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Amigas de infância sustentam laços que as mantêm unidas há mais de cinco décadas

Ex-moradoras do Jardim Girassol, em Americana, acabam de promover o 10º encontro do grupo

Por Jucimara Lima

30 de outubro de 2023, às 07h59

Na década de 50, o Jardim Girassol, em Americana, mantinha a tranquilidade típica de uma cidade do interior. Por suas ruas pacatas, brincavam algumas meninas que não sabiam, mas teriam a companhia umas das outras por toda a vida.

Entre elas, as irmãs Dilza Seleguini Corral e Luci Seleghini Pilon eram as que mais agregavam à turma. Nascidas e criadas em uma casa na Rua Vital Brasil, a diferença de idade de apenas três anos contribuiu para que todas as experiências de infância, adolescência e juventude fossem compartilhadas. Da casa, recém-vendida, elas guardam as melhores recordações da vida.

No décimo encontro das Amigas do Bairro Girassol, elas brindaram à vida – Foto: Marcelo Rocha / Liberal

“A gente não tinha carro, então fazíamos tudo a pé. Íamos ao cinema no Cine Cacique, na Praça Comendador Müller, nas festas do Dom Bosco e Bom Jesus, era tudo muito bom! Como não tínhamos celular, nossa maneira de se comunicar era pessoalmente. Assim, nos abraçávamos, inclusive, acho que isso falta um pouco no mundo de hoje”, pontua Dilza.

Essas lembranças também fazem parte das memórias de Luci. “Brincadeiras de rua, queimada, muitas amizades. Me lembro que nossa avó morava na frente do parquinho e a gente não saia de lá, então, conhecíamos todo mundo”, recorda.

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Por essa razão, um dos pontos de encontro de várias amigas que foram surgindo ao longo da jornada, sempre acabava sendo a casa delas. “Como fomos uma das primeiras da rua a ter televisão, nos reuníamos para assistir ao programa da Jovem Guarda, a novela Direito de Nascer, enfim. Ficávamos sentadas no chão da sala”, diverte-se Dilza.

Atualmente, na casa dos 70 ou 80 anos, tanto as irmãs quanto as amigas recordam com saudosismo e gratidão aqueles tempos. “Conservar as amizades foi algo que aprendi com meus pais. Eles me ensinaram que amigos de verdade são para sempre, então, sempre soube que nós estaríamos juntas enquanto vivermos”, declara Leonilda Masson, 78 anos, uma das integrantes mais antigas do grupo.

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Amigas do bairro Girassol

Seguindo essa premissa, o Grupo Amigas do Bairro Girassol foi criado justamente para fortalecer esses laços. Idealizado por Dilza, hoje com 72 anos, ele tinha em sua essência o objetivo de reaproximar as amigas, um encontro que deu tão certo que, além de o grupo não parar mais de crescer, até 2019 foi realizado anualmente.

Em 2020, devido à pandemia, o evento precisou ser interrompido, sendo retomado apenas esse ano, pelo fato de a organizadora ter passado por um câncer de intestino e estar em tratamento.

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“Essa retomada, para mim, é muito simbólica, não apenas por marcar nosso décimo encontro, mas também porque me sinto curada. Infelizmente, quatro pessoas da nossa turma faleceram nos últimos três anos, então, a gente não pode perder tempo. Precisamos aproveitar enquanto podemos estar juntas”, reflete.

Novas integrantes

Agregadoras, no grupo sempre tem espaço para outras gerações, como o caso de Daniela Pilon, 50 anos, e Edilene Seleguini dos Reis, 56 anos, que, mesmo não tendo a mesma faixa etária da maioria, acabaram sendo incluídas. Filha de Luci, Daniela admira a iniciativa, especialmente pelo companheirismo e cumplicidade que todas demonstram.

“Elas são amigas mesmo. Conhecem as famílias umas das outras. Brinco que são minhas amigas de infância, porque elas me conheceram na barriga da minha mãe”, diverte-se.

A idealizadora do grupo, Dilza entre as irmãs Luci e Edi e a sobrinha Daniela – Foto: Marcelo Rocha / Liberal

Para Edilene, irmã caçula e temporã das irmãs Seleguini, o segredo da amizade ter ultrapassado a barreira do tempo é o amor. “Elas sabem o que realmente é importante na vida.”

Sábia, Dilza resume bem a razão pela qual, mais de 50 anos depois, elas ainda mantêm a relação afetiva. “Temos respeito e torcemos uma pela outra, acho que esses são os pilares de nossa amizade”, diz.

“Sinceramente, amizades como essas são as melhores coisas da vida. Quando fiquei doente, vi o quanto essas amigas se juntaram para fazer oração, então eu acho que amigo é na alegria e na tristeza e elas provaram isto, então, hoje estamos juntas para celebrar a alegria”, acrescenta.

Como Girassóis

Agradecidas pela disponibilidade de Dilza em fazer o evento acontecer, em nome das demais integrantes do grupo, Leonilda faz questão de ressaltar.

“O sol está sempre brilhando para as Amigas do Bairro Girassol. Ele nunca deixou de brilhar! Às vezes, ele vira para o lado que você está, mas se a amiga vai para outro lado, ele acompanha. Nós também somos assim e, enquanto Deus permitir nossa presença nesse mundo, estaremos juntas.”

Curiosamente, Dilza, que sempre foi apaixonada por girassol, não sabe de onde vem a admiração e sempre é questionada sobre se tem a ver com o bairro. “As pessoas me perguntam e eu não sei responder. Sempre amei girassol, adoro o amarelo dele, meu marido até brinca que ele me persegue”.

Assim, como diz a letra da canção Girassol, “que eu seja todo dia como um girassol, de costas pro escuro e de frente pra luz”, Dilza segue a jornada dando valor ao que realmente importa, ou seja, estar perto de quem se ama. “Enquanto eu estiver viva farei esse encontro”, finaliza. 

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