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Notícias que inspiram

A história da menina pobre que saiu da caixa e passou a ver um novo mundo

Novaodessense acreditou desde a infância que mudaria sua trajetória de vida por meio dos estudos

Por Jucimara Lima

13 de novembro de 2023, às 08h55

Quem lê o currículo de Flávia Cristina Ferreira, de 39 anos, de cara já entende se tratar de uma mulher de sucesso. Formada em administração de empresas e pós-graduada em gestão de pessoas, com passagem por grandes empresas, ela é consultora financeira e conselheira da tesouraria do CMEC (Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura de Nova Odessa), além de ser uma das escritoras do livr “Saia da Caixa”, que entre outros assuntos aborda estratégias de vendas, marketing e gestão de negócios. Somado a isto, a novaodessense atua como mentora e já ajudou mais de 100 mulheres a mudarem de vida.

Flávia já está em processo de pesquisa para o segundo livro – Foto: Marcelo Rocha_Liberal

Espinhos. Apesar da narrativa de sucesso, sua trajetória não foi fácil, afinal, só se interessou pela área de finanças para conseguir ajustar a própria vida. Filha do meio, entre três irmãos, Flávia teve uma infância humilde marcada por dificuldades financeiras e emocionais. Por falta de conhecimento, o pai, pedreiro, e a mãe, dona de casa, nunca foram seus maiores incentivadores.

“Lembro que eles sempre diziam ‘onde você acha que vai chegar com isso? Estudar não leva pobre a lugar nenhum’”, recorda ela que hoje, entende o posicionamento dos pais. “Tínhamos uma vida bem complicada e até por isso, sempre tive pra mim que eu iria mudar minha realidade através dos estudos”.

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Menina de garra. Com essa ideia na cabeça, aos 10 anos Flávia foi trabalhar cuidando de outras crianças e fazendo limpeza.

“Investia tudo que ganhava em cursos de informática, inglês, enfim, sempre que possível dava um jeito de fazer alguma coisa que pudesse ajudar na minha formação”.

Quando completou 15 anos ingressou na Guarda Mirim e acabou conhecendo mais de perto a área de logística. Pouco depois, cursou secretariado no Polivalente e na sequência iniciou a faculdade, época na qual se mudou para a casa do namorado. “Como a gente tinha muita dificuldade na casa dos meus pais, estudar era difícil, aí meu marido Robson me convidou para morar com ele. E lá se vão 23 anos juntos”, disse.

Marcos de vida. Em 2007, um ano antes de se formar, o pai de Flávia faleceu aos 48 anos, vítima de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). “Ele deixou muitas dívidas no nome da minha mãe e precisei buscar outro emprego para poder ajudar a pagar. Foi quando fui trabalhar em uma transportadora, onde atuei por 13 anos. Nesse período, comprei meu carro, minha casa. Eu financiava a longo prazo, mas com organização financeira, conseguia quitar bem antes. Acho que por tudo que vivi, aprendi a ser econômica”, reflete.

Primeira pessoa a conseguir formação superior na família, Flávia se orgulha de tudo que conquistou. “Me formar foi um prêmio”.

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Saindo da Caixa. Em 2018, a insatisfação profissional começou a atormentar os pensamentos dela, que já não se sentia mais feliz no emprego e por não ter tempo para cuidar dos dois filhos, sentia que não era uma boa mãe. “Saía 6 horas da manhã e voltava depois das 19h, sempre tão cansada e sem forças para dar atenção para eles. Além disso, acabei descobrindo que meu filho mais novo é uma pessoa autista, então, veio um turbilhão de emoções e muita culpa”, revela.

O start veio quando uma treinadora da empresa falou sobre inteligência emocional. “Comecei a pesquisar sobre o assunto e mergulhei nesse universo. A mentora e psicanalista master coach Silvana Marinho me auxiliou nesse processo. Conheci um mundo que não fazia ideia que existia. A verdade é que eu buscava mudanças e vi na inteligência emocional uma possibilidade de conseguir”.

Pragmática, Flávia se programou para sair do trabalho em dois anos, após conseguir juntar R$ 100 mil, valor que considerava bom para recomeçar. “Eu não tinha uma reserva financeira, então, coloquei a meta e comecei a economizar. Além disso, passei a vender de tudo que possa imaginar. Mesmo muito tímida, eu encontrei motivação para trabalhar com vendas. Aí, me toquei que não bastava juntar o dinheiro, que precisaria aprender a aplicar. Por essa razão, fui aprender sobre investimentos para saber como fazer aquele dinheiro se multiplicar mais rápido”.

Em agosto de 2020, em plena pandemia, ela chegou ao montante e saiu da empresa. “Estava sendo treinada para subir de cargo e iria viajar o Brasil todo, mas no dia 1º de outubro de 2020, me desliguei e saí extremamente satisfeita. Durante a pandemia, consegui estar perto dos meus filhos, ajudar nas aulas on-line, enfim, ser uma mãe mais presente.”

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Ajudando pessoas. Em 2021, quando a vida foi retomando a normalidade, Flávia se viu um pouco desnorteada, mas logo encontrou o rumo novamente, quando uma amiga sugeriu que ela usasse seu conhecimento em finanças para ajudar pessoas endividadas a reorganizarem suas vidas. “Quando ela falou isso, virou uma chave na minha cabeça”.

Assim, começou a estudar consultoria financeira e passou a atender on-line. Nesse período, foi convidada pelo seu mentor digital e de vendas, Ezio Oliveira, a montar uma imersão em Campinas. “Criamos o nome Saia da Caixa”, disse.

Em 2022, após muitas imersões, eles lançaram o livro, que hoje, segundo Flávia, é um dos mais concorridos na Biblioteca Municipal. “Me sinto muito orgulhosa. Eu doei o livro e soube que ele tem grande saída. Fico feliz porque peguei aquilo que eu sabia fazer, que era ter uma vida financeira saudável e hoje impacto a vida de muitas pessoas, especialmente mulheres, embora saiba que estamos mudando gerações, afinal, nossos filhos se espelham em nós.”

Sobre o que é o sair da caixa, Flávia explica que é ver a realidade de uma outra forma e usa um exemplo familiar para facilitar o entendimento. “A minha irmã é podóloga e, antes, ela ficava o dia todo fazendo os pés dos clientes e não via possibilidade de crescimento. Quando ela passou pelo processo de imersão e saiu da caixa, ela pegou o conhecimento dela, montou uma clínica e escola de podologia e hoje forma podólogos que trabalham para ela”, argumenta.

Assim, após sair da caixa algumas vezes, ela continua buscando novas maneiras de enxergar o mundo. “Tenho sede de estudar, acordo todo dia às 4h e no momento já estou escrevendo o meu segundo livro, que deverá se chamar ‘Sem Medo Mulher, você pode prosperar’”. Questionada sobre a possibilidade de precisar sair novamente da caixa, ela justifica. “Parte do nome do segundo livro já responde o sentimento: sem medo!”

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