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Serviço essencial

Melhores & Piores de 2020 na TV: Jornalismo

Eleição dá destaque aos jornais que foram atrás da melhor informação para o telespectador em momentos tão conturbados

Por Caroline Borges / TV Press

01 jan 2021 às 18:30

O Brasil é conhecido como o país das novelas. Mas, em 2020, o jornalismo foi o produto dominante no vídeo. Com a chegada avassaladora e impressionante da pandemia do novo coronavírus e a inimaginável paralisação de boa parte dos programas e de novelas inéditas, o jornalismo sério e de qualidade foi o principal canal de informação do público, mesmo que, em diversos momentos, precisasse duelar com as instantâneas e intensas “fake news” que se proliferam pelos aplicativos de mensagens e redes sociais.

Tanto é que o serviço de checagem de fatos virou uma editoria robusta nas principais redações pelo Brasil afora. Eternamente mergulhado em uma crise política, o Brasil viu o principal ocupante do Palácio do Planalto declarar guerra a veículos de comunicação que noticiavam a gravidade da desconhecida Covid-19.

Um consórcio dos veículos de imprensa foi criado para driblar a maquiagem dos dados de novos casos e mortes pelo coronavírus no Brasil, após constantes atrasos na divulgação por parte do Ministério da Saúde.

A eleição de “Melhores & Piores de TV Press” dá destaque aos jornais que foram atrás da melhor informação para o telespectador em momentos tão conturbados. Sob o comando de César Tralli, o “Jornal das 18h”, da GloboNews, mostrou que informação quente e de qualidade ainda é o principal foco dos canais de notícias. Por isso, segundo a opinião dos editores que publicam “TV Press”, foi escolhido como o “Melhor Telejornal”.

Apesar do crescimento das agências e editorias de checagem, as “fake news” ainda têm uma inserção muito forte com o público. Um fenômeno ainda pouco conhecido e estudado, as notícias falsas se tornam um grande perigo quando alcançam plataformas tradicionais. Comandado por Luís Ernesto Lacombe, o “Opinião no Ar”, que foi selecionado como “Pior Produção Jornalística de Variedades”, abre espaço para delirantes teorias da conspiração que antes estavam restritas aos grupos de Whatsapp. O programa é um festival de palpites insanos sobre comunismo e ataques a instituições conceituadas como grandes universidades nacionais e internacionais e até à ONU e à OMS.

Geralmente a editoria mais previsível do ano, o esporte, assim como todo o mundo, foi surpreendido pela pandemia do novo coronavírus. Com uma longa paralisação de praticamente todas as modalidades esportivas oficiais, as redações foram esvaziadas e a grade de programação suspensa. Na segunda metade do ano, uma intensa rodada de jogos e corridas de Fórmula I dominaram a tevê. Mas, sem conseguir se descolar da realidade, inúmeras discussões sociais foram carregadas para os campos, quadras e pistas de corrida.

Jornal das 18h – Foto: Divulgação

Melhor Telejornal

Atualmente, a programação da GloboNews conta com jornais que começam a cada duas ou três horas. Não à toa, o canal de notícias é caracterizado pelas discussões repetitivas e matérias reprisadas à exaustão. O “Jornal das 18h”, no entanto, consegue ser um oásis de informação entre tantos telejornais semelhantes. O grande crescimento da produção, que foi escolhida como “Melhor Telejornal”, aconteceu justamente durante a pandemia do novo coronavírus. Inicialmente comandado por Leilane Neubarth, a jornalista de 62 anos foi afastada da função em março, quando surgiram as primeiras orientações sobre o isolamento social, por integrar o grupo de risco. Com isso, César Tralli foi escalado para apresentar o jornal do começo da noite. Nome conhecido da bancada da primeira edição do “SPTV”, Tralli trouxe um novo vigor ao horário. Apesar de ocupar a função de âncora há bastante tempo, o jornalista não perdeu sua essência de repórter. Em meio a um cenário político e social conturbado, Tralli agrega sua experiência das ruas diante do vídeo com apurações completas, fontes quentes e informações exclusivas. Apesar de contar com os repetitivos nomes de comentaristas da GloboNews, o “Jornal das 18h” soube se revitalizar ao trazer um âncora que vai além da simples leitura do “teleprompter”. GLOBONEWS

Jornal da Record – Foto: Divulgação

Pior Telejornal

A imparcialidade é uma palavra bastante repetida dentro do jornalismo, no entanto, pouco usual em diversos veículos. Obviamente, cada empresa de comunicação tem sua linha editorial própria, mas o compromisso com a informação correta e a verdade devem sempre prevalecer. O “Jornal da Record”, por exemplo, perdeu qualquer vergonha de expor seu alinhamento com o atual governo federal. Ao longo do último ano, a produção tornou-se uma espécie de porta-voz não só do poder executivo, mas também de Marcello Crivella, prefeito do Rio de Janeiro que responde por corrupção e que, “concidentemente”, é sobrinho do bispo Edir Macedo, líder da igreja Universal e dono da Record TV. Sem qualquer rigor técnico nas reportagens e até mesmo no cenário dos estúdios, o “Jornal da Record” é um exemplo de uma produção jornalística que apenas reproduz os dados oficiais do governo sem qualquer questionamento ou dúvida, sendo capaz de celebrar o número de recuperados da Covid-19 em vez de fazer alertas para a alta de mortes e contaminados. A cobertura dirigida da pandemia, inclusive, gerou a saída de Adriana Araújo da bancada, após a jornalista criticar a lentidão da divulgação dos dados da doença pelo Ministério da Saúde. Por pior que seja uma realidade, é obrigação de um telejornal repassar o cenário mais fidedigno possível. RECORD

