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Dia do Imigrante

Imigração Italiana: Frutos da miscigenação

Homenageados neste 2 de junho, imigrantes italianos deixaram patrimônios culturais pela região; registro da história oral é uma das metas

Por Rodrigo Pereira

02 de junho de 2019, às 08h39

Possivelmente você conheça canchas de bocha existentes na cidade onde mora, mas quantas vezes já viu elas serem utilizadas para o jogo? Trazido ao Brasil pelos imigrantes italianos, o esporte tem sido menos praticado pelas novas gerações e, assim como outros símbolos dessa miscigenação cultural, têm sido esquecido e precisa de uma preservação.

A avaliação é de Flavio Rossi, presidente do Conselho Deliberativo do Circolo Italiano de Americana, entidade que pretende realizar uma série de atividades de resgate deste tipo de patrimônio imigratório, em parceria com alunos do Unisal (Centro Universitário Salesiano de São Paulo).

Foto: Arquivo Família Müller
Italianos que viviam na região posam em frente Fábrica de Carioba, em Americana, no início do século 20

No Brasil, o Dia do Imigrante Italiano foi instituído há exatos 11 anos, pelo decreto 11.687, de 2 de junho de 2008. “Estamos pretendendo fazer uma atividade em um outro dia, mas fazendo menção a essa data, talvez um jantar”, explica Flavio, que também é representante do Comites (Comitê dos Italianos no Exterior) no interior de São Paulo.

Neste encontro, a ideia é começar a formatar as atividades de preservação, entre elas o registro da história oral. “O tempo vai passando e as pessoas vão indo embora, falecendo, e muito dessa história vai embora. Então, nós queremos trazer um pouco deste legado através de encontros. Temos a intenção de fazer um registro das pessoas que ainda estão vivas, que têm muita história para contar, história do pai que foi imigrante ou do avô que foi imigrante”, explica Flávio.

Foto: Arquivo Família Müller
Trabalho em moenda no Salto Grande

Bairros

Segundo ele, o resgate também vai envolver esportes, gastronomia, música e histórias das origens dos sobrenomes de imigrantes conhecidos na cidade. “Os primeiros italianos que estiveram aqui tinham que receber uma quantia em dinheiro de um importante fazendeiro da região e, não tendo condição de honrar com esse débito, ele loteou parte da cidade. E essas partes da cidade hoje ganham o nome de Vila Galo e Frezzarim. São exemplos de localidades que marcam uma história viva do que aconteceu aqui. E um detalhe: pouca gente sabe disso”, exemplifica.

Ele ainda destaca a forte tradição dos jantares italianos, com a predominância das massas, monumentos locais, a influência arquitetônica e a arte.

“Na nossa Basílica temos obras de irmãos italianos sensacionais. Não deve nada às igrejas italianas, tal a sua beleza e a história que ela tem, e precisamos explorar mais esses espaços de cultura”, aponta o membro do Circolo, em referência aos irmãos Pedro e Uldorico Gentilli, que trabalharam em obras sacras no templo entre os anos 1960 e 70.

Santa Bárbara

A gastronomia também deve dar o tom da celebração que o Circolo Italiano de Santa Bárbara d’Oeste prepara para o Dia do Imigrante Italiano, segundo a presidente Gisele Sarmento. O encontro deve ocorrer no dia 15, mas os detalhes ainda estão sendo acertados.

“A gente vai fazer um cardápio específico com massas. Em todos os jantares a gente faz uma explanação sobre a imigração e estamos vendo também sobre uma exposição”, conta. Gisele aponta que a Zona Leste barbarense tem mais de 40 mil famílias descendentes. Na cidade há cerca de 1,5 mil pessoas com dupla cidadania.

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