Contador revela seu passado familiar em livro póstumo

Filhos de Oswaldo Tognetta lançam nesta sexta “Uma Venda Na Beira da Estrada”, que traz cotidiano da imigração na região


Setenta e cinco livros. Esse é o número de obras que o contador Oswaldo Tognetta relatou ter escrito em vida. Sem ver qualquer um deles publicado, em função do custo cobrado por editoras que procurou, ele morreu no último dia 7 de maio, aos 84 anos, em Americana.

Como uma forma de eternizar ao menos um pouco desta obra, os filhos Lucia Helena Tognetta Gennari, Luci Tognetta Minozzi e Laudo Tognetta lançam nesta sexta-feira o livro “Uma Venda Na Beira da Estrada”, no Shopping Welcome Center, a partir das 18h.

Foto: Arquivo da Família
Falecido em maio, Oswaldo Tognetta escrevia de maneira compulsiva

Luci explica que esta será a primeira de três publicações póstumas do pai. As próximas se chamarão “Memórias de Um Contabilista” e “Queda de uma Ambição”. O evento desta sexta-feira também contará com uma exposição de quadros pintados pelo contador.

Por trás da primeira das obras, se esconde uma verdadeira arqueologia historiográfica e genealógica de famílias tradicionais da região. E, para além disso, informações valiosas do passado da região, com remissões ao passado rural e escravagista. Tudo partindo da imigração italiana para o Brasil, em meio a uma crise que atingia aquele país.

“Diante dessa crise, o governo italiano facilitou a grande emigração. A região mais atingida pela crise foi Vêneto (região nordeste da Itália). Ali, se encontravam as cidades de: Pádua de onde veio meu sogro Angelo Verza; Veneza de onde veio a família da minha mãe (Rosalem); Treviso ou Roncale de onde veio a família de meu pai (Tognetta)”, escreve Oswaldo na introdução.

Ao longo das 107 páginas, ele relata o resultado de conversas que teve com meus pais no fim da década de 1950 e princípio da década de 60. Por meio deles, refaz cotidianos em locais como Piraju, às margens da Rodovia Anhanguera, Fazenda Santa Cândida, que ficava no município de Rocinha (atual Vinhedo), Fazenda Santana (Itatiba), Areia Branca, Tunussi e Monjolo Velho (Santa Bárbara d’Oeste).

Carnaval. Oswaldo recria, com detalhes, cenas de várias décadas atrás, como de um Carnaval de 1903, chegando a como conheceu, se apaixonou e se casou com sua mulher, Margarida.

“Ainda em vida, ele resolveu editar os que ele gosta mais. E editou três, tudo inédito. Foi escrevendo e guardando e um detalhe: ele mesmo encadernava. Era datilografado, porque ele não conseguiu aceitar o computador. Escrevia todo dia. Falava que eram ‘pérolas do cotidiano’”, relembra Luci.

A “Venda Na Beira da Estrada” citada no livro existiu no km 98 da Via Anhanguera e foi desmanchada na construção da segunda pista (interior-Capital). Lá, o autor viveu entre 1941 e 1943.

“Lembro-me bem de mãe costurando e contando suas lembranças. Meu pai também deitado no chão como ele gostava de ficar, com a sua cabeça encostada à parede, também relembrava seus casos. Todos esses acontecimentos, se não os passarmos para o papel, morrem conosco”, reflete Oswaldo em seus escritos.

Acontece: O livro “Uma Venda Na Beira da Estrada”, será lançado nesta sexta-feira, no Shopping Welcome Center (Avenida São Jerônimo, 120, Jardim Bela Vista), a partir das 18h. No evento, o livro será vendido por R$ 30.

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