Estúdio I – Foto: Divulgação

Melhor Produção Jornalística de Variedades

Trazer leveza aos assuntos de 2020 não foi tarefa fácil. Mas, com uma condução descontraída e bem humorada, Maria Beltrão conseguiu apresentar um contexto agradável ao mar de informações trágicas e bizarras que tomaram conta do ano que termina em poucos dias. Com uma agradável desenvoltura, a âncora transforma os densos debates em conversas com seus repórteres e comentaristas ao longo do “Estúdio I”. Tudo isso, claro, sem perder a informação básica de cada notícia comentada. O entrosamento de Maria com seus colegas de bancada é um dos principais trunfos do programa vespertino. Sem grande desenvoltura para o vídeo, Octávio Guedes, que tem uma longa trajetória no jornalismo impresso, foge do padrão engessado dos comentaristas do canal de notícias. O jornalista foi conquistando espaço e importância na bancada com seus comentários ácidos e concisos sobre as patacoadas que envolvem o governo federal e também por sua incrível capacidade de compreender o bizarro e inacreditável histórico político do Rio de Janeiro. Outro nome de destaque da produção é André Trigueiro, repórter conhecido por seu engajamento com a temática ambiental. Trigueiro não se furta de críticas duras à péssima gestão ambiental do Ministro Ricardo Salles. Escolhido como “Melhor Produção Jornalística de Variedades”, o “Estúdio I” consegue costurar informação e cumplicidade com o telespectador. GLOBO

Opinião no Ar – Foto: Divulgação

Pior Produção Jornalística de Variedades

Recém-chegado à grade da RedeTV!, o “Opinião no Ar”, comandado por Luís Ernesto Lacombe, estreou com a promessa de um debate plural de ideias. Porém, há poucos meses no ar, a produção já mostrou que diversidade de opinião não é uma preocupação do programa. Buscando transformar assuntos já consolidados em polêmicos e gerar engajamento na internet, a produção discute temáticas, como o isolamento social, a vacinação da Covid-19, identidade de gênero e também apresenta entrevistas com sujeitos controversos, como é o caso do Deputado Federal Eduardo Bolsonaro. Ao comentar o tema do dia, o programa reúne visões muito semelhantes na bancada e que não se furtam de fazer comentários peculiares, como questionar a eficácia das máscaras durante a pandemia ou uma suposta associação da China com a Organização Mundial da Saúde. Além de Lacombe, o “Opinião no Ar” também conta com as participações fixas do jornalista Silvio Navarro e do polêmico e misógeno Rodrigo Constantino. Também debatedora fixa, Amanda Klein é uma voz contrária solitária durante os debates. Munida de informações e pesquisas de instituições de credibilidade, a jornalista é constantemente interrompida e até mesmo vê seus dados serem questionados e desacreditados pelos colegas de bancada. Com um viés negacionista, o “Opinião no Ar” é o exemplo da invasão das teorias conspiratórias do aplicativo de mensagens Whatsapp na televisão. REDETV

Marcio Gomes – Foto: Divulgação

Melhor Apresentador(a) de Telejornal

Márcio Gomes se tornou um nome conhecido dentro do jornalismo da Globo, mas, ainda assim, bastante tímido para o grande público. Correspondente internacional no Japão e integrando o rodízio de apresentadores do “Jornal Hoje” e do “Jornal Nacional”, o âncora ganhou destaque logo no início da pandemia do novo coronavírus. À frente do projeto “Combate ao Coronavírus”, Márcio não só ganhou relevância na programação como também se tornou uma espécie de especialista da Covid-19 dentro da Globo. A experiência de Márcio foi crucial para o sucesso do inesperado jornal diário, que substituiu o “Mais Você” e o “Encontro com Fátima Bernardes”. Mas com a esperada perda de relevância da pandemia na grade, a produção foi cancelada e Márcio perdeu um programa para chamar de seu. Com isso, viu na CNN Brasil a chance de virar titular definitivamente à frente de um telejornal. O recém-estreado “CNN Prime Time” foca nas principais notícias do dia, apresentando uma produção mais ágil e dinâmica. A chegada de Márcio ao time da CNN Brasil agrega não só credibilidade, mas também uma importante experiência em televisão que, por muitos anos, foi subaproveitada na Globo. CNN BRASIL

