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Bem-Estar

Telas e alimentação inadequada prejudicam saúde mental de crianças e adolescentes

Estudo recente revela que prejuízos que começaram antes da pandemia da Covid-19, se agravaram mesmo com o término da crise sanitária

Por Ana Carolina Leal

05 de junho de 2024, às 08h19

O uso das telas incentiva a preferência por dispositivos digitais em detrimento de outras atividades - Foto: Adobe Stock

Um estudo recente publicado na revista JAMA Psychiatry, baseado na pesquisa Carga Global de Morbidade (GBD Study) de 2019, revelou que uma em cada dez crianças e jovens entre 5 e 24 anos já apresentava pelo menos um transtorno mental antes da pandemia da Covid-19. Mesmo com o fim da crise sanitária, a saúde mental das pessoas continua em declínio, conforme aponta o estudo “O estado mental do mundo em 2023”, divulgado pela Sapien Labs.

Segundo especialistas, fatores como confinamento, insegurança, agravamento de sintomas psíquicos, novas formas de socialização e a pressão do trabalho e escola em casa contribuíram para a deterioração da saúde mental, especialmente entre crianças e adolescentes.

Segundo Rodrigo Lancelote Alberto, psiquiatra e diretor técnico no Caism (Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental) de Franco da Rocha e no Hospital Estadual de Franco da Rocha, muitos enfrentaram dificuldades de adaptação ao retornarem à “vida normal”.

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“O medo, a insegurança e a falta de convivência com amigos e familiares levaram muitos à desesperança com o futuro. Viver o aqui e agora tornou-se o único modo de vida possível. O investimento afetivo tornou-se mais superficial, rápido e fugaz, com a tecnologia proporcionando a satisfação que a vida real não oferecia durante o período de reclusão”.

O estudo da Sapien Labs identificou três principais fatores que continuam contribuindo para o declínio na saúde mental: o acesso precoce ao celular, o consumo de alimentos ultraprocessados e o afastamento da família.

“As relações afetivas com adultos de referência são fundamentais para o desenvolvimento saudável de um indivíduo desde a infância. Quando essas interações humanas são substituídas em grande parte por telas, crianças perdem a oportunidade de vivenciar relações reais, lidar com frustrações, aprender a negociar e adquirir ferramentas emocionais essenciais, como a autoregulação”, afirma Alberto.

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O uso excessivo de telas pode gerar uma falsa impressão de controle sobre o mundo, ativando os circuitos de recompensa cerebral de forma intensa e incentivando a preferência por dispositivos digitais em detrimento de outras atividades.

Adolescentes, em particular, são vulneráveis ao acesso a tanta tecnologia. Embora possam consumir uma variedade de informações na internet, muitas vezes não possuem discernimento suficiente para avaliar os riscos associados, podendo ser facilmente influenciados.

“O mundo virtual surge como um ambiente repleto de estímulos, muitos dos quais podem ser perigosos. Este universo digital frequentemente apresenta uma realidade idealizada, onde todos parecem perfeitos, felizes e realizados. Os adolescentes tendem a comparar-se com essa representação, o que pode levar a sentimentos de inadequação”, alerta a médica Ivete Gianfaldoni Gattas, especialista em Psiquiatria da Infância e da Adolescência e também psiquiatra do Caism e Hospital Estadual de Franco da Rocha.

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Para mitigar esses impactos, a recomendação é que o acesso ao celular e à internet, quando monitorado por adultos, comece a partir dos 12 anos de idade.

Outros fatores – A alimentação baseada em ultraprocessados também foi apontada como preocupante para a saúde mental de crianças e adolescentes. Esses alimentos estão associados a um aumento de 44% no risco de depressão e 48% no risco de ansiedade, conforme a revista Nutrients.

“Os hábitos alimentares são formados por imitação. Se os pais não preparam e compartilham refeições saudáveis, não se pode esperar que as crianças o faça”, afirma Alberto.

Além disso, o distanciamento da família também afeta a saúde mental. “A família deve ser um porto seguro para crianças e adolescentes, proporcionando afeto, acolhimento e orientação, o que é benéfico para o desenvolvimento e saúde mental”, reforça Ivete.

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