Morador do Parque Universitário transforma terreno em praça

Noboru Fugiwara nutre o antigo prazer de estar em contato com a terra por meio da transformação de terreno público em praça


Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Morador do Pq. Universitário, Noburo Fugiwara (à esq.) vem transformando terreno público do bairro em praça

Um morador do Parque Universitário vem há três anos transformando uma área pública do bairro em um espaço de convivência para adultos e crianças. Num terreno com mais de 11 mil m², ele fez terraplanagem, construiu campos de futebol e de areia, instalou bancos e brinquedos.

A iniciativa seria mais uma entre várias que estão mudando a paisagem de bairros de Americana, se não fosse por um detalhe. Neste caso, o morador trabalha sozinho e tira do próprio bolso os recursos necessários para construção da praça.

Noboru Fugiwara, 62 anos, diz já ter gasto R$ 19,3 mil (ele anota todos os gastos) para revitalizar o espaço. A iniciativa, batizada de “Projeto Social Fugis”, nasceu da sua vontade de fazer algo em benefício da comunidade. “Desde a adolescência tenho esse desejo”, conta.

O sonho começou a sair do papel em 2016, quando ele pediu permissão à prefeitura para cuidar do local, que até então estava abandonado e era usado para descarte irregular de lixo.

Apesar das conquistas obtidas desde que começou a transformar o espaço de fato numa praça, ele não tem apoio popular na empreitada. Exceto por um amigo que mora em Santa Bárbara e que o ajuda eventualmente, o resto do trabalho é feito sozinho.

Além dos cuidados para deixar o espaço sempre limpo, ele se empenha em promover as benfeitorias. Foi o caso, por exemplo, dos bancos da praça. Recentemente, Noboru conseguiu 16 bancos de cimento junto a comerciantes do bairro em troca de terem o nome do estabelecimento estampado na peça.

HISTÓRIA. Quando jovem, Noboru sonhava se formar em agronomia. Por falta de condições financeiras, não conseguiu. Mas manteve o prazer de lidar com a terra. Além de estar implantando a praça, ele cultiva uma horta numa área atrás da sua casa. A arborização do espaço acontece através de plantios promovidos por ele com apoio da escola municipal Paulo Freire.

No primeiro, em 2015, fez o plantio de 48 mudas na área externa. Na sexta-feira, em homenagem ao Dia da Árvore, comemorado sábado, ele promoverá novo plantio, mas desta vez dentro da praça e com 60 mudas de árvores frutíferas, mais da metade comprada com dinheiro próprio.

Para bancar os custos, Noboru recorreu, inclusive, a uma poupança que mantinha há dez anos. Durante esse tempo, conseguiu juntar R$ 9,8 mil. Todo o dinheiro foi usado na praça. No ano passado, ele também organizou um almoço para conseguir fundos. Em 2019, tinha planos de fazer outro evento, mas desistiu por falta de ajuda. Com dinheiro escasso, nem tudo acontece no tempo que gostaria.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Noboru Fugiwara, 62 anos, na área registrada na prefeitura como Praça Felippe M. Mellmeister

PLANOS. Ele ainda não conseguiu, por exemplo, colocar grama no campo de futebol. Também não concluiu a iluminação do espaço. Três postes já foram instalados, mas faltam a fiação e as luminárias. Ele também reservou uma faixa de terra na área, onde um dia pretende colocar aparelhos de ginástica. Apesar do esforço e da boa vontade, o morador às vezes é incompreendido. “Dizem que faço para aparecer, mas não ligo. Quem fala isso, nunca pensou no próximo”, conta.

Ele também ouve palavras que poderiam desmotivá-lo, mas fazem o efeito contrário. “Falam que eu não vou conseguir terminar a praça e que vou desistir do projeto. Mas é aí que eu trabalho mais ainda. Se eu desistir, o derrotado serei eu”.

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