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Celebridades

Fora da curva

“Cara e Coragem” foge dos paradigmas tradicionais das novelas das 19h da Globo e acerta ao apostar no suspense

Por MÁRCIO MAIO - TV PRESS

04 de agosto de 2022, às 09h58 • Última atualização em 04 de agosto de 2022, às 09h59

De uns tempos para cá, a Globo abriu cada vez mais suas portas para novos autores titulares. Tanto pela aposta intensa nas séries, principalmente depois do lançamento da plataforma de streaming Globoplay, quanto pela necessidade de dar novo gás ao tradicional formato de novela. Claudia Souto é um desses nomes, tendo sua estreia com “Pega-Pega”, em 2017 e, agora, em seu segundo folhetim como autora titular, responsável pelo texto de “Cara e Coragem”, também na faixa das 19h. Essa renovação proporciona algo que nem sempre é possível quando se investe em nomes já consagrados da televisão: boas doses de ousadia e certa quebra de paradigmas. Pode-se dizer que Claudia entrega um pouco dos dois, mesmo que em medidas muitas vezes sutis.

Tradicionalmente, a faixa das 19h é aquela em que a comédia é mais inserida. Algumas vezes, há espaço também para a ação, de olho no público adolescente e jovem. “Cara e Coragem” tem as duas coisas, mas o que chama mais atenção ali é o suspense, um gênero que aparece mais nas tramas exibidas na faixa nobre, a partir das 21h. “Pega-Pega” já tinha um núcleo policial, mas o público tinha conhecimento das circunstâncias que estavam sendo investigadas. Agora, a pegada é outra: aos poucos, alguns elementos se revelam para ajudar os telespectadores a montarem o quebra-cabeça em torno da suposta morte de Clarice, papel de Taís Araújo.

Nesse jogo de pistas proposto ao público, Claudia inova ao desenvolver o desenrolar da trama de forma não linear. Sim, porque muitas informações que chegam vêm a partir de flashbacks que envolvem seus personagens. Assim, ela dá a chance de o telespectador brincar de detetive, mas também corre um risco. Afinal, nem sempre dá para assistir a todos os capítulos de uma novela – daí a necessidade de, volta e meia, relembrar a trama. Só que “Cara e Coragem” vem se tornando aquele tipo de folhetim em que um ou dois capítulos perdidos já pode atrapalhar o entendimento da trama.

Um dos pontos fortes da novela das 19h da Globo é o elenco. Mesmo os jovens se saem bem, como a estreante Vitória Bohn, que dá vida à bailarina Lou. Jeniffer Nascimento, a desconfiada Jéssica, também. A jovem, aliás, se destaca nas cenas que faz com Kiko Mascarenhas, que se divide entre o humilde Duarte e o falso milionário Bob Wright. Entre os protagonistas, Paolla Oliveira e Marcelo Serrado já são profissionais consagrados na tevê e no formato, ou seja, não é surpresa que sejam convincentes como os dublês Pat e Moa. Maria Eduarda de Carvalho, porém, é uma atriz na qual vale a pena prestar mais atenção. A intérprete da diva Andréa Pratini já atuou em diversas novelas. Porém, desde 2015, quando deu vida à inquieta Laila de “Sete Vidas”, parece ter alcançado um patamar diferente na carreira. E sua personagem, com o passar dos capítulos, pode se revelar uma das peças fundamentais na resolução do mistério que envolve “Cara e Coragem”. Sem falar que não é difícil torcer por Andréa na disputa pelo amor do mocinho Moa, por quem Pat também é apaixonada.

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