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Saúde em Pauta

Álcool, um parceiro da humanidade (parte 1)

Sobre o surgimento das bebidas alcóolicas e a influência dela na sociedade

Por Paulo Renato Monteiro da Silva

26 de novembro de 2023, às 11h58

O início talvez tenha surgido da observação da natureza, ou por meio de algum acontecimento fortuito, como um recipiente que tenha ficado com arroz, uvas, frutas e que acabou sendo contaminado por um micróbio – conhecido como levedura. Este, atuando sobre os açúcares que existem naturalmente nesses alimentos, acabou produzindo álcool (nesse caso o etanol).

É bastante conhecida a situação de elefantes, babuínos, porcos selvagens e outros animais que se embriagam ao comerem frutas caídas ao chão, fazendo com que a bicharada sinta uns efeitos esquisitos…

Esse processo de obtenção do álcool, a partir destes micróbios (leveduras) que se alimentam do açúcar dos frutos, produzindo álcool, é chamado de fermentação.

Ninguém sabe exatamente quando os seres humanos começaram a criar bebidas alcoólicas, mas existem relatos de que os chineses já conheciam esse processo desde 7000 antes de Cristo. Ou seja, o primeiro boteco vem de longa data.

Ao longo de milhares de anos, as culturas de todo o mundo fermentaram suas bebidas, cada povo usando diferentes alimentos para esse processo. Os mesopotâmios e egípcios fizeram cerveja; na Grécia e na Roma, onde as uvas cresciam mais facilmente, o vinho; no México, a partir da seiva do cacto, fizeram o pulque. Já o Japão fez o saquê, a partir do arroz. E aqui no Brasil, nossos índios faziam um fermentado a partir da mandioca (cauim).

Essas leveduras fermentam os açúcares de quaisquer vegetais, portanto é possível obter álcool de uma grande variedade de alimentos.

À medida que o consumo do álcool passa a fazer parte da vida cotidiana, os seus efeitos passam a ser sentidos, sendo exaltados por alguns e criticados por outros, o que culminou com culturas que o aceitam e convivem bem e outras que o proíbem.

Na saúde, também existem controvérsias. Uns citam que uma taça de vinho ao dia possa nos trazer benefícios. Outros, que nunca se deva ingerir bebidas alcoólicas.

As antigas bebidas fermentadas tinham um teor alcoólico relativamente baixo, em torno de 10 a 13% de álcool, devido ao fato de que os produtos gerados durante a fermentação tornam-se tóxicos e terminam matando as próprias autoras desse processo – as leveduras.  E quando essas leveduras morrem, não se produz mais álcool, atingindo-se uma concentração estável. Com os anos se aprendeu a driblar esse fato, conseguindo a produção de bebidas com teores alcoólicos muito mais altos.

Esse álcool mais forte era usado para efeitos medicinais, porém esses fermentados entraram no gosto do povo, até mesmo porque esses produtos não sofrem degradação como a cerveja e o vinho.

Essas novas bebidas – como o rum – se tornaram um parceiro inseparável dos marinheiros, se transformando numa moeda de troca por bens, terras e escravos. E não só o rum servia a esse propósito. Os europeus usavam o brandy e o gim com essa mesma finalidade.

E, dessa forma, a exploração marítima teve a sociedade com as bebidas alcoólicas estabelecida, pois além do consumo que os marinheiros faziam, também servia como uma moeda de troca.

vAs viagens nas caravelas demoravam meses, e manter uma reserva de água em boas condições era um problema. Porém, notaram que se colocassem a bebida dentro da água, esta se conservava por mais tempo, justamente porque o álcool mata alguns tipos de micróbios e além do que a água ficava mais fresca. A partir daí, haja rum…

Paulo Renato Monteiro da Silva

O médico Paulo Renato Monteiro da Silva, especialista em alergologia e imunologia, fala sobre temas da saúde em alta e sobre como manter hábitos saudáveis