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144 anos

Perguntas e respostas sobre a história de Americana

Como e quando a cidade nasceu? Como as pessoas se divertiam antigamente? Confira essas e outras questões

Por Valéria Barreira

27 de agosto de 2019, às 10h05 • Última atualização em 28 de agosto de 2019, às 13h29

Neste 27 de agosto Americana completa 144 anos de sua fundação! Mas você conhece detalhes da história do município?! Confira algumas perguntas e respostas, publicadas no suplemento especial preparado pelo LIBERAL (acesse aqui):

Como a cidade nasceu?

Como grande parte das cidades do interior, ela também se desenvolveu ao redor da estação de trem. A partir da inauguração da estação, em 1875, um vilarejo foi nascendo à sua volta e devido à grande movimentação de imigrantes americanos no local, passou a ser conhecido como vila dos americanos. Em 1900, o capitão Ignácio Corrêa Pacheco, dono de parte da Fazenda Machadinho, colocou uma placa na estação intitulando o local como Villa Americana. Dois anos depois, a Cia Paulista adotou a denominação.

Foto: Reprodução
Estação de trem

Americana já pertenceu a Santa Bárbara?

O território de Americana pertencia às terras de Santa Bárbara e até a estação de trem, inaugurada em 27 de agosto de 1875, recebeu o nome de Estação Ferroviária de Santa Bárbara. Americana só conseguiu sua autonomia em 30 de julho de 1904, quando foi desmembrada do território barbarense e transferida para a jurisdição de Campinas. Nascia, nessa data, o Distrito de Paz de Villa Americana.

Foto: Reprodução
Americana

Quando Americana deixou de ser um distrito de Campinas?

Em 12 de novembro de 1924, quando oficialmente tornou-se um município de fato e de direito. O movimento político que tornou possível sua emancipação foi liderado por Charles Hall, José Duarte do Páteo e José Ferreira Aranha, com a colaboração do vereador de Campinas Antonio Álvares Lobo.

Americana já foi uma fazenda?

No passado, o território ocupado hoje pela cidade era uma grande sesmaria. As terras foram doadas pela corte portuguesa a Domingos da Costa Machado, que as dividiu em três fazendas: Salto Grande, a maior das três, na região onde os rios Jaguari e Atibaia se unem formando o Piracicaba; Palmeiras, que ia da atual saída de Nova Odessa até a região da Praia Azul, e Machadinho, que margeava o Ribeirão Quilombo e foi a escolhida para receber o traçado da estrada de ferro.

Foto: Reprodução
Fazenda Salto Grande

Qual a relação da família Muller com o município?

Os Muller impulsionaram a economia da então Villa Americana. Eles chegaram à cidade em 1902, um ano após o comendador Franz Muller arrematar num leilão a Fábrica de Tecidos Carioba. Com novos métodos de trabalho e tecnologia, eles deram um novo começo à tecelagem e a vila operária que se formava em torno dela foi expandida para abrigar seus colaboradores, a maioria imigrantes italianos.

O que existia na cidade de séculos passados?

Antes da cultura do algodão chegar por aqui e selar a vocação têxtil da cidade, o que predominava na paisagem eram as grandes lavouras de cana-de-açúcar e café. Com a chegada dos primeiros imigrantes americanos, começou também o cultivo da melancia. A fruta era transportada em carroças até a estação de trem, que escoava toda a produção através dos vagões.

Como as tecelagens se espalharam pela cidade?

Da Fábrica de Tecidos Carioba saíram os primeiros tecelões que, juntando suas economias, compraram de seus próprios empregadores, a longo prazo, os primeiros teares. Instalaram as máquinas em suas próprias casas para, com toda a família, trabalharem prestando serviços à empresa dos Muller Carioba, que lhes forneciam os fios e os rolos que eles transformavam em tecidos.

Como teve início a tradição têxtil?

Na penúltima década do século 19, a Fazenda do Salto Grande foi comprada por Clement Willmot, que em parte de suas terras criou a primeira indústria da Villa Americana, trazendo os primeiros teares importados para a produção de tecidos de algodão. A indústria, que tinha a razão social de Clement H. Willmot & Cia, foi a célula-mãe da qual nasceria o parque industrial que caracterizou a cidade. Em maio de 1889, a firma passava a ser Jorge & Clement e Willmot e outros e ganhava o nome de Fábrica de Tecidos Carioba.

Foto: Reprodução
Vista aérea de Americana, em 1950

Como surgiu Carioba?

Carioba foi como ficou conhecida a vila operária que nasceu no entorno da Fábrica de Tecidos Carioba. A palavra, em tupi-guarani, significa “pano branco”. O local se transformou num populoso bairro, todo ele propriedade dos Muller, que pelos benefícios dos quais desfrutava tornou-se tão importante ou até mais que a própria vila. Ele abrigava cerca de 700 operários entre homens e mulheres. Eram 220 casas de trabalhadores, com ótimas ruas, bem iluminadas, água e esgoto (o que a vila ainda não tinha), capela, escolas, cinema, clube recreativo, além de farmácia, hotel e restaurante.

Por que a Rua Carioba tem o mesmo nome do bairro?

Porque foi construída para ligar o antigo bairro operário à Villa Americana, mais exatamente à estação ferroviária. Ela é considerada a via mais antiga da cidade. Seu traçado foi aberto em 1875, mas o caminho foi oficializado somente em 1907, por meio da resolução 251, que também reconheceu outras cinco vias: Avenida Dr. Antonio Lobo, 7 de Setembro, 12 de Novembro, 30 de Julho e Fernando Camargo.

Foto: Reprodução
Colégio vocacional

O Colégio Vocacional revolucionou a educação em Americana na década de 50?

Sim. Focada na construção do conhecimento por meio da experimentação e na formação do cidadão participativo, a proposta foi considerada uma afronta ao modelo político da época, engessado pelo rigor militar. Baseada em trabalhos em grupos, com meninos e meninas dividindo o mesmo espaço, viagens pedagógicas e temas interdisciplinares, a metodologia era coordenada pela professora Maria Nilde Mascellani, presa pelos militares na ocasião do fechamento do Vocacional na década de 60.

Foto: Reprodução
Praça Basílio Rangel ainda com porteira

No passado, como as pessoas se divertiam na cidade?

Nos anos 20, 30 e 40 as pessoas se divertiam em piqueniques no Rio Piracicaba e na pedreira da família Zanaga. Os cinemas tinham sempre filas na bilheteria e as “brincadeiras dançantes” na sala das casas animavam a juventude. Na década de 70, os jantares temáticos e os bailes atraíam as pessoas para os clubes da cidade. Há mais de 50 anos, também eram comum os encontros ao som dos alto-falantes no Centro da cidade. Na calçada da Avenida Dr. Antonio Lobo, esquina com a Praça Basílio Rangel, moças e rapazes conversavam, ouviam música e mandavam recados apaixonados através do Serviço de Alto-Falante.

As praias da cidade recebiam turistas?

Sim. No início dos anos 80, as praias Azul e dos Namorados, banhadas pela Represa do Salto Grande, atraíam turistas de todo o Estado para atividades aquáticas e náuticas, competições esportivas e shows musicais. Os frequentadores até nadavam no local, mas a poluição da água, os aguapés e a infraestrutura desgastada espantaram os visitantes.

Existia na cidade uma rua chamada Feijão Queimado?

A Rua do Feijão Queimado é, na verdade, a Rua 12 de Novembro, bem no Centro da cidade. O apelido foi dado por antigos moradores do local e entrou para a cultura popular do município. A explicação é bem simples. No passado, as mulheres colocavam a panela no fogo e iam à frente das casas conversar com as vizinhas. Quando se lembravam do cozido, já tinha queimado.

Por que a Rua Capitão Corrêa Pacheco é conhecida como a Rua do Pito Aceso?

Porque nos finais das tardes entre os anos 30 e 40 os moradores sentavam-se em frente das casas para conversar e fumar o tradicional pito de barro, muito comum naquela época.

Foto: Reprodução
Cine Brasil

Qual foi o primeiro cinema da cidade?

O primeiro foi o Cine do Povo, inaugurado em 1908, por Salvador Giordano, na Rua Carioba. Em 1915, entrou em funcionamento o Cine Carioba e em 1918 a cidade ganhou o Cine Teatro Central, que na década de 40 foi reinaugurado como Cine Glória e 20 anos depois tornou-se o Cine Comendador. Nas projeções sem som, a Orquestra Germano Benencase compunha a trilha sonora ao vivo.

Americana já teve o maior cinema da região?

Na década de 60, Americana ganhou o maior cinema da região com mil poltronas estofadas e 800 lugares de madeira. Ele recebeu o nome de Cine Brasil e funcionou até os anos 80, quando foi desativado e transformado no Teatro Municipal. O Cine Cacique, bem no Centro da cidade, também marcou uma época. Ele entrou em funcionamento em 1951. Fechou as portas em 2001, encerrando o ciclo dos cinemas de rua em Americana.

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