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Mundo

Líderes impopulares disputam eleição decisiva para futuro do Reino Unido

Por Agência Estado

12 dez 2019 às 07:03 • Última atualização 12 dez 2019 às 11:59

Os britânicos elegem nesta quinta-feira, 12, o premiê que definirá os termos de saída do Reino Unido da União Europeia. A escolha está entre dois líderes impopulares que ocupam os extremos do espectro político: o atual primeiro-ministro conservador, Boris Johnson, e o trabalhista Jeremy Corbyn. O vencedor terá pela frente o desafio de conter a onda separatista na Escócia e evitar que a Irlanda do Norte se renda ao projeto de unificação irlandês.

Corbyn é um ex-sindicalista septuagenário que culpa a União Europeia pelas desigualdades sociais e promete combater medidas de austeridade com políticas distributivas radicais. Defensor da causa palestina, não consegue se livrar da aura antissemita criada dentro do Partido Trabalhista. De acordo com pesquisa do instituto YouGov, publicada na semana passada, apenas 22% dos britânicos aprovam sua atuação como líder da oposição – 69% desaprovam.

Já o atual premiê é um falastrão. Conhecido por contar mentiras de vários calibres, ele foi demitido do jornal The Times por ter inventado uma citação em um artigo sobre o rei Eduardo II. Durante a campanha pelo Brexit, em 2016, ele circulou pelo país com um ônibus que trazia pintada a afirmação de que o Reino Unido enviava à UE 350 milhões de libras (quase R$ 2 bilhões) por semana – mesmo após o governo britânico ter negado a cifra.

Mesmo assim, Johnson é favorito na eleição de hoje, ainda que não seja um político admirado. Segundo a mesma sondagem do YouGov, 38% dos britânicos aprovam o premiê, enquanto 51% desaprovam. Mas, diante do confronto direto, o conservador leva vantagem sobre Corbyn, que ganha a competição de impopularidade.

Segundo a média de pesquisas compiladas pela BBC, o Partido Conservador, de Johnson, terá cerca de 43% dos votos. Os trabalhistas, chefiados por Corbyn, ficariam com aproximadamente 33%. Os liberal-democratas aparecem em um distante terceiro lugar, com 13%.

Apesar da variação dos números, Johnson esteve à frente em todas as pesquisas, desde o início da campanha. Da mesma forma, as últimas sondagens mostram que a vantagem do premiê vem diminuindo. O maior problema, no entanto, é traduzir a vantagem de votos em número de deputados, já que a eleição britânica é indireta, decidida no Parlamento.

Na prática, são 650 pequenas eleições em cada um dos distritos eleitorais, de onde saem os deputados eleitos para a Câmara dos Comuns. Isso explica a estimativa de que Johnson obtenha entre 311 e 367 cadeiras, o que poderia dar ao Partido Conservador a maioria – mesmo conquistando menos da metade dos votos.

Desafios

Além de conduzir o país pela turbulência do Brexit, o próximo premiê enfrentará ainda o desafio de manter o Reino Unido intacto. O Brexit foi aprovado em plebiscito por 52% a 48%, em 2016. Na Escócia, porém, o resultado foi outro: 62% votaram para permanecer na UE e apenas 38% optaram por sair. Os escoceses, portanto, teriam de deixar o bloco contra sua vontade, o que aumentou as chances de um novo referendo sobre a independência.

Em 2014, os escoceses realizaram um plebiscito sobre o assunto. Os políticos ingleses e o governo de Londres mergulharam na campanha contra a independência, argumentando que, com a separação, a Escócia deixaria também a UE e não seria economicamente viável.

No fim, a maioria dos escoceses aceitou a alegação e preferiu manter a união britânica – 55% a 45%. Por isso, dois anos depois, quando os ingleses votaram em favor do Brexit, muitos na Escócia se sentiram enganados e passaram a defender um novo plebiscito.

Nicola Sturgeon, primeira-ministra e líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP), que deve eleger hoje mais de 50 deputados, vem insistindo que uma nova votação seja marcada em 2020 – uma catástrofe econômica, causada pelo Brexit, poderia mudar facilmente o resultado. “A independência é a única forma de evitar que Londres imponha uma política aos escoceses”, disse.

Outro problema é a Irlanda do Norte. Após 30 anos de violência entre católicos e protestantes, que deixou mais de 3 mil mortos, o território foi finalmente pacificado pelo Acordo de Sexta-Feira Santa, de 1998, pelo qual os britânicos concordaram em desmontar os postos de checagem na fronteira.

Sob as regras do mercado comum europeu, as economias das duas Irlandas se tornaram dependentes e integradas. Hoje, ninguém mais aceita a volta da fronteira física entre os dois territórios, o que significa, na prática, uma Irlanda unificada.

Para a nova geração, que não viveu o período turbulento entre 1968 e 1998, a divisão já não faz tanto sentido. Em setembro, uma pesquisa do instituto Deltapoll apontou que 52% dos norte-irlandeses – a maioria jovens – apoiam a unificação, enquanto 39% ainda querem ser parte do Reino Unido. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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