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Estados Unidos

Trump diz que não defenderá países da Otan com atrasos de pagamentos

Ex-presidente disse que encorajaria a Rússia a "fazer o que quiser" com aqueles que não pagam as contas

Por Agência Estado

11 de fevereiro de 2024, às 13h36 • Última atualização em 11 de fevereiro de 2024, às 16h11

O ex-presidente Donald Trump afirmou que não defenderá aliados da Otan com atrasos de pagamento e foi além: disse que encorajaria a Rússia a “fazer o que quiser” com aqueles que não pagam as contas – uma aparente referência à meta de investimentos por parte dos países-membros.

Trump, um crítico da aliança, relatou que teve a seguinte conversa com um membro não identificado da Otan. “Um dos presidentes de um grande país disse: Bem, senhor, se não pagarmos e formos atacados pela Rússia, você nos protegerá?”, contou Trump durante um comício na Carolina do Sul . “Eu disse: Você não pagou. Você é um delinquente. Ele disse: Sim, digamos que isso aconteceu. Não, eu não protegeria você. Na verdade, eu os encorajaria a fazer o que quiserem.”

Diante da ameaça russa, os países da Otan estabeleceram a meta de investir 2% do Produto Interno Bruto em defesa até 2024. O compromisso foi firmado há dez anos, quando Moscou anexou a Crimeia, e reforçado com a invasão em larga escala na Urânia. Até o ano passado, apenas 11 dos 31 integrantes haviam atingido esse compromisso. Outros chegaram perto, como é o caso da França que gastou 1,9% do seu PIB em defesa.

Trump já havia sugerido antes que poderia desconsiderar o artigo 5º da aliança, o que diz que o ataque contra um membro representa um ataque contra todos. Agora, foi mais longe ao dizer que poderia encorajar a Rússia a atacar um aliado.

Crítica da Casa Branca

“Encorajar invasões dos nossos aliados mais próximos por regimes assassinos é terrível e desequilibrado. Coloca em perigo a segurança nacional americana, a estabilidade global e a nossa economia”, reagiu o porta-voz da Casa Branca, Andrew Bates.

A ameaça vem no momento em que o Congresso discute o pacote adicional de US$ 60 bilhões para Ucrânia. A ajuda foi prometida pelo presidente Joe Biden, mas enfrenta resistência da ala mais radical do partido Republicano, influenciada por Trump.

O ex-presidente já disse que resolveria a guerra “em um dia” se voltasse à Casa Branca. A sugestão preocupa Kiev, que teme ser forçada a negociar com Moscou em posição de desvantagem, com cerca de 20% do território da Ucrânia sob controle russo.

No esforço de voltar à presidência, Donald Trump venceu todas as primárias do partido Republicano até aqui, mesmo acumulando uma série de problemas com a Justiça americana.

Agora, as atenções estão voltadas para a Carolina do Sul, Estado de Nikki Haley, a única republicana que ainda tenta rivalizar com o ex-presidente. Mais uma vez, as perspectivas são desfavoráveis para ex-governadora e ex-embaixadora da ONU: Trump aparece com uma média de 65% das intenções de voto enquanto Haley tem 31%, segundo o agregador de pesquisas FiveThirtyEight.

(Com agências internacionais)

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