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Saúde em Pauta

Antivacinas: explicações fáceis, confiantes e convincentes

Epidemias de boatos sobre a vacinação surgem no mundo inteiro há décadas

Por Paulo Renato Monteiro da Silva

02 de outubro de 2023, às 09h24 • Última atualização em 02 de outubro de 2023, às 09h25

Interessante como surgem e persistem os comentários contras as vacinas, encontrando explicações “fáceis, confiantes e convincentes” para todos os progressos preventivos vacinais. Esses boatos têm história e, muitas vezes, uma história importante.

Um desses episódios ocorreu na África, mais especificamente na Nigéria, quando se levantaram suspeitas de que a vacina da poliomielite – que a OMS (Organização Mundial da Saúde) preconizava – seria um contraceptivo e ao mesmo tempo causaria Aids.

Por que tanta desconfiança?

Não eram as mães ou as pessoas em geral as desconfiadas, mais sim os líderes regionais, líderes religiosos e políticos locais, que semeavam a desconfiança e incentivavam a boicotar toda tentativa de erradicar a poliomielite naquele estado, durante 11 meses.

E durante quase um ano de suspensão da vacinação contra a pólio, o surto dessa doença passou da Nigéria para mais de 20 países, chegando até mesmo na Indonésia. Foi o preço de um boato.

Essas epidemias de boatos surgem desde os primórdios das vacinas e pelo mundo inteiro.

Na tentativa de entender melhor esses boatos, se criou um índice de confiança em vacinas e se notou que a Europa é o continente mais cético do mundo, e a França, o país que mais se destaca.

Os estudos de ciência política observam que as pessoas mais suscetíveis de votar num partido populista são as que mais facilmente discordam das vacinas, levantando dúvidas sobre sua segurança ou eficácia, portanto, as vacinas também não escapam da política.

Tentando entender um pouco do porquê do surgimento dos boatos, vamos considerar quatro pontos:

1) Governos ou grandes empresas são os que fabricam as vacinas e essas instituições, muitas vezes, são passíveis de críticas;

2) Os cientistas que estudam e desenvolvem essas vacinas geralmente não são acessíveis ao público, pelo menos quanto à linguagem que usam;

3) Vivemos num mundo interligado, onde as pessoas compartilham suas opiniões, interesses e preocupações, plantando dúvidas entre aqueles que ainda não têm um opinião definida;

4) Por fim, as vacinas dizem respeito a todas as pessoas do planeta. Se desejarmos atingir a todos de maneira global, as vacinas são a oportunidade perfeita.

Então, surgem perguntas como “por que é que meu filho não pode ter um calendário de vacinação personalizado? Qual é a justificativa para tantas vacinas? E os ingredientes e conservantes?”.

Essas questões são levantadas, e não porque são antivacinas, mas gostariam de entender mais sobre o tema, e temos que saber escutar.

Não é fácil para alguns profissionais sentirem que sua autoridade é questionada. É desconfortável, além do que estão sempre muito ocupados e não conseguem responder a todas essas perguntas.

Precisamos conversar mais sobre esse tema, senão iremos perder muitas crianças. Entender e esclarecer as dúvidas é o ponto principal, afinal, o que os pais almejam é oferecer a melhor proteção a seus filhos.

Design sem nome – Foto:
Paulo Renato Monteiro da Silva

O médico Paulo Renato Monteiro da Silva, especialista em alergologia e imunologia, fala sobre temas da saúde em alta e sobre como manter hábitos saudáveis