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Televisão

Sob todos os holofotes

Alexandre Nero fala de seu primeiro protagonista no horário nobre e do sucesso avassalador de “Império”

Por Caroline Borges / TV Press

25 abr 2021 às 20:10

Alexandre Nero tem inúmeros motivos para celebrar o retorno de “Império”. A novela de Aguinaldo Silva marcou a estreia do ator no posto de protagonista, alçando Nero ao time de primeiro escalão do “casting” da Globo. Além da importância extrema do projeto em sua trajetória, ele também terá a chance de refrescar a memória sobre um trabalho recente. Apesar de ter participado do folhetim do começo ao fim, Nero confessa que tem poucas lembras do enredo do horário nobre.

“Sou um desmemoriado para tudo na minha vida. Não lembro de muita coisa da história do personagem. Com a reestreia da novela, estou dando muitas entrevistas e, então, vou lembrando uma coisa ou outra. Recentemente, a Lilia (Cabral) relembrou uma história na Sapucaí que eu não lembro mesmo. Me recordo muito das festas e da afetividade dos bastidores. Isso me marcou muito”, explica Nero, que vive o protagonista José Alfredo na edição especial. “Se eu que fiz a novela não lembro, imagino que o público também não recorde. Vai ser bom rever”, completa.

Na história, José Alfredo é um homem de origem humilde. Após ser separado de seu grande amor, ele se torna dono de uma rede de joalherias. Casado com a esnobe Maria Marta, papel de Lilia Cabral, ele precisa lidar com a intensa ganância dos filhos que brigam pelo controle de todo o império de joias.

“O José Alfredo é um anti-herói, capaz de atitudes no mínimo duvidosas, mas que também sabe proteger, ser solidário. É um ‘casca grossa’ de bom coração, eu diria, com os seus defeitos, e talvez isso tenha ajudado a aproximá-lo do público. Ele não tem aquela característica angelical dos mocinhos. Veio muito naquela esteira de ‘Os Sopranos’. Uns personagens meio grotescos e agressivos”, defende.

Após “Império”, Alexandre Nero reviveu o Comendador em um esquete do “Tá no Ar: A TV na TV” – Foto: Divulgação

O José Alfredo foi seu primeiro protagonista no horário nobre. De que forma esse personagem impactou na sua trajetória profissional?

As pessoas se encantaram com o Comendador. Mais do que um divisor de águas na minha carreira, ele provocou um verdadeiro tsunami! (risos) O projeto não foi um sucesso, foi um fenômeno maluco mesmo. As pessoas se fantasiavam no Carnaval, tinha uma romaria até a minha casa. Foi algo meio doido. Eu precisei mudar de casa porque eu não morava como um ator global, né? (risos) Até hoje eu recebo mensagens do mundo inteiro sobre esse personagem. Fui chamado de Comendador na Itália, em Paris… Mas, na verdade, ninguém lembra do personagem que eu acho mais importante da minha carreira.

E qual foi?

É curioso, mas o personagem, para mim, mais importante foi o Gilmar, de “Escrito nas Estrelas”, escrita pela Elizabeth Jhin. Era um personagem que eu amava fazer, era muito interessante, mas ninguém lembra dele (risos). Mas do ponto de vista da repercussão nacional, o Comendador fez mais sucesso. Em qualquer profissão, você faz sucesso e fracassa o tempo inteiro.

Como você recebeu a notícia da reprise de “Império”?

Foi uma surpresa para mim. Tanto tempo depois do sucesso avassalador que foi a primeira exibição de “Império”, vai ser interessante assisti-la agora em outro momento, em outro contexto de vida. Ainda hoje, não tem um dia sequer que eu não seja chamado de Comendador. A novela teve uma repercussão espetacular, inclusive internacional com o Prêmio Emmy, e para mim foi um marco. Me deu a oportunidade de fazer o meu primeiro protagonista, logo no horário nobre.

Você teve algum tipo de dificuldade para lidar com essa repercussão intensa na época?

No início, foi complicado para mim, mas hoje eu já desapeguei. Acho um barato e não vejo problema. Desde que se reverta em reais está tudo bem (risos). Brincadeira. Eu entendi que a carreira continua independente do Comendador. Se eu estou de bigode, acham que veio do Comendador, mas o bigode é meu, eu é que emprestei para o personagem. Quando estou de preto é a mesma coisa, mas eu sempre usei preto. No começo, eu pensava como sairia do Comendador. Aquela coisa meio atores de “Friends”. Novela tem uma repercussão assustadora e isso fica na cabeça do grande público, da massa. Não posso ficar pensando em não aceitar um personagem nordestino porque o Comendador era. Sou eu e não tem como fugir. Isso está mais no olho de quem vê do que em mim. Depois que eu vi as pessoas chamando o Fagundes (Antônio) de Rei do Gado, quem sou eu para não querer ser chamado de Comendador?

Antes de “Império”, você já tinha participado de “Fina Estampa”, que fez sucesso com o motorista Baltazar. Como foi o convite para interpretar o Comendador?

Eu fui o primeiro a falar que isso não ia dar errado. Fiquei sabendo que o Aguinaldo estava pensando no meu nome através da imprensa, mas, em um primeiro momento, nem acreditei. Achei que era coisa de jornal. Depois, falei com o Papinha e ele confirmou, mas a Globo estava resistente. Por motivos óbvios, né? Uma aposta no posto de protagonista do horário nobre era algo arriscado. Mas o Aguinaldo é meio maluco e as coisas sempre dão certo.

Como foi seu processo de composição para viver um homem mais velho na época?

Eu fazia o pai da Andréia (Horta) e do Caio (Blat). Eu não era pai na época e não fazia ideia de como poderia fazer isso. A preparação com o Eduardo Milewicz foi fundamental. Geralmente, em dramaturgia diária, a gente tem pouco tempo de preparação, mas, em “Império”, tivemos um tempo grande antes de começar a gravar. Postura, jeito de falar e mexer no bigode foi tudo ensaiado. Minha grande referência, na verdade, foi meu pai. A gente sempre busca referências dentro da gente. A maquiagem também foi de extrema importância.

Como assim?

Na época, as pessoas achavam que eu tinha dado uma acabada porque eu fazia uma maquiagem para me envelhecer. Então, acho que agora elas vão pensar que eu dei uma rejuvenescida. Além disso, estou dez quilos mais magro. Durante a novela, eu combinei com o Papinha e a produção de manter segredo sobre essa maquiagem. “Vídeo Show” e “Fantástico” sempre queriam fazer matéria sobre, mas o Papinha comprou a ideia de não divulgar isso. As pessoas falavam que eu tinha dado uma acabada quando estavam no estúdio. Vai ser legal rever essa edição especial.

Atualmente, você grava “Nos Tempos do Imperador”, que já teve as gravações paralisadas duas vezes por conta das restrições de isolamento social. Como você tem lidado com esse período de pandemia em meio ao trabalho?

Olha, é aquilo, né? Quem está bem (psicologicamente) no Brasil, está mal informado. Está todo mundo no mesmo buraco. É um misto de alegria com tristeza. Todo mundo quer entregar novos produtos, a gente está fazendo coisas novas, mas estamos impedidos de evoluir por conta da pandemia.

O que você pode adiantar da trama de “Nos Tempos do Imperador”?

Eu faço o Tonico. Vai ser um vilão bem caricato, bastante mandão, que é nordestino também. Em alguma camada, talvez o público encontre algumas semelhanças com o Comendador. Não sei exatamente como ficará a programação, mas há uma chance de ficar no ar com as duas novelas por um período talvez.

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