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Filha de ex-presidiário, neuropsicóloga ressignifica a vida para dar melhores condições às filhas

A história de vida de uma filha de ex-presidiário, que quebrou paradigmas para oferecer melhores condições emocionais para as duas filhas e hoje é uma referência entre educadores

Por Jucimara Lima

13 de maio de 2024, às 09h06 • Última atualização em 13 de maio de 2024, às 09h16

Géssica ressignificou a vida em nome das filhas e hoje se sente realizada com suas escolhas - Foto: Arquivo Pessoal

A história da neuropsicóloga americanense Géssica Fernandes, de 32 anos, impressiona pela persistência. Protagonista de uma infância simples, vivida no bairro Antônio Zanaga, sob os cuidados da avó materna, ela relata que enquanto a mãe trabalhava muito para suprir as necessidades familiares, o pai esteve preso durante toda sua infância. “Meu programa de final de semana era ir visitar meu pai na cadeia.”

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Apesar de ter que lidar com o estigma de ser filha de presidiário e sofrer preconceito por parte de colegas e até mesmo de professores, ela afirma que nunca teve vergonha de suas origens e só tinha medo de que o sobrenome aparecesse no jornal. “Fiquei muitos anos sem usar o ‘Paião’”, brinca.

Com o tempo, por orientação de especialistas, Géssica acabou deixando de visitá-lo, contudo, manteve contato por meio de cartas. “Fazíamos um relatório semanal de tudo que acontecia em nossas vidas. Me lembro que no cabeçalho ele sempre colocava a frase sem data para parecer eterna. De fato, tudo que a gente passa na vida é eterno, porque fica, mas hoje sei que é possível ressignificar.”

Jornada. Determinada a superar as adversidades, Géssica começou a trabalhar muito cedo, tendo passado por experiências como chapeira em lancheiro, ajudante geral em uma empresa de produtos de limpeza e até a “menina do provador” na antiga Fatex, empresa em que acabou fazendo carreira. O casamento aos 22 anos e o nascimento de suas duas filhas foram momentos cruciais em sua vida, levando-a a buscar uma mudança significativa.

“Sempre tive uma cabeça muito madura e hoje sei que era assim por conta dos traumas. Por outro lado, a vontade de crescer e quebrar os padrões familiares também sempre foram sentimentos muito fortes em mim”, avalia.

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Novos Horizontes. Após o nascimento das meninas, Géssica decidiu estudar neuropsicologia e se diverte ao lembrar como pagava o curso. “Durante alguns anos vendi pastel para pagar minha faculdade. Trabalhava de dia e estudava online à noite”, lembra.

Para ela, fazer o EAD (Ensino à Distância) foi a única solução. “Tem muita gente que fala que não funciona, mas para mim deu muito certo e também foi a única saída para transformar minha realidade, aprender a lidar com minhas filhas, além de conquistar uma nova profissão.”

Envolvimento. Atualmente, Géssica é neuropsicóloga especialista em comportamento infantil, doutoranda em neuropsicologia pela Universidade da Flórida, curadora do TedxCarioba, CEO da Escola de Neuroeducação “Além da Lousa”, palestrante e escritora. “Foi uma jornada e tanto, mas sempre soube que iria conseguir”, pontua.

Embora o longo currículo na área educacional tenha sido construído em poucos anos, sua jornada intensa a fez passar por muitos desafios profissionais, o que, por outro lado, a tornou uma referência entre os educadores. “Quando surgiu o projeto ‘Além da Lousa’, uma iniciativa que visa fornecer estratégias para promover um ambiente saudável nas áreas de ensino e aprendizagem com foco em resultados, eu encontrei minha missão.”

Conforme a profissional relata, só em 2023 ela visitou 47 municípios buscando implementações, contudo, a dificuldade para ser ouvida foi um desafio tão grande que ela quase desistiu. “Na busca por tentar ajudar a transformar a educação, me perdi de outras coisas, então, foi um momento muito doloroso para mim, porém, acredito em Deus e sabia que na hora certa, as coisas iriam acontecer.”

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Aconteceu. A luz no fim do túnel começou com a restruturação de sua empresa, que segundo ela, hoje é reconhecida pelo MEC (Ministério da Educação). Além disso, o convite para escrever a segunda edição do livro “Além da Lousa”, lançada neste sábado, em São Paulo, na sede da Editora Chave Mestra, também veio em boa hora. “O segundo volume nasceu visando apresentar fundamentos para uma educação transformadora.”

Atualmente, além desse projeto, a americanense se dedica a cuidar da saúde mental de atletas de elite do CIG (Centro de Iniciação em Ginástica), fez reposicionamento de marca e conta com uma equipe para assessorá-la. Criadora do podcast “Educar sem Neura”, ela encontrou uma maneira de se comunicar ainda mais com seu público e no dia 8 de junho, a partir das 17h, faz o lançamento da segunda edição do livro em Americana, no Quiero Café. Para quem quiser continuar acompanhando a trajetória de Géssica, o Instagram é @gessica.fernandes_.

O volume 2 do “Além da Lousa” terá lançamento especial em Americana, no dia 8 de junho, no Quiero Café – Foto: Divulgação

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