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O Caixeiro Viajante

A indústria paulista está em perigo

São Paulo possui a maior bancada no Congresso, e não vemos uma defesa contundente dos interesses das indústrias locais

Por Oswaldo Nogueira

11 de fevereiro de 2024, às 08h31

Caros leitores, gostaria de compartilhar com vocês algumas preocupações sobre a situação tributária das indústrias em São Paulo. Nosso Estado é um dos principais pilares econômicos do País, responsável por uma significativa parcela da arrecadação de impostos no Brasil. No entanto, enfrentamos uma concorrência desigual devido aos incentivos fiscais concedidos a outras regiões, como o Nordeste e a Zona Franca de Manaus. Enquanto praticamente todos os estados brasileiros oferecem reduções ou isenções nos impostos de ICMS, IPI e IR. São Paulo é o único estado que paga impostos.

Recentemente, testemunhamos o protesto de três grandes montadoras paulistas – Volkswagen, GM e Toyota – contra a atual proposta de reforma tributária. O presidente da Volkswagen, Ciro Possobom, expressou sua preocupação com os benefícios concedidos a empresas em outras regiões, em detrimento das indústrias paulistas.

Além de minha participação ativa nos movimentos empresariais do Brasil, sou grato por ocupar a posição de conselheiro do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Americana, o que me confere a oportunidade de analisar de maneira genuína a escassez de incentivos que afeta nosso Estado.

A propósito, a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) não está defendendo a indústria paulista, talvez em virtude do fato de que seu presidente, Josué Gomes da Silva, proprietário da Coteminas, mantém suas fábricas em estados que desfrutam desses benefícios fiscais, tais como Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, e dessa forma esse assunto não interessa a ele.

O presidente do Ciesp, o ilustre barbarense Rafael Cervone, é o único que denuncia incessantemente a competição predatória que nossas indústrias enfrentam. Ele levanta preocupações sobre a invasão de produtos asiáticos de baixa qualidade no Brasil, muitos dos quais são fabricados com mão de obra infantil.

É lamentável observar a falta de representação efetiva dos políticos paulistas nesse cenário. São Paulo possui a maior bancada no Congresso, e não vemos uma defesa contundente dos interesses das indústrias locais.

Além de enfrentar a competição externa, nossas indústrias também enfrentam a desigualdade tributária interna. É hora de nossos representantes políticos assumirem uma postura proativa na defesa dos interesses de nosso Estado e de suas indústrias, garantindo um ambiente justo e equitativo para o desenvolvimento econômico de São Paulo.

Oswaldo Nogueira

Empresário e ex-vereador de Americana, escreve sobre temas do cotidiano com o objetivo de ser uma fonte de provocação e reflexão para os leitores; coluna quinzenal