Escola para autistas completa 20 anos de fundação em Americana

Escola Tempo de Viver foi criada em 2000 pela Prefeitura de Americana após demanda de associação formada por pais de autistas


A Tempo de Viver, escola de educação exclusiva para autistas de Americana, completa 20 anos de fundação neste mês. Única unidade municipal da região que atende especificamente pessoas que possuem TEA (Transtorno do Espectro Autista), a escola é solução para os casos de autismo grave.

Hoje, são atendidas 23 pessoas – 17 adultos no período da manhã e seis crianças à tarde. Os pequenos voltaram a ser atendidos há dois anos.

Boa parte dos adultos que frequentam o serviço estão ali desde o início da escola. Esse é o caso de Nastassja, filha de Nilza Lowchinovscy, uma das fundadoras da unidade.

Foto: João Carlos Nascimento / O Liberal
Maria Aparecida da Silva e Salete Espaulucci, mães cujos filhos frequentaram a escola Tempo de Viver

A bancária lembra que quando a filha recebeu o diagnóstico de autismo, em 1990, ainda havia poucas informações sobre o transtorno. Ela chegou a vender um carro para custear o tratamento da filha em uma escola em Campinas, mas concluiu que precisava cobrar do poder público o suporte necessário.

Nilza começou a procurar pais de outros autistas da cidade e, quando contava com cinco famílias, fundou uma associação para dar força à causa. Ela lembra que o ex-vereador Davi Ramos ajudou na mobilização, assim como o Ministério Público e o Conselho Tutelar. O prefeito na época era Waldemar Tebaldi.

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“Nenhuma pessoa, mesmo de boa condição financeira, conseguiria. O que me fez ir à luta e levantar a bandeira foi a Nastassja, e depois conhecendo as outras famílias mais ainda. Tenho muito orgulho disso”, recorda Nilza.

O filho da costureira Maria Aparecida da Silva, de 53 anos, não conseguia adaptar-se às escolas da rede convencional. Ele começou a frequentar a Tempo de Viver quando tinha 13 anos, em 2002.

“É um caso muito grave, mas graças a todo cuidado da Tempo de Viver hoje ele é perfeitamente sociável, vai comigo para churrascaria, comer lanche, ele está muito bem mesmo”, destaca Maria.

A dona de casa Salete Espaulucci, de 53 anos, incluiu a filha Beatriz na Tempo de Viver aos 4 anos – hoje ela tem 20. Na época, ela ainda não andava direito e tinha dificuldades com contato visual, tato e visão.

“Tem que ser persistente, mas eu não acreditava por conta de tudo que vivi com ela. Os profissionais me apoiaram, as mães falavam que essa fase ia passar. Eu penso: se não fosse a escola, o que seria de mim?”, diz a dona de casa.

A unidade reúne 12 professores, dois auxiliares de enfermagem, um profissional de apoio, três estagiários de educação física, um professor de educação física e um profissional de terapia ocupacional de manhã.

Supervisora de Educação Especial de Americana, Salete Cristina Pelisson da Cruz observa que os profissionais que trabalham com alunos autistas acabam desenvolvendo sensibilidade para compreender as nuances das necessidades.

“Quando os pequenos chegam lá, estão muito agressivos. E depois de um tempo conseguem um olho no olho, aceitar toque. Aparentemente algo tão simples, mas não é”, cita a supervisora.

Os pais estão se mobilizando para que haja um serviço clínico para os adultos que tenham TEA. O objetivo é contar com atendimento médico e terapêutico.

A posição da Secretaria de Educação, segundo Salete, é de acolhimento desses adultos e não deixá-los desamparados.

“Vislumbro que os pais consigam algo muito bom para que esses adultos pudessem ser acolhidos um pouco mais. Oferecemos o melhor, mas estamos limitados”, reconhece.

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