Em Michigan, democratas escolhem quem tem mais chances contra Trump


Seis Estados americanos realizam primárias nesta terça-feira, 10. De todos, o mais importante é Michigan, de perfil industrial, que foi chave para a vitória de Donald Trump, em 2016. Após uma temporada abarrotada de candidaturas, a escolha democrata ficou restrita ao senador Bernie Sanders e ao ex-vice-presidente Joe Biden. A vitória em Michigan reforça o status – reivindicado por ambos – de melhor nome para derrotar o presidente em novembro.

Na segunda, 9, Biden repetiu o script da semana passada e colecionou apoios formais de antigos adversários. Em Michigan, o senador Cory Booker, que havia abandonado a disputa democrata em janeiro, subiu ao palco ao lado do ex-vice-presidente americano. “São óbvios os motivos do apoio a Biden. Ele é o único capaz de unir um país maltratado”, disse.

No domingo, 8, a senadora Kamala Harris já havia anunciado seu apoio a Biden. “Ele serviu nosso país com dignidade e precisamos dele mais do que nunca”, anunciou. “Farei tudo em meu poder para ajudar sua eleição como próximo presidente dos EUA.”

Com os anúncios de Booker e Harris, Biden consegue o apoio de dois importantes políticos negros dos EUA, um setor do eleitorado considerado crucial para qualquer candidato democrata. A movimentação não passou desapercebida pela campanha de Sanders, que ficou durante a semana em Michigan tentado reverter a situação.

Na noite de sábado, 7, Sanders tentou cortejar os eleitores negros. Em discurso na cidade de Flint, Biden foi chamado de “centrista neoliberal” e o establishment do partido foi criticado por ter “falhado com a comunidade negra”.

Os últimos eventos de campanha em Michigan têm sido um reconhecimento de que a campanha de Sanders luta para melhorar sua avaliação entre os eleitores negros, quatro anos depois de perder para Hillary Clinton, em 2016, a candidatura democrata à presidência, em parte por sua incapacidade de obter apoio dessas comunidades.

Reta final

Na Superterça, na semana passada, Biden superou Sanders em 40 pontos porcentuais ou mais entre os eleitores negros no Texas, Carolina do Norte e Virgínia. Em vários Estados, o senador democrata ficou em terceiro lugar entre os negros, atrás não apenas de Biden, mas também de Michael Bloomberg.

Assessores dizem que Sanders ainda trabalha para melhorar sua posição com os eleitores negros, admitindo que vencer em Michigan – um Estado em que eles compõem uma parcela significativa do eleitorado do Partido Democrata – será muito difícil.

Liderança

Os números das pesquisas, no entanto, são ruins para o senador de maneira geral. Segundo as últimas sondagens, Sanders vem perdendo apoio também entre sua base histórica, de eleitores brancos da classe operária, outro naco importante do voto em Estados-chave, como Michigan, Ohio, Wisconsin e Pensilvânia. E a campanha de Biden vem conseguindo avançar sobre essa fatia do eleitorado, principalmente evocando a lembrança de Barack Obama, de quem Biden era vice.

Domingo, em Detroit, maior cidade do Estado, a governadora de Michigan, a democrata Gretchen Whitmer, disse que Biden era o único candidato que poderia melhorar a vida dos operários do setor automotivo, lembrando o pacote de estímulos dado em 2008 para evitar o colapso da indústria.

“Qualquer pessoa que esteja dentro ou se veja afetada por essa indústria, ou seja, todos no nosso Estado, devem pensar para onde estamos indo e quem nos ajudou no passado, especialmente durante a o resgate das montadoras”, disse Whitmer. “Eles foram Barack Obama e Joe Biden”, disse.

Em fevereiro, Sanders liderava as pesquisas em Michigan. O senador, que vinha de boas votações nas primeiras prévias, tinha cerca de 30% das intenções de voto. Biden estava empatado com Bloomberg na segunda posição, com 17%. Mas, em duas semanas, a eleição virou. Hoje, após o abandono dos adversários, Biden tem quase 55% das intenções de voto no Estado, bem à frente de Sanders, com 31%.

Além de Michigan, os democratas realizam prévias hoje também nos Estados de Idaho, Mississippi, Missouri, Dakota do Norte e Washington. Vence a candidatura do partido quem obtiver 1.990 delegados, maioria simples de um total de 3.979, na convenção nacional do partido em Milwaukee, entre os dias 13 e 16 de julho.

No placar de delegados, Biden mantém uma vantagem sobre Sanders. O ex-presidente americano tem 664 delegados, enquanto o senador obteve 573, de acordo com projeção da Associated Press. A diferença de 91 pode não parecer significativa, mas como as primárias estaduais democratas distribuem proporcionalmente seus delegados, está cada vez mais difícil evitar uma candidatura de Biden. (Agências Internacionais)

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