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Televisão

Lucas Mendes e sua mudança de ares

Após 28 anos na tevê fechada, ele volta à TV Cultura com nova fase do “Manhattan Connection”

Por Caroline Borges - Tv Press

05 fev 2021 às 16:36

Lucas começou a carreira de jornalista na revista “Fatos & Fotos” no Rio de Janeiro em 1966 - Foto: Divulgação_Tv Cultura

Aos 76 anos, Lucas Mendes viu a palavra recomeçar entrar no seu radar. Após 28 anos na tevê fechada, entre GNT e GloboNews, o jornalista viu a exibição do “Manhattan Connection” ser cancelada. Por conta de cortes de gastos, o programa estava fora dos planos do canal de notícias para 2021.

Ao lado de Caio Blinder, Angélica Vieira, Pedro Andrade e Diogo Mainardi, Lucas, no entanto, não deixou a produção ficar desamparada por muito tempo. No último dia 20, o programa reestreou na TV Cultura com nova identidade visual e novo cenário, localizado no Hotel Fasano, na 5ª Avenida.

A nova emissora, porém, é antiga conhecida de Lucas. “Estou muito feliz de estar na Cultura. É um endereço que eu já trabalhei por 10 anos como correspondente. Tenho ótimas lembranças. Eu, Angélica (Vieira) e o Caio (Blinder) somos veteranos”, valoriza.

Natural de Belo Horizonte, Lucas começou a carreira de jornalista na revista “Fatos & Fotos” no Rio de Janeiro em 1966. Foi para os Estados Unidos com uma bolsa do World Press Institute em 1968, no ano seguinte, 1969, foi contratado como correspondente da revista “Manchete” em Nova Iorque, depois pela Globo de 1975 a 1990.

Criou o “Manhattan Connection” em 1993 para o GNT que depois migrou para a GloboNews. A formação original contava com Paulo Francis, Caio Blinder, Nelson Motta e Lúcia Guimarães. “O programa decolou com a rapidez que decolou por causa do Paulo Francis. A gente não imaginava que, com dois ou três meses, a gente teria a repercussão que teve”, relembra Lucas, que ainda se surpreende com as consequências do isolamento social na cidade que nunca dorme.

Após 28 anos na tevê fechada, foi necessário algum ajuste de linguagem ou estética para estrear o “Manhattan Connection” na TV Cultura?
Lucas Mendes Do ponto de vista da execução, a entrada na tevê aberta ficou igual ao programa da tevê fechada. A nossa expectativa mesmo é saber se o nosso estilo vai funcionar na tevê aberta como funcionou na tevê a cabo. A resposta quem vai dar é a audiência ao longo dos próximos meses. A gente vai se empenhar para ter uma boa resposta. Não tivemos nenhum reajuste de linguagem também. O ponto de vista editorial também continua o mesmo. Não temos a obrigação de focar em certo ponto mais ou menor. A gente faz o programa que sabe fazer, combinando imaginação com informação. Mas, claro, temos algumas novidades.

De que tipo?
Lucas Temos um quadro novo que mostra as esquinas de Nova Iorque. O logo do “Manhattan” agora reproduz as placas de Nova Iorque. Então, todo programa a gente mostra uma esquina. Na estreia, a gente mostrou a esquina do Trump. Esse é um dos quadros, mas há outros ainda no forno.

Com a mudança para a TV Cultura, o programa perdeu a participação do economista Ricardo Amorim. Há planos de contar com um novo economista na bancada?
Lucas O Ricardo é um amigo querido e foi muito importante para o programa. Mas há uns dois ou três anos, ele achava que estava trabalhando demais, fazendo conferências e tendo de sair de São Paulo, ficando longe da família. Ele queria fazer uma experiência de voo solo. Quando surgiram as mudanças, ele aproveitou o gancho. Confesso que sinto falta dele. Há bastante tempo a gente fala sobre ter uma mulher na bancada, talvez até duas seja melhor. É muito machista há muito tempo. Vamos fazer experiências com economistas mulheres. Vamos ver se elas se ajustam também, né? Podem achar uma chatice falar do Butão ou do Nepal (risos).

Nos últimos meses na GloboNews, o “Manhattan Connection” foi produzido de forma remota. Como foi essa experiência?
Lucas Nós ficamos nove meses em uma situação completamente diferente. Fizemos o programa cada um de sua casa, nunca passamos por essa experiência. A interatividade se perdeu bastante entre a gente nesse período. Agora, na TV Cultura, vai ser um novo passo para uma nova experiência. Estamos juntos de novo dentro de um estúdio.

A eleição de Donald Trump em 2016 deu início a uma agenda antiglobalista pelos Estados Unidos e o mundo. Essa vertente encontrou alguns ecos no atual governo federal brasileiro. Como você enxerga o futuro desse movimento com a posse de Joe Biden?
Lucas A gente pode até falar mal da globalização, mas é inevitável. Não diminuiu. Nós estamos tristes porque a China está comendo o mundo. O País que mais lucrou com a China no ano passado foi o Brasil. A China é parceira comercial número um de 62 países. Os Estados Unidos não chegam perto disso. Uma mudança vem sendo anunciada há tempos. Muita gente tem medo de lidar com a China e, com frequência, por bons motivos. Acho que, daqui a 56 anos, o “Manhattan Connection” vai se mudar para Xangai (risos).

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