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Cultura

Nerd que compra briga com ditadura fitness na série ‘Body By Beth’, Veronica Debom fugia da educação física na escola

Por MÁRCIO MAIO_TV PRESS

13 de fevereiro de 2024, às 08h57 • Última atualização em 13 de fevereiro de 2024, às 10h04


“Body by Beth” ainda não tem data definida de estreia na TNT. Mas certamente já é um trabalho que se destaca na trajetória profissional de Veronica Debom. A atriz, que dá vida à nerd Carol na série assinada por Carolina Castro, assume que viveu uma relação conturbada com a ditadura fitness que se instaurou na sociedade nas últimas décadas. E isso desde bem nova. “Fui fazer teatro para fugir da Educação Física. Tinha essa opção no meu colégio”, lembra a carioca, que fará 40 anos no dia 21 de maio.

Com dez episódios, “Body By Beth” reúne Carol e a mãe dela, Beth, personagem de Marisa Orth, na tentativa de salvar o decadente negócio da família: uma academia que parou no tempo. O problema é a ameaça de uma concorrente moderna, com alta tecnologia e um leque maior de atividades, que se instala justamente do outro lado da rua. Só que Carol e Beth parecem extremos opostos. Enquanto a mãe é uma musa fitness dos anos 1980 e 1990, campeã de aeróbica, a filha não se liga muito em cuidar do corpo e compra briga contra padrões que, na opinião dela, são inalcançáveis. “Tem um lugar de embate de gerações ali. Acho que a Carol é mais solar. A minha mãe é um pouco parecida com a Beth. Então, achei esse papel meio curativo, uma terapia”, entrega Veronica.

Apesar do tom extremamente cômico, “Body by Beth” se propõe a criticar os padrões de beleza e as relações disfuncionais, além de temas bastante atuais, como o etarismo, a gordofobia, a utilização excessiva de suplementos alimentares e alguns exageros da vida zen. E, a julgar pelo discurso de Veronica, trata-se de uma proposta que casa bem com o momento atual da atriz, que jura estar, pela primeira vez depois que começou a trabalhar na televisão, sem fazer dieta. “Eram as mais loucas. Como as de sopa de saquinho, de jantar só aquilo. Mas acho que cheguei em uma fase em que não quero mais fazer nada. Sempre tive muita pressão no audiovisual e na sociedade como um todo. Existe um padrão para a mulher se encaixar”, afirma.

Além de Marisa Orth, Veronica também divide cenas com Diogo Vilela em “Body by Beth”. Na história, o ator interpreta Ri-Man, pai de Carol e ex-marido de Beth. Depois que se separou da mulher, ele resolveu trocar o fisiculturismo pela ioga e saiu do armário, casando-se com Ronaldo, vivido por Guilherme Weber.

“Marisa e Diogo são referências enormes para mim. Até falei para ele que assisti (o espetáculo) a ‘Diário de um Louco’ quando era adolescente e fiquei apaixonada. A Marisa eu fui ver no ‘Sai de Baixo’, na Globo, com uma excursão do colégio. Hoje somos amigas, fiz um textão de aniversário para ela”, derrete-se.

A vida levou Veronica para os palcos na adolescência, quando, aos 15 anos, entrou para um grupo de teatro. Já o primeiro papel fixo na tevê veio aos 24 anos, em 2008, na pele da metidinha Carla de “Chamas da Vida”, na Record. Curiosamente, uma personagem que pendia mais para a comédia, apesar de estar inserida também em tramas extremamente densas.

“Não pensava em ir para o humor. Acho que ninguém pensa, vai acontecendo. Eu fazia testes e passava em todos que eram de comédia. Mas não foi uma construção de carreira muito pensada”, explica ela, que se orgulha por ter sido a primeira integrante mulher do grupo Comédia em Pé, de stand-up, criado por Fernando Ceylão, Paulo Carvalho e Cláudio Torres Gonzaga.

Inquieta e extremamente comunicativa, não é só atuando que Veronica aflora sua criatividade e veia artística. Ela também se destaca como roteirista, com experiências no teatro, na tevê e, mais recentemente, no cinema. Veronica faz parte da equipe que escreveu “Minha Irmã e Eu”, protagonizado por Ingrid Guimarães – que também assina o texto – e Tatá Werneck. O longa, que estreou dia 4 de janeiro, já bateu a marca de 2 milhões de espectadores.

Ao ser questionada sobre como dividir seu tempo e energia entre as duas atividades, a oportunidade de fazer piada não é desperdiçada. “Todo trabalho tem lado bom e outro ruim. Quando estou irritada sendo atriz, penso: ‘por que estou fazendo isso? Sou roteirista’. E quando estou irritada sendo roteirista, penso: ‘Para que isso? Sou atriz’. Fico nesse jogo psicológico de frustração”, diverte-se.

“Body by Beth” – TNT – Sem data de estreia definida.

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