17 de junho de 2024 Atualizado 09:37

Notícias em Americana e região

8 de Agosto de 2019 Grupo Liberal Atualizado 13:56
MENU

Publicidade

Compartilhe

Notícias que inspiram

Projeto social ensina braile pela internet

Ação já ajudou 240 alunos, inclusive, uma ex-professora que mora em Sumaré

Por Jucimara Lima

12 de fevereiro de 2023, às 09h24 • Última atualização em 12 de fevereiro de 2023, às 09h25

Daniela usou sua experiência para ajudar outros deficientes visuais - Foto: Nayara Zattoni Fotografias 5 - Divulgação

Aos 23 anos, a empresária Daniela Reis Frontera foi diagnosticada com retinose pigmentar. Com a progressão da doença, atualmente ela conta com apenas 10% da visão. Diante do problema, ninguém melhor do que Daniela, hoje com 49 anos, para ter ciência das dificuldades enfrentadas pelos deficientes visuais.

“Quando as pessoas me procuram e dizem que estão perdendo a visão após adulta e estão passando por aquela fase de adaptação, eu sempre apoio muito porque eu também passei por isso. Sei o que é um recomeço. Dentro do projeto, antes de começar o curso faço uma anamnese com os alunos, porque sei que a maioria precisa de colo, de ombro, de uma palavra, enfim, um apoio”, afirma.

Por essa razão, o projeto também conta com um acompanhamento psicológico e uma roda de conversas. “Procuro ser um espelho para eles, demonstrando que eu me adaptei a uma realidade de vida e que hoje eu só não dirijo, todo o resto eu faço. A ideia é incentivá-los a não desistirem de seus sonhos por conta da deficiência visual”.

Para Daniela, o segredo disso está em fazer as adaptações necessárias, assim como seguir três pilares básicos. “É indispensável para o deficiente visual o aprendizado em braile, o uso da tecnologia assistiva e aprender a ter mobilidade”.

Assim sendo, há muito tempo ela fez uma promessa: iria ajudar outras pessoas a aprenderem o método de braile, para assim garantir a autonomia dos deficientes.

Enxergando o Futuro. Com o nome Enxergando o Futuro, o projeto foi colocado em prática em novembro de 2019, na pequena cidade de Duartina, sudoeste do Estado de São Paulo.

A primeira turma contava com apenas 10 alunos, contudo, assim como a própria idealizadora, o projeto não se limitou e após enfrentar até uma pandemia, chegou em 2023, tendo ensinado braile para mais de 240 alunos de 24 estados brasileiros, além do Distrito Federal, e de países como Portugal, África do Sul, Inglaterra, Suíça, Guiné-Bissau, Moçambique e Cabo Verde.

Multiplicadora da ideia de levar a alfabetização para o maior número de pessoas possíveis, Daniela considera que poder ler é também uma forma de inclusão. “O braile é a cartilha das pessoas com deficiência visual, principalmente, das crianças que nascem cegas, que, ao se alfabetizarem pelo método, conhecem o mundo por meio desses pontinhos. Com o braile, conquistamos a autonomia necessária para a nossa qualidade de vida”, afirma.

Do momento difícil à ressurreição. Como a ideia inicial era de promover aulas gratuitas e presenciais, a chegada da pandemia em março de 2020 acabou jogando um balde de água fria nos planos da empresária. Ainda assim, ela não se deu por vencida e após uma breve suspensão de aulas, o projeto retornou como uma plataforma digital.

A ideia foi uma solução que ela e o amigo e coordenador do projeto Ricardo Barreiros encontraram para dar continuidade ao ensino. Com a implantação da tecnologia, os interessados passaram a ter acesso tanto ao treinamento e orientações quanto ao material educativo. Com uma aceitação imediata dos alunos, em pouco tempo os resultados começaram a aparecer.

“Criamos uma plataforma totalmente acessível e gratuita para que os deficientes visuais iniciassem a alfabetização por meio do braile passo a passo. Foi um desafio e tanto. No início houve rejeição, algumas pessoas não acreditavam no ensino à distância, porém, em três meses passamos de dez para 100 alunos. O projeto cresceu, mas queremos mais. De acordo com o último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 6,5 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência visual. No Sudeste, 3,1% da população é afetada, ou seja, 2.508. São 587 pessoas com cegueira ou baixa visão. Portanto, tem muita gente para alcançarmos ainda”, explica Daniela.

Histórias Cruzadas. Assim como Daniela, a moradora de Sumaré, Lucimara Barbosa, de 43 anos, também perdeu boa parte da visão já adulta. No caso dela, em decorrência de um descolamento de retina em ambos olhos.

A ex-professora de anos iniciais conta que após seis cirurgias os médicos confirmaram que não havia mais nada a ser feito em seu caso. Ao todo, já são cinco anos e três meses como deficiente visual. Tentando se adaptar a essa nova realidade, foi durante a pandemia que Lucimara encontrou o projeto.

“No começo, confesso que pensei: duvido que vou aprender braile pela internet, mas, fui fazendo uma atividade, outra, e não é que aprendi mesmo?”, brinca.

Segundo a aluna, o aprendizado só foi possível graças a excelente orientação de Daniela e equipe e que o curso ajudou a melhorar sua qualidade de vida. “A Dani é muito legal e simpática, assim como o Ricardo e a professora Lu, que também são muito atenciosos. No projeto somos tratados como gente e não apenas mais um em meio à multidão”, ressalta.

Inscrições. O projeto Enxergando o Futuro tem inscrições abertas para sua 36ª turma. As aulas são gratuitas e realizadas por meio de uma plataforma on-line.

Para se inscrever, o interessado deve entrar em contato pelo WhatsApp (14) 99740-8217. Já para quem desejar saber mais informações também vale a pena visitar ao site enxergandoofuturo.com.br/

SUGIRA E COLABORE
Se você conhece uma boa história que todo mundo merece saber, conte para a gente. Ela pode virar uma reportagem no LIBERAL.

Publicidade