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SB 203 anos

Santa Bárbara tem o maior acervo literário do polo têxtil

Santa Bárbara reúne 95 mil livros em três bibliotecas municipais e uma sala de leitura: é o maior volume em toda a região

Por Marina Zanaki

04 Dezembro 2021, às 08h47 • Última atualização 04 Dezembro 2021, às 09h14

Os livros transportam a gente para outros lugares, ler é viajar”, diz a orientadora socioeducativa Denise - Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Santa Bárbara d’Oeste é uma cidade de livros. Ela não só tem o maior acervo da RPT (Região do Polo Têxtil), com quase 95 mil volumes, mas também possui mais equipamentos culturais espalhados por diferentes regiões. Cada biblioteca tem características próprias, mas todas são marcadas pelo caráter comunitário.

O Centro Cultural Léo Sallum, por exemplo, nasceu de um desejo da população do Cidade Nova.

“Na época tinha o orçamento participativo, e foi feita uma pesquisa do que as pessoas da região queriam que fosse feito nesse local. Era um barranco de terra, bem íngreme. As pessoas então pediram uma biblioteca”, recorda Andréia Teodoro, chefe do Centro Cultural.

Andréia Teodoro é a chefe do espaço que nasceu do desejo de moradores do Cidade Nova – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

O espaço une cursos gratuitos e um acervo de 27,3 mil livros. O público que o frequenta é composto majoritariamente por mulheres, crianças e, principalmente, adolescentes. Isso porque ele fica próximo à escola estadual Professora Maria José Margato. Para Andréia, o desafio com a reabertura ao público é retomar os cursos e estimular a leitura.

“Acontece até uma construção de memória. Quem frequentava quando criança hoje traz os filhos. Recentemente teve o lançamento do livro de uma pessoa que frequentava aqui, teve um contador de história que quando criança fez a ficha no primeiro dia. Acho que a gente faz parte da construção da Zona Leste”, defende Andréia.

O CEU (Centro de Artes e Esportes Unificados), conhecido como CEU das Artes, no Planalto do Sol 2, viu a região mudar de cara.

O equipamento foi instalado em 2014 para oferecer um espaço cultural e esportivo para pessoas em vulnerabilidade social, principalmente os moradores da favela Zumbi dos Palmares, que foi acolhida em outro espaço. A região cresceu e ganhou o condomínio Residencial Joias de Santa Bárbara, com outro perfil de público.

Coordenadora geral do Centro de Artes e Esportes Unificados de SB, Tarsila Rapassi – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

O diferencial do CEU é a ausência de muros, com acesso livre às pistas de caminhada, skate e quadra, reforçando a ideia de um espaço democrático.

“A gente vê que o fato de aqui ser aberto já traz a ideia de que qualquer pessoa pode frequentar esse espaço. Temos, por exemplo, usuários da biblioteca que são pessoas trans, então a gente já trabalha até com funcionários de como falar, perguntar como quer ser chamada”, conta a coordenadora geral, Tarsila Rapassi.

Com cinco mil livros, a biblioteca está localizada entre escolas infantis. Com isso, o maior público são as crianças. “Meu filho tem 13 anos e trago aqui desde 2014. Os livros transportam a gente para outros lugares, ler é viajar”, diz a orientadora socioeducativa Denise Santos de Carvalho, de 45 anos.

Biblioteca Municipal fica localizada no Centro de Santa Bárbara – Foto: Marcelo Rocha / O Liberal

Já a Biblioteca Municipal Professora Maria Aparecida de Almeida Nogueira, no Centro, é frequentada principalmente por adultos. Ela tem acervo de 60 mil volumes e público cativo, segundo o secretário de Cultura e Turismo, Evandro Félix.

“O incentivo à leitura é uma das bases da secretaria. Livros são fontes de informação riquíssimas, conteúdos que auxiliam na construção do ser humano enquanto ser pensante”, diz Evandro.

O Centro Cultural Edgard Tricânico D’Elboux, no Roberto Romano, ganhará uma sala de leitura. Ele já nasce pelas mãos da comunidade, já que o trabalho de catalogação está sendo feito por quatro voluntárias que moram no bairro.

Débora, Helton e Daniele mobilização entre voluntários e o Centro Cultural do bairro viabiliza a catalogação – Foto: Claudeci Junior / O Liberal

Debora Trevisan retornava de uma ida a pé até a biblioteca central, onde tinha ido buscar livros, quando decidiu parar no Centro Cultural para perguntar sobre rumores de uma sala de leitura. Ela se dispôs a ajudar e chamou a amiga, Daniele Andrade, que também é leitora assídua. Desde então, as duas vão semanalmente ao espaço para catalogação.

“É para eles, estamos aqui só como facilitadores. Quanto mais gente tiver, e até se tiver mais interessados em colaborar, será bem-vindo. É um trabalho minucioso e necessário para que ela fique viva para a comunidade”, diz o gestor do espaço, Helton Carlos. O projeto começa com dois mil livros, mas as prateleiras estão abertas para doações.

Bibliotecas integradas

Cada biblioteca tem um número de WhatsApp para manter contato direto com os leitores e fazer reservas. A prefeitura implantou o projeto Empréstimo entre Bibliotecas, que permite a circulação de livros entre os equipamentos mediante pedido dos leitores.

Elas fazem atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 17h. Confira os endereços:

  • Biblioteca “Neide Crócomo” / CEU das Artes
    Rua Argeu Egídio dos Santos, 100 – Planalto do Sol 2 • WhatsApp e telefone: (19) 3458-5868
  • Centro Cultural e Biblioteca “Profº. Léo Assad Sallum”
    Rua do Algodão, 1.450 – Cidade Nova • WhatsApp e telefone: (19) 3457-4627
  • Biblioteca Pública Municipal “Maria Aparecida Almeida Nogueira”
    Rua Campos Sales, 72 – Centro • WhatsApp e telefone: (19) 3455-2619
  • Centro Cultural “Edgard Tricânico D’Elboux”
    Rua Padre Arthur Sampaio, 76 – Conj. Hab. Roberto Romano • WhatsApp e telefone: (19) 3454-0331

Qualquer pessoa pode ter acesso ao acervo, inclusive de outras cidades. É necessário apresentar documento com foto e comprovante de residência recente.

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