Belezas naturais e riqueza histórica em Minas Gerais

Santuário do Caraça é conhecido no Brasil e no mundo pelas belezas naturais e riqueza histórica


Situado a cerca de 120 km de Belo Horizonte, entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, o Santuário do Caraça é conhecido no Brasil e no mundo pelas belezas naturais e riqueza histórica. O que poucos sabem é que o complexo é vanguardista em geração de energia para consumo próprio, sendo responsável pela segunda usina hidrelétrica de Minas Gerais. E agora, o local acaba de inaugurar a sua usina fotovoltaica, que deve gerar cerca de 40% da energia necessária para o funcionamento do local.

Foto: Divulgação
Belezas naturais e riqueza histórica

Eleito como uma das sete maravilhas da Estrada Real, o Santuário do Caraça possui mais de 12 mil hectares, com trechos preciosos de Mata Atlântica, Campos Rupestres e Cerrado, com trilhas para os atrativos naturais, históricos e religiosos.

O local é repleto de cultura e antiguidades históricas no Centro Histórico do Santuário, que possui diversos espaços, como a igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, onde há celebração diária de missas e em que se vê o primeiro órgão de tubos fabricado no Brasil.

Além disso, possui um extraordinário quadro da Santa Ceia, pintado pelo Mestre Ataíde, e belíssimos vitrais franceses, o maior dos quais foi presente de Dom Pedro 2º. Dentro das ruínas do colégio, que foi tomado pelo fogo em 1968, ficam o museu, no térreo, a biblioteca, no segundo andar, e, no terceiro, o auditório para conferências. Outro ponto de visitação são as catacumbas, onde estão sepultados padres e Irmãos que atuaram no Santuário, desde 1774.

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A bandeja de carne é colocada no adro da igreja, onde têm ido comer, além do lobo-guará, outros animais como os cachorros-do-mato e anta

Visitas ilustres

A tradição de aguardar a visita do lobo todos os dias à noite começou no Caraça em maio de 1982, quando algumas lixeiras começaram a aparecer derrubadas e reviradas. Num primeiro momento pensou-se que isto poderia ser causado por cachorros. Começou-se a observar e se descobriu que o grande cachorro que revirava as lixeiras do Santuário era na verdade o Chrysocyon brachyurus, que quer dizer “animal dourado de cauda curta”. É chamado Guará porque em tupi-guarani, na língua dos indígenas, guará significa “vermelho”.

Desde então, começaram a colocar bandejas de carne nos dois portões da frente da casa e aos poucos os lobos se aproximaram da escada da igreja. Hoje, a bandeja é colocada no adro da igreja, onde têm ido comer, além do lobo-guará, outros animais como os cachorros-do-mato e anta.

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Igreja neogótica

A prática de alimentar esses animais ali na Casa só persiste até os dias atuais porque o seu hábito de caça não foi comprometido. Por este motivo o lobo-guará não tem hora de aparecer. O tempo de espera da aparição do animal é conhecido como “hora do lobo”, a partir das 18h30. Enquanto o lobo não vem, o Caraça proporciona aos hóspedes um tempo de informação, a educação ambiental.

Além do famoso lobo-guará, uma anta frequentemente também surpreende os visitantes do local. Além deles, o visitante pode ainda avistar outras 76 espécies de mamíferos que habitam no Santuário do Caraça.

Fonte de conhecimento

O Caraça é uma estrutura cultural em constante formação. Começou por volta de 1770, quando o irmão Lourenço de Nossa Senhora iniciou a construção do hospício, como então era chamada a hospedaria para acolher peregrinos, e uma ermida — capela barroca, dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens. Posteriormente, a instituição transformou-se em colégio e seminário. Atualmente o lugar mantém a sua essência, proporcionando às pessoas a chance de interagir com sua história.

O complexo é tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e Estadual. É destaque entre as 7 Maravilhas da Estrada Real. Conta com um amplo conjunto arquitetônico onde estão a primeira igreja de estilo neogótico do Brasil, o prédio do antigo colégio (hoje museu e biblioteca), a Pousada do Caraça com 55 acomodações, a Pousada do Engenho, com 27 apartamentos. As duas hospedagens possuem capacidade para 230 pessoas.

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Região também é conhecida pelos queijos que produz

Fauna e flora

O Complexo do Caraça possui enorme diversidade de fauna e flora, com raridades de animais e plantas no meio ambiente. Na ampla diversidade de sua fauna, há aproximadamente 386 espécies de aves, 42 espécies de répteis, 12 espécies de peixes e 76 espécies de mamíferos.

A Reserva Particular do Patrimônio Natural do Santuário do Caraça faz parte de duas importantes reservas ecológicas, as Reservas da Biosfera da Serra do Espinhaço Sul e a da Mata Atlântica, onde há diversas espécies de flora e fauna, algumas encontradas somente no Complexo do Santuário do Caraça, que fica na transição entre Mata Atlântica e Cerrado, onde também há campos rupestres. Em suas serras há nascentes, ribeirões e lagos de águas de coloração escura, pois carregam material orgânico em suspensão.

Seu solo é rico em minérios, explorados nos séculos anteriores, e com grande concentração de quartzito ou rocha metamórfica. Desde 2011, passou a ser preservado contra exploração comercial. O clima tem baixas temperaturas e elevada umidade do ar, comuns em ambientes de mata.

MUSEU

O museu, montado a partir de mobiliário e artefatos diversos de uso diário, pertencentes ao próprio Caraça e com algumas peças remanescentes de séculos passados, constitui um interessante lugar de visitação, diariamente procurado pelos hóspedes e visitantes, através de percursos guiados pelos monitores ou por conta própria.

Igreja Neogótica

O Santuário do Caraça é a primeira igreja neogótica do Brasil, construída sem mão-de-obra escrava e toda com material regional: pedra-sabão (retirada de perto da Cascatona), mármore (das proximidades de Mariana e Itabirito, Gandarela) e quartzito (da região do Caraça e vizinhanças), unidas com produtos de base de cal, pó de pedra e óleo.

Gastronomia

A cozinha do local produz delícias que conquistam o paladar de todos. Na adega, dá para ver o processo de produção do fermentado de uva, do hidromel e dos fermentados de laranja, jabuticaba e morango. Há também a padaria, que fabrica pães, bolos e biscoitos, e a doceria, para doces, geleias e compotas. Os queijos minas artesanal, meia cura e curado, produzido através do leite cru, na Fazenda do Engenho, é uma das iguarias mais procuradas no Santuário.

Trilhas

Por meio de trilhas seguras e de trajetos mais ou menos longos e bem sinalizados, é possível ter acesso a diversas atrações naturais e contato direto com a biodiversidade local.

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