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Esporte

Rússia acumula medalhas e polêmicas nos Jogos Olímpicos de Tóquio

Por Agência Estado

30 jul 2021 às 22:00 • Última atualização 30 jul 2021 às 22:36

A polêmica participação da delegação russa nos Jogos Olímpicos de Tóquio após o país ser banido do evento acusado de arquitetar um plano estatal de doping para seus atletas já tem provocado alguns incidentes antes mesmo do término da primeira semana de competições na capital japonesa. O caso que mais chamou atenção até agora envolveu o tenista Daniil Medvedev, número 2 do ranking mundial e uma das principais estrelas do time russo. Ele alega ter sido provocado por um jornalista chileno, que teria chamado a delegação russa de “golpista” durante uma pergunta a ele.

Indignado, o Comitê Olímpico Russo alega que o caso não foi isolado e pede providências ao Comitê Organizador Local e ao COI (Comitê Olímpico Internacional) para que seus atletas não voltem a passar por situações como a vivida por Medvedev. “De um modo geral, temos recebido um tratamento muito respeitoso, mas, ao mesmo tempo, encontramos algumas pessoas que nos provocam descaradamente e tentam desequilibrar os nossos atletas”, reclamou o porta-voz do Comitê Olímpico Russo, Konstantin Vybornov, à agência estatal TASS.

O nadador americano Ryan Murphy não lidou bem com a derrota para o russo Evgeny Rylov nos 200m costas masculino e sugeriu que participou de uma disputa irregular. “É um grande esgotamento mental para mim passar o ano todo nadando em uma prova que provavelmente não é limpa”, disse o atleta na entrevista depois do pódio. Ele ainda demonstrou sua frustração com a decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS) de reduzir a pena dos russos de quatro para dois anos. “Não tenho capacidade para treinar para a Olimpíada em um nível muito alto e tentar fazer lobby com as pessoas que estão tomando as decisões para convencê-las de estão tomando as decisões erradas”, disse. O britânico Luke Greenbank também reclamou do possível doping. “É frustrante saber que existe um esquema de doping patrocinado pelo Estado.”

Rylov se defendeu. “Sempre fui a favor de uma competição limpa. Sempre sou testado e preencho os formulários. Então, do fundo do meu coração, sou a favor de um esporte limpo.” Após as declarações de Murphy, o Comitê Olímpico Russo soltou uma nota dizendo que as vitórias de seus atletas são “enervantes” para os rivais. O órgão ainda adicionou que os competidores precisam ser capazes de perderem.

O fato é que tem provocado estranheza, principalmente entre os torcedores, a Rússia ter levado 335 atletas a Tóquio para competir sob a bandeira e o logotipo do seu Comitê Olímpico, em vez da bandeira nacional. O hino da Rússia também está vetado da Olimpíada. Isso porque os atletas russos que participaram dos Jogos de Tóquio ano são considerados “neutros”, já que oficialmente o país está banido do evento.

A punição à Rússia veio em 2019, quando a Agência Mundial Antidoping (Wada) proibiu o país de participar de todas as competições esportivas internacionais por quatro anos. A pena foi reduzida pela metade após apelação na CAS e agora terminará em dezembro de 2022.

Aos atletas russos que provaram que não estavam envolvidos no escândalo de doping que adulterava testes foi dada a alternativa de participar dos Jogos Olímpicos defendendo o Comitê Russo, e não diretamente o país.

Assim, a bandeira do comitê tem uma chama com as cores branca, azul e vermelho e os cinco anéis olímpicos. Sempre que um atleta ou uma equipe do Comitê Russo ganha uma medalha de ouro – e isso já ocorreu algumas vezes no Japão -, o sistema de som da arena toca “Concerto para Piano nº 1”, de Pyotr Tchaikovsky, em vez do hino nacional russo.

As várias acusações sobre um amplo esquema de doping dos seus atletas geraram diversos atritos entre a Rússia e muitos países nos últimos anos. Mas essa é a primeira grande competição que o país participa sob a bandeira do seu comitê olímpico.

Por isso, o órgão chegou a montar um guia aos atletas russos com orientações de como eles deveriam se portar e responder caso fossem perguntados sobre temas como doping, anexação da Crimeia, assédio sexual e protestos favoráveis ao movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português). A justificativa das autoridades russas é de que era preciso proteger os atletas de “provocações” de ativistas e da mídia internacional – exatamente como eles alegam que ocorreu no caso envolvendo o tenista Daniil Medvedev.

“A questão da politização do esporte infelizmente ainda é relevante e não foi eliminada da agenda. Os direitos e interesses de nossos atletas devem ser protegidos de qualquer arbitrariedade”, disse o presidente Vladimir Putin, mês passado, antes do embarque da delegação russa para Tóquio.

Mesmo com as sanções impostas pela Wada, a Rússia segue como uma potência olímpica. Em comparação com os Jogos do Rio-2016, a delegação esse ano tem 50 pessoas a mais. A meta do Comitê Russo é superar em Tóquio o desempenho de cinco anos atrás, quando o país ficou na quarta colocação geral no quadro de medalhas, com 56 pódios (19 ouros, 18 pratas e 19 bronzes).

No Japão, além de polêmicas, a Rússia tem acumulado bons resultados até agora. Destaque, por exemplo, para o ouro por equipe na ginástica feminina, que encerrou uma sequência de domínio das americanas em finais mundiais e olímpicas que havia começado em 2011. No masculino, os russos também ficaram com o ouro por equipes, encerrando um jejum que vinha desde Atlanta-1996. Já na natação, os russos fizeram dobradinha nos 100 metros costas, com Evgeny Rylov e Kliment Kolesnikov.

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