Descobrindo a arte na terceira idade

Moradores da RPT descobrem vocações artísticas já na terceira idade e “revelam” obras ao mundo


Foto: João Carlos Nascimento - O Liberal.JPG
Abelita Siqueira só começou a criar suas esculturas quando se aposentou, aos 67 anos de idade

Muito se valoriza a precocidade no meio da arte, mas há um limite de idade até quando se pode começar? Idosos da região provam que não. Arriscaram seus primeiros textos e esculturas após os 60 e até já ganharam destaque em recente exposição.

É o caso da aposentada barbarense Abelita Siqueira Dias, que hoje tem 75 anos. Quando tinha oito a menos, entre os 67 e 68, se aposentou. “Eu não gosto de ficar parada e inventava de fazer essas coisas”, conta.

Foi então que começou a criar esculturas de animais com material reciclável. “O povo fala que é descartável. Eu não vejo como descartável e, se eu tivesse um pouco mais de saúde, eu ia criar muitas coisas com material descartável”, afirma, em referência a um problema de saúde que enfraqueceu sua estrutura óssea e a levaram a reduzir o tamanho de suas peças (antes, passavam de um metro de altura).

A estrutura é montada, geralmente, com isopor e gesso. O acabamento é realizado com restos de tinta que ela ganha de conhecidos. Recentemente, Abelita teve uma escultura de girafa exposta no 20º Salão do Humor Internacional de Americana, mas seu acervo também inclui bezerro, onça, touro, frango, coelho, macaco, pica-pau e uma das próximas criações deve ser um cavalo.

“Tudo isso vem da minha cabeça”, conta ao ser questionada sobre o autodidatismo que desenvolveu para o ofício.

Foto: Marcelo Rocha - O Liberal.JPG
Pedro Paulo Jensen venceu premiação no Salão do Humor de Americana com texto que satiriza a linguagem da internet

PELAS PALAVRAS. Já o americanense Pedro Paulo Jensen, de 66 anos, brinca que é um debutante na área de artes e humor. Foi neste ano que decidiu participar de seu primeiro concurso com um conto. “Na verdade, nestes últimos anos, já estava pensando em participar do Salão de Humor de Americana e desta vez deu certo e fui premiado”, conta ele.

O choque entre gerações fica evidente no texto que produziu para o evento. No conto “Zapp… Whats??” ele apresenta