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Pelas Páginas da Literatura

Percorrendo as bibliotecas de Santa Bárbara

Bibliotecas são espaços necessários para fomentar a leitura, facilitando o acesso gratuito a livros e apresentando novas obras

Por Marina Zanaki

04 dez 2021 às 05:00 • Última atualização 27 dez 2021 às 16:02

Lembro da primeira vez que estive em uma biblioteca. Era uma sala de leitura dentro do colégio municipal onde eu fazia a pré-escola, e a professora distribuiu a cada aluno um livro. Começou ali uma relação próxima com espaços onde eu poderia ler livros de graça, e ao longo da vida frequentei assiduamente cinco bibliotecas, parando apenas por conta da pandemia.

As memórias afetivas que tenho de bibliotecas foram ativadas recentemente durante uma reportagem. Percorri espaços públicos de Santa Bárbara d’Oeste para uma matéria sobre a característica de descentralização literária na cidade, e me vi acolhida nesses locais.

Marina compartilha as memórias afetivas que tem de bibliotecas – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

A sala de leitura que está sendo montada no Centro Cultural Edgard Tricânico D’Elboux, no Conjunto Habitacional Roberto Romano, conta com voluntárias do bairro para a classificação das obras. Esse trabalho me encantou, porque vem diretamente de um desejo de trazer a leitura para mais perto. Senti que a sala de leitura no Tricânico será um espaço realmente pertencente à comunidade.

O CEU das Artes, no Planalto do Sol II, me lembrou muito as primeiras bibliotecas que frequentei em escolas: uma sala cheia de livros, com prateleiras separadas por temas e várias obras, principalmente infanto-juvenis. Não é à toa que o espaço é frequentado principalmente por crianças que estudam no entorno. Senti também que o atendimento ali é um grande diferencial, realmente acolhendo quem para na biblioteca.

Já a biblioteca do Léo Sallum, na Cidade Nova, me remeteu à Biblioteca Municipal de Nova Odessa, onde passei boa parte dos meus anos como leitora. São várias salas cheias de livros, separados principalmente nas categorias ficção, infantil e didático – essa última sessão me fez recordar as consultas que fazia em enciclopédias para trabalhos de escola. Achei especialmente tocante descobrir que a Léo Sallum nasceu de um desejo da comunidade em transformar um terreno vazio em uma biblioteca.

Durante a apuração, descobri que Santa Bárbara tem o maior acervo de livros da região, com quase 95 mil obras. Mas o ponto principal, pra mim, é que eles estão distribuídos em quatro espaços, em diferentes regiões da cidade.

Acredito que ter próximo de casa um espaço com livros gratuitos é decisivo na formação de novos leitores e na consolidação da leitura como um hábito. A última edição Retratos da Leitura no Brasil perguntou a leitores e não leitores razões para não terem lido mais, e em ambos os públicos aparece a resposta “porque não há bibliotecas por perto”.

A leitura têm que ser fácil, deve estar disponível no caminho do trabalho ou da escola, ser gratuita e acolhedora. Minhas primeiras lembranças de ir a uma biblioteca fora do ambiente escolar me remetem a passeios com meus pais. A experiência não terminava quando eu chegava em casa – pelo contrário, era aí que começava a leitura daquele livro escolhido com tanto cuidado.

Durante as entrevistas, uma frase de Andréia Teodoro, chefe do Léo Sallum, me marcou demais: “A biblioteca não é um depósito de livros, é algo vivo para o que a comunidade precisa”.

Marina Zanaki

Repórter do LIBERAL, a jornalista Marina Zanaki é aficionada pela literatura e discutirá, neste blog, temas relacionados ao universo literário.