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Saúde

Endometriose pode causar infertilidade?

Especialista César Patez tira dúvidas sobre a doença que atinge milhões de mulheres no Brasil

Por Redação

21 fev 2021 às 14:16 • Última atualização 21 fev 2021 às 14:17

A endometriose é mais comum do que se imagina. A doença atinge de 10% a 20% das mulheres em idade reprodutiva, afetando mais de 6,5 milhões delas no Brasil, segundo pesquisa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Além disso, de 30% a 50% das mulheres com endometriose são inférteis.

Apesar de ser comum, muitas mulheres desconhecem a doença e como ela impacta o organismo, especialmente os órgãos reprodutores. Ela é caracterizada pela presença do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve.

Exercícios físicos ajudam na prevenção da endometriose – Foto: RODNAE Productions_Pexels

César Patez, obstetra e ginecologista em endoscopia ginecológica, tira dúvidas variadas sobre a endometriose. Confira:

Quais são as possíveis causas da endometriose?
A causa ainda não foi totalmente elucidada. Há teorias que relacionam um fluxo menstrual em direção às trompas, podendo assim deixar focos de endométrio fora do útero.

Também acredita-se que há uma predisposição da mulher para desenvolver a endometriose, a partir de alterações genéticas. E ainda alterações no sistema imunológico que causam exacerbação de inflamação ao redor desse tecido, resultando em aderências, fibroses e um quadro clínico de dor.

Por fim, existe a teoria de que algumas mulheres já nasceram com células que deveriam pertencer ao endométrio fora dele, processo que ocorreu ainda durante a formação do embrião.

Quais são os principais sintomas da endometriose?
O primeiro sintoma costuma ser a dor pélvica, quase sempre associada ao ciclo menstrual. Outros sintomas bastante frequentes são as dores no período da menstruação, dores no abdômen, dores durante as relações sexuais, dores ao urinar e evacuar, além de cólicas intensas, fadiga e diarreia.

Em qual parte da vida da mulher a endometriose costuma aparecer?
Apesar do diagnóstico ocorrer mais tardiamente (por volta dos 25 a 30 anos), essa doença costuma acometer as pacientes desde a primeira menstruação, estendendo-se até o último ciclo da vida.

Endometriose pode causar infertilidade?
Sim. Existe um potencial de distorção da anatomia pélvica que, quando ocorre, é provocada pela presença de fluido inflamatório. Consequentemente, pode levar a disfunção nas tubas uterinas e ovários, diminuição quantitativa e qualitativa ovocitária, disfunção ou bloqueio no transporte de gametas e alteração na qualidade dos espermatozoides. Por isso, há o risco de causar infertilidade.

Endometriose pode gerar problemas durante a gravidez?
Na gravidez são liberados altos níveis de progesterona, principal hormônio usado no tratamento da endometriose, geralmente provocando uma diminuição no processo inflamatório. Com isso, há uma remissão dos focos da doença. Se o embrião conseguiu se implantar normalmente no tecido uterino, a gestação não corre risco.

Endometriose tem cura?
A cura ainda é um assunto polêmico quando se trata de endometriose. Isso porque muitas mulheres, dependendo do estágio da doença em que se encontram, conseguem se livrar dos sintomas e incômodos ao longo do tratamento. Outras podem, inclusive, até mesmo não desenvolver mais o tecido do endométrio pelos órgãos do corpo. A menopausa é uma condição que estabiliza a doença, mas não funciona em todos os casos.

Quais são os tratamentos adequados para a doença?
O tratamento da endometriose depende de alguns fatores, como a idade da paciente, gravidade dos sintomas e da doença e se a mulher deseja ter filhos. O tratamento costuma envolver a interrupção do ciclo menstrual, o que normalmente é feito com medicações. Já a cirurgia laparoscópica deve ser considerada em casos de infertilidade e dor intensa ou mesmo quando a doença atinge órgãos vitais, podendo oferecer risco ao paciente.

Como preveni-la?
As dicas para a prevenção ou mesmo para evitar que o problema se agrave é a mesma para a maioria das doenças: alimentação saudável, exercícios físicos, controle do estresse, entre outras. Também indico diminuir o consumo de bebidas alcoólicas, já que o álcool promove alterações hormonais.

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