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Setor Têxtil

Em 10 anos, Americana tem a segunda pior queda na indústria têxtil em SP

Mesmo com desempenho, cidade ainda é a segunda do Estado com mais empregos no setor, aponta estudo

Por Marina Zanaki

24 jan 2021 às 08:25

Americana teve a segunda maior redução no número de trabalhadores empregados na industrial têxtil no Estado de São Paulo no período entre 2006 e 2017.

Segundo estudo realizado pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), a cidade perdeu 4.794 empregos na indústria têxtil em 10 anos, principalmente no segmento de preparação e fiação de fibras têxteis. A redução só não foi maior do que na capital paulista, onde foram fechados 8.961 postos nesse mesmo período.

Mesmo com essa redução de 40% na massa trabalhadora do setor, Americana segue como a segunda cidade do Estado de São Paulo com mais empregos no setor.

Tradicional têxtil de Americana, a japonesa Toyobo encerrou atividades na cidade há cinco anos – Foto: Arquivo / O Liberal

No Brasil, Americana está em quarto lugar, atrás apenas da cidade de São Paulo (11 mil empregos) e dos municípios catarinenses de Blumenau (11 mil empregos) e Brusque (10 mil).

Analista da Fundação Seade, Luis Fernando Novais avaliou que a situação em Americana está relacionada a uma perda de competitividade. Ele apontou que a entrada de produtos importados restringiu o mercado e dificultou novos investimentos.

Luis destacou, contudo, que algumas cidades da região conseguiram manter e até mesmo ampliar o estoque de trabalhadores no setor têxtil. Esse foi o caso de Nova Odessa, que contratou cerca de mil trabalhadores no período analisado. O município tem 6.256 funcionários na indústria têxtil e se tornou a terceira cidade do Estado com mais empregos na área.

Outras cidades que tiveram contratação no período em que Americana demitia foram Paulínia (680 empregos) e Piracicaba (432). Santa Bárbara d’Oeste, que também figura entre as cidades com mais empregos no setor no Estado, manteve nesse período o estoque em torno de 5 mil.

TECNOLOGIA
Para o analista, o que explica desempenhos diferentes em localidades tão próximas está no investimento em tecnologia.

Mais do que produzir em grande escala para formação de estoques em lojas, o diferencial está no uso da tecnologia para a entrega de roupas que atendam exatamente as necessidades daquele consumidor.

Outro destaque dado pelo analista da fundação foram os tecidos inteligentes com funcionalidades além do vestir.

“A fronteira de expansão da indústria têxtil vai na direção dos locais que permitam que essas novas tecnologias se desenvolvam. As novas plantas produtivas serão sistema de processamento de imagens de alta definição, com robotização têxtil e de confecção, com novas plataformas sociais de relação entre o consumidor e a própria marca”, afirmou o pesquisador.

O acesso às tecnologias para esse salto, contudo, não ocorre de maneira homogênea. Luis lembrou que ele depende da capacidade da empresa em investir, mas também de parcerias com órgãos de pesquisa e universidades.

“Naquelas regiões que as empresas conseguiram se adaptar, permaneceram. As que não conseguiram fecharam ou se deslocaram para outro Estado. O movimento de desenvolvimento econômico das regiões guarda relações com as inovações no mundo e no setor têxtil e de confecção”.

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