

Do alto de seus 75 anos, Tony Ramos se diverte em cena com o torpe e convencido Antonio de “Terra e Paixão”

Por Geraldo Bessa/TV Press

03 de dezembro de 2023, às 10h51 • Última atualização em 03 de dezembro de 2023, às 10h52

Tony Ramos vive o vilão Antonio na novela “Terra e Paixão” - Foto: Divulgação

Protagonista definitivo e, há mais de quatro décadas, um dos atores mais disputados da Globo, chega a impressionar a empolgação de Tony Ramos a cada trabalho. “No dia em que eu tratar a atuação como qualquer coisa, é sinal de que é hora de me aposentar. Acredito que isso esteja bem longe de acontecer”, brinca. E está longe mesmo. Sempre que acaba um trabalho, Tony já está pensando no próximo.

Aos 75 anos e com toda a gama de personagens já vividos sob o olhar do público, o ator assume que está se divertindo na pele de um vilão forte e totalmente sem pudores como o Antonio de “Terra e Paixão”. “Antonio comete atrocidades absurdas. É um sujeito sem filtro social e, justamente por isso, um prato cheio para qualquer ator. O texto do Walcyr (Carrasco) tem me feito muito feliz”, celebra.

Receba as notícias do LIBERAL no WhatsApp

Paranaense da pequena Arapongas, Tony passou parte da juventude no interior de São Paulo, onde teve suas primeiras impressões com o cinema e virou fã dos filmes de Oscarito. Aos 16 anos, disposto a seguir a carreira de ator, resolveu se mudar para a capital, onde logo encontrou abrigo em pequenos grupos de teatro amador. Entre os anos 1960 e 1970, trabalhou de forma ininterrupta em novelas e programas da extinta Tupi. Em 1977, transferiu-se para a Globo e, consequentemente, para o Rio de Janeiro, onde está até hoje. Na lista de sucessos, tramas como “O Astro”, “Pai Herói”, “Baila Comigo”, “Rainha da Sucata”, “A Próxima Vítima” e “Belíssima”, entre outras.

Apesar dos inúmeros personagens no seu histórico e de ter se tornado um dos símbolos do herói romântico, Tony se mostra avesso a qualquer glamourização. “A tevê voltou a se interessar mais pelo talento. Por muitos anos, a beleza foi uma grande porta de entrada. Agora, vejo jovens preocupados com disciplina e repertório e não apenas em aparecer nas capas de revista. Acho que vem uma geração muito boa por aí”, ressalta o ator, que vive um casamento tranquilo e longe dos holofotes com Lidiane Barbosa desde 1969. “Somos naturalmente discretos. Não temos redes sociais e nem a pretensão de ficar mostrando tudo o que fazemos”, assume.

“Terra e Paixão” chega ao fim em janeiro do ano que vem. Com tantas reviravoltas ao longo da trama, qual o balanço que você faz deste trabalho até aqui?

Interpretar o Antônio La Selva é um dos maiores momentos da minha carreira. Sinto isso andando na rua, no posto de gasolina, no aeroporto. Outro dia eu entrei em um restaurante e as pessoas começaram a bater palma. Então, esse é o termômetro e o fenômeno promovido pela tevê aberta e por ter um belo personagem em mãos.

Siga o LIBERAL no Instagram e fique por dentro do noticiário de Americana e região.

Em algum momento você achou que o fato de ele ser vilão pudesse causar algum estranhamento no público?

Acho que hoje as pessoas sabem entender isso melhor. Quando fiz “Torre de Babel” e “Paraíso Tropical”, por exemplo, as pessoas estranharam sim. Justamente porque eu pouco era chamado para o posto de antagonista.

Como foi o movimento de quebrar com essa limitação e passar a fazer personagens mais diversos?

Os autores e diretores me ajudaram muito. Mas é claro que, a cada novo chamado para trabalhar, eu conversava bastante sobre as minhas vontades artísticas do momento e a proposta que estava sendo oferecida. No caso de “Terra e Paixão”, por exemplo, o Walcyr (Carrasco) já chegou em total sintonia com o que eu queria fazer.

Faça parte do Club Class, um clube de vantagens exclusivo para os assinantes. Confira nossos parceiros!

Como assim?

Eu queria me divertir e fazer algo diferente do que estava acostumado. É claro que tenho consciência de que Antônio La Selva é um homem de um caráter absolutamente horroroso. Não sabe perder, quer ter todas as suas vontades prontamente atendidas e é capaz de tudo para chegar aos seus objetivos. Ele brinca com a vida das pessoas. Com este desenho, do ponto de vista de papel para um ator desenvolver, sem dúvida, é uma linda missão que eu ganhei. Estou me divertindo muito em cena.

O Antenor, vilão que você viveu em “Paraíso Tropical”, também está de volta ao ar no “Vale a Pena Ver de Novo”. Qual sua principal lembrança desta obra?

São várias lembranças. Mas vou destacar meus companheiros de trabalho. A novela tinha um texto muito afiado assinado pelo Gilberto Braga e era dirigida de forma muito bem-humorada e transparente pelo Dennis Carvalho. Era uma dupla muito afinada. No estúdio, ter de conviver com Wagner Moura, Vera Holtz, Otávio Müller, Maria Fernanda Cândido, Fábio Assunção e Glória Pires, entre outros, era motivo de muita inspiração. Também não posso esquecer dos amigos que já foram e sinto falta de contracenar, como o Hugo Carvana e Yoná Magalhães. Vou ficar feliz e emocionado de rever esse trabalho. E acho que o público também.

Publicidade