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Cultura na região

A arte como expressão e reguladora: como artistas da região convivem com o autismo 

Neste Dia Mundial de Conscientização do Autismo o LIBERAL conversou com artistas que possuem TEA

Por Stela Pires

02 de abril de 2024, às 08h16 • Última atualização em 02 de abril de 2024, às 09h34

O segundo dia de abril é marcado mundialmente pela celebração do Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data foi implementada pela ONU (Organização das Nações Unidas) com o objetivo de levar informação e reduzir a discriminação em relação às pessoas que apresentam o TEA (Transtorno do Espectro Autista). 

Roberta tem as esculturas de Lego como ferramenta reguladora para momentos de crise – Foto: Marcelo Rocha/Liberal

Na arte, as pessoas que estão no espectro encontram uma forma de regulação ou simplesmente expressão, assim como tantas outras. Os artistas que apresentam TEA da região de Americana estão por trás de exposições que garantem a acessibilidade ou coordenam o Maracatu Estação Quilombo.

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A produtora cultural e artista Roberta Antonelli Pajaro, de 36 anos, moradora de Americana, sempre teve a arte como parte de sua vida. Ela tem uma relação forte com a música desde muito nova. O sertanejo e o samba ecoavam em sua casa graças aos seus pais, mas o gosto dela de verdade era por Janis Joplin. “Não sabemos nem de onde isso vem”, contou.

Roberta canta, inclusive já teve banda na adolescência, mas sua expressão artística não está limitada apenas à música. Enquanto artista, ela também monta esculturas com peças de Lego. 

Da percepção de que muitas pessoas não têm acesso a esse tipo de material, ela iniciou oficinas de montagem para crianças. Ao ver que pais e avós também estavam gostando da experiência, Roberta expandiu as oficinas para todas as idades e começou a realizar exposições com outros cinco colecionadores. 

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Quando a produtora se deparou com diversos testes realizados durante anamnese para TEA resultando em positivo, ela entendeu que sua relação com a arte não era exclusiva à expressão, mas também uma forma de regulação e uma facilitadora para que pudesse viver dias mais tranquilos. 

Apesar dos testes positivos, ela ainda não conseguiu ser laudada. “Para você receber o laudo você tem que desembolsar um valor alto, que eu ainda não consegui dispor”, contou. 

Roberta ressignificou a arte em sua vida. “Quando eu acordo, já coloco mantra ou músicas que me acalmam. Quando tô sobrecarregada, eu canto”, contou Roberta. 

Em relação ao Lego, ele é responsável por tirá-la de momentos de crise. “O Lego me acalma quando estou desregulada. O manuseio das peças me ajuda no lado sensorial para acalmar”.

As exposições realizadas pela artista são inclusivas. Pessoas com deficiência visual, por exemplo, podem manusear as peças para sentirem o que está sendo representado. “Toda exposição foi montada para que pudéssemos contemplar todos os públicos, atendendo as demandas individuais”.

Depois de descobrir o TEA, Roberta se atentou a mais pontos para inclusão, como a oferta de protetores auriculares na entrada do evento.

A DJ e coordenadora do Maracatu Estação Quilombo de Americana, Caroline Gomes, sempre sentiu dentro de si que algo funcionava diferente, assim como sua compreensão sobre o mundo. 

Juntando o sentimento com alguns relatos sobre a sua infância, já adulta, hoje com 30, chegou ao diagnóstico de TEA. Caroline vê na sua arte uma conexão com o espectro.

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“Principalmente meu trabalho com a música, através da qual eu consigo transmitir e regular meus sentimentos, a agitação mental, e mostrar quem eu sou para além do TEA”, disse.

No Maracatu Estação Quilombo, Caroline pode se aprofundar na cultura e na parte religiosa envolta naquele meio. 

“Também assumi responsabilidades dentro da coordenação e venho me aperfeiçoando na regência musical do grupo, juntamente com a parte social, desenvolvendo ações voltadas para a cidade e parcerias com outros movimentos também”, explicou sobre seu trabalho.

Mesmo a arte sendo uma forma de regulação para as duas artistas, elas entendem que pessoas que estão no espectro não necessariamente precisam associar o TEA ao que produzem.

“A arte é livre. Ela inclui. Ela agrega. É claro que o importante é instruir, mas não necessariamente a arte do autista tem que ser voltada para o autismo”, disse Roberta.

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