William Bonner – Foto: Divulgação

Pior Apresentador(a) de Telejornal

A televisão está cada vez mais dinâmica. Por isso, é preciso estar atento para não ficar parado no tempo. William Bonner, no entanto, se mostra cada vez mais acomodado à frente da bancada do “Jornal Nacional”. Perdendo espaço para nomes mais carismáticos, como é o caso de Maria Júlia Coutinho, Bonner vai na contramão da leveza e descontração que tomou conta do jornalismo da Globo nos últimos anos. Com comentários que mais parecem roteirizados e cronometrados, Bonner tem dificuldades para sair do engessado “TP”, ao lado de Renata Vasconcellos. Há 23 anos na bancada do “Jornal Nacional”, sendo há duas décadas como editor-chefe, Bonner, a cada ano, parece estar acumulando poeira na bancada da produção, sendo o principal modelo de um jornalismo sisudo, obtuso e tradicional, que não tem mais sentido. JORNAL NACIONAL”, DA GLOBO

Melhor Programa de Esporte

É difícil tirar as atenções de Galvão Bueno durante um programa de tevê. Amado e odiado na mesma proporção, o narrador é o principal nome da cobertura esportiva da Globo e do país. Por isso mesmo, quando se isolou em virtude da pandemia do novo coronavírus, seria lógico pensar que o “Bem Amigos” perderia sua força. A produção esportiva ganhou mais fôlego sob o comando de Cléber Machado e seu time de comentaristas. Fugindo da tradicional mesa redonda que questiona dribles e arbitragem, o programa mostra que o futebol não é um mundo à parte da realidade. A produção faz questão de abrir debates políticos, sociais e raciais que circulam dentro do meio esportivo. Inclusive, consegue mostrar pontos de vista diferentes, como os polêmicos e calorosos debates entre Casagrande e Caio Ribeiro que costumam viralizar na internet. Participando de forma remota e sem a responsabilidade de apresentar e mediar o debate, Galvão, que tem sido figura constante na programação esportiva do SporTV ao longo da pandemia, consegue entrar de forma mais ativa dentro das discussões. O “Bem Amigos” mostra que o futebol pode ser mais complexo e denso do que simplesmente compreender a regra de impedimento. SPORTV

Arena SBT – Foto: Divulgação

Pior Programa de Esporte

Mercado por muito tempo dominado pela Globo, os direitos de transmissão das competições esportivas sofreram uma chacoalhada com a pandemia do novo coronavírus. Uma das grandes perdas da emissora foi a exibição dos jogos da Libertadores da América. Desde a retomada do futebol, o campeonato tem sido exibido pelo SBT. Com a chegada da disputa, a emissora viu a necessidade de incorporar o esporte em sua grade, dominada pelas novelas infantis. Para isso, criou em poucas semanas o “Arena SBT”, comandado por Benjamin Back, recém-saído do quase extinto Fox Sports. Seja a necessidade imediata de produzir um projeto ou a preguiça de pensar em um formato mais ousado, o novo programa nasceu velho, pautado por um formato que já foi exaustivamente explorado na tevê fechada. A produção, que vai ao ar nas noites de segunda, é exibida gravada, apresentando pautas frias e já comentadas em outros canais especializados. Com apenas Palmeiras e Santos vivos na Libertadores, o programa, que deveria reverberar a campanha dos times brasileiros, está cada vez mais sem assunto. Assim como boa parte da grade do SBT, o “Arena SBT” é um retrato da programação envelhecida da emissora de Silvio Santos.  SBT

PVC – Foto: Divulgação

Melhor Comentarista de Futebol

Pode até não parecer, mas futebol é um assunto complexo. Ser ex-jogador ou simplesmente um fanático torcedor não credencia ninguém para comentar profissionalmente uma partida. De olho em uma programação esportiva mais complexa e moderna, a Globo tem feito constantes mudanças em sua equipe esportiva, como a chegada de novos nomes e, principalmente, a inserção de mulheres na equipe. Paulo Vinícius Coelho chegou ao grupo Globo no início de 2020. O comentarista é o exemplo de que, para comentar futebol, não basta gostar, tem de estudar e se informar. Sempre com análises técnicas cirúrgicas sobre as partidas, PVC também impressiona pela memória. O jornalista é capaz relembrar escalações, gols e defesas de times e seleções de décadas atrás, fazendo interessantes comparações entre o passado e o presente. Com conhecimento esportivo e de televisão, PVC é um profissional raro em um meio dominado por ex-jogadores estrelas. GLOBO/SPORTV

Bem Amigos – Foto: Divulgação

Melhor Narração de Futebol

Há alguns anos, o Grupo Globo tenta se preparar para a cada vez mais próxima aposentadoria de Galvão Bueno. Por isso mesmo, a variedade de narradores cresceu vertiginosamente nos últimos tempos. Há quase um ano integrando a equipe do esporte da Globo, Everaldo Marques conquistou seu espaço na programação logo em seu ano de estreia. Conhecido do universo dos fãs do basquete e do futebol americano, Everaldo deixou a ESPN no início de 2020, onde ficou conhecido pelo bordão “você é ridículo”. A chegada de Marques ao Grupo Globo abre o leque para um profissional diverso. Após chegar para narrar as partidas da NBA, ele também se destacou no futebol e, mais recentemente, na Fórmula 1. Marques é o verdadeiro profissional que joga nas onze. GLOBO/SPORTV

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