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Escândalo

Padre Leandro se diz perseguido por contrariar interesses

Padre disse à polícia que denúncias contra ele são fruto de perseguição por ter descoberto irregularidades e contrariado interesses de padres e fiéis

Por George Aravanis

10 mar 2020 às 07:59 • Última atualização 08 jun 2021 às 10:18

Afastado do comando da Basílica Santuário de Santo Antônio de Pádua, de Americana, desde janeiro de 2019 e acusado pelo MP (Ministério Público) de abusar sexualmente de quatro ex-coroinhas, o padre Pedro Leandro Ricardo disse à polícia, no dia 27 de fevereiro, que as denúncias são fruto de perseguição por ter descoberto irregularidades e contrariado interesses econômicos de padres e fiéis. Ele nega quaisquer crimes.

O depoimento de Leandro foi dado em São Paulo, em um dos inquéritos policiais que investigam o padre – o procedimento é conduzido pela Polícia Civil de Piracicaba.

Foto: Arquivo / O Liberal
Padre Leandro nega as acusações de abuso sexual contra ele

Leandro diz que, quando assumiu o comando da então paróquia de Santo Antônio (hoje Basílica), em 2013, encontrou irregularidades como compra de uma cancela de estacionamento supostamente superfaturada (valeria R$ 24 mil e a igreja pagou R$ 80 mil) e prestações de contas incoerentes do mesmo estacionamento. Disse ainda que, dos dois carros pertencentes à paróquia, um estava com um padre e não a serviço da igreja.

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Leandro substituiu padre Ângelo Francisco Rossi na paróquia. Segundo ele, ao ver que estava desvendando as supostas irregularidades, Ângelo e outro sacerdote ligado a ele, Reynaldo Ferreira Melo, começaram a denegrir sua imagem.

Antes de sair, segundo Leandro, padre Ângelo disse a uma coordenadora de coroinhas que ele tinha se envolvido em casos de pedofilia em Araras, onde começou sua carreira religiosa – as acusações de abuso sexual contra Leandro, apresentadas pelo MP à Justiça, são todas referentes ao período em que o padre trabalhou em Araras e resultam de um outro inquérito.

Leandro ainda disse à polícia ter reportado as supostas irregularidades encontradas aos seus superiores. A assessoria da Diocese de Limeira, a quem a Basílica é subordinada, afirmou que “conversas, oitivas e/ou apresentações de documentos são mantidos sob sigilo”.

Leandro se disse alvo de uma “campanha difamatória”. Segundo ele, uma das pessoas que o atacavam era o produtor audiovisual José Eduardo Angelini Milani. Ele é autor do dossiê que deu origem às investigações contra Leandro. O padre diz que Milani tinha exclusividade para fazer fotos de eventos na igreja e que, ao descobrir, acabou com isso.

À reportagem o produtor disse que foi o próprio padre que lhe pediu que apenas uma equipe fizesse as fotografias da igreja por causa do tamanho reduzido do átrio interno da igreja. Porém, Milani diz que quando Leandro descobriu que ele integrava o Condepham, órgão que estava questionando a reforma da Basílica, mandou demitir sua equipe.

Sobre o carro, padre Reynaldo disse que nunca ficou com o veículo, apenas intermediou a negociação com um fiel a pedido de padre Angelo, pois o automóvel estava com problemas. Ele diz que Leandro questionou a negociação e perseguiu padre Ângelo, que pediu para que o negócio fosse desfeito.

Padre Ângelo não foi encontrado pela reportagem.

Araras

Leandro ainda disse ter sido ameaçado em Araras, em 2002. Ele afirmou que quando assumiu a paróquia São Francisco de Assis, naquela cidade, encontrou dois jovens morando na casa paroquial e questionou isso. Segundo ele, os dois disseram que “ele ia ver o que ia acontecer com ele”.

Os jovens relataram no ano passado à polícia de Araras que foram vítimas de abuso sexual por parte de Leandro na própria casa paroquial.

Um deles é listado entre as quatro vítimas de Leandro na denúncia apresentada em dezembro pelo MP contra o padre.

Um dos advogados das vítimas, Gustavo Paiva, negou as afirmações de Leandro. “As provas no inquérito revelam totalmente o contrário, pois as vítimas permaneciam aos finais de semana na casa paroquial a pedido do réu, onde eram cometidos os abusos nas vítimas”.

Além da Capa, o podcast do LIBERAL

O episódio de número 13 do podcast Além da Capa aborda a denúncia feita pelo Ministério Público de Araras contra o padre Leandro por quatro crimes de atentado violento ao pudor. Relembre:

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