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Novembro Azul

Um terço dos casos de câncer em homens é de próstata

Descoberto no início de seu desenvolvimento, o câncer de próstata tem quase 100% de chance de cura após o tratamento

Por Moura Leite Netto - Sensu Comunicação

11 de novembro de 2021, às 18h17

Campanha traz uma reflexão indispensável a respeito do bem-estar do homem, sobretudo em relação ao câncer de próstata, doença que, ainda hoje, é cercada de tabus, medos e preconceitos - Foto: Adobe Stock

Com 65,8 mil novos casos estimados para 2021, o câncer de próstata é a tumor maligno mais comum entre os brasileiros, mais que a somatória dos casos em homens de câncer de pulmão, colorretal, estômago e cavidade oral. Exame de sangue (PSA), toque retal e biópsia possibilitam descobrir a doença precocemente, aumentando as chances de sucesso no tratamento.

A doença representa 7,3% dos casos e 3,8% das mortes por câncer. Descoberto no início de seu desenvolvimento, o câncer de próstata tem quase 100% de chance de cura após o tratamento. Com doença metastática, por sua vez, segundo o levantamento SEERs, do National Cancer Institute, dos Estados Unidos, apenas 30,5% dos pacientes estão vivos cinco anos após o tratamento.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, apesar dos avanços terapêuticos, cerca de 25% dos pacientes com câncer de próstata ainda morrem devido à doença. No Brasil, por mais que seja, biologicamente, uma doença com perfil indolente (de crescimento lento), cerca de 20% dos casos são diagnosticados em estágios avançados. A desigualdade de acesso aos serviços de saúde é um dos fatores que levou ao aumento da mortalidade por câncer de próstata no País nas últimas três décadas.

No novembro azul, mês de conscientização mundial sobre o câncer de próstata, o objetivo é alertar para os hábitos de vida que ajudam a prevenir a doença, assim como falar sobre a importância do exame de sangue que avalia a proteína produzida pelo tecido prostático (PSA) e o exame de toque retal, que propiciam descobrir a doença em fase mais inicial, reduzindo assim a mortalidade pela doença. A confirmação diagnóstica se dá por biópsia.

“Muito se fala que há excesso de diagnóstico e que muitos tumores, de tão indolentes, poderiam não ser tratados. Em alguns casos, isso até pode ocorrer, mas em um País com desigualdade de acesso aos programas de rastreamento, como é o caso do Brasil, devemos sim incentivar a população a fazer os exames”, destaca o cirurgião oncológico Gustavo Guimarães, que é diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e coordenador geral dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos do grupo BP-A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que os homens a partir de 50 anos procurem um profissional especializado, para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. O rastreamento deverá ser realizado após ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o paciente. Após os 75 anos, poderá ser realizado apenas para aqueles com expectativa de vida acima de 10 anos.

Tratamento
A definição do tratamento é feita caso a caso, levando em conta variáveis como idade, tipo do câncer, estágio, estadiamento, estado clínico e emocional do paciente e possíveis efeitos colaterais associados ao tratamento. “Munidos dessas informações, podemos oferecer uma abordagem personalizada, baseada em evidências científicas, beneficiando cada paciente de forma assertiva”, explica Gustavo Guimarães. As abordagens podem ser cirúrgicas, com destaque para a robótica; assim como por ultrassom de alta frequência, hormonioterapia, radioterapia, crioterapia, protonterapia e quimioterapia. “Há casos também em que a doença é indolente a tal ponto de optarmos por não tratar. Mantemos assim uma vigilância ativa, só optando pela terapia caso a doença evolua”, afirma.

Fatores de risco. O câncer de próstata é multifatorial, mas o envelhecimento, alimentação desequilibrada, alterações na glândula prostática e histórico familiar são alguns dos fatores que requerem uma maior atenção.

  • Idade: o envelhecimento é o principal fator de risco. Raramente a doença acomete homens com menos de 40 anos.
  • Histórico familiar: A maioria dos casos não tem qualquer relação com história familiar de câncer. Estima-se que a herança genética responda por cerca de 5% dos casos de câncer de próstata. Quando a doença está relacionada com alterações genéticas herdadas, as principais mutações são nos genes BRCA1, BRCA2 e HOXB13. Ter a mutação hereditária não significa que a pessoa tem câncer e sim que ela herdou um risco aumentado de vir a desenvolver a doença. Nem todas as pessoas que herdam mutações nesses genes desenvolverão câncer.
  • Alimentação: Dieta rica em gordura, particularmente de origem animal, com alto teor de cálcio, pode aumentar o risco.
  • Inflamação na próstata: pesquisas sugerem que essa condição pode ter influência no desenvolvimento do câncer de próstata. As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) também estão sendo investigadas como possíveis fatores de risco.

Sintomas e necessidade de avaliação médica

Na fase inicial, o câncer de próstata tem evolução silenciosa e não costuma apresentar sintomas ou, quando apresenta, pode ser confundido com crescimento benigno da próstata, pois é uma doença que tem sintomas semelhantes. Ao perceber alguns dos sintomas abaixo, e que eles persistem por mais de duas semanas, é importante buscar a avaliação de um médico.

  • Dor ou ardência ao urinar
  • Dificuldade para urinar ou para conter a urina
  • Fluxo de urina fraco ou interrompido
  • Necessidade frequente ou urgente de urinar
  • Dificuldade de esvaziar completamente a bexiga
  • Sangue na urina ou no sêmen
  • Dor contínua na região lombar, pelve, quadris ou coxas
  • Dificuldade em ter ereção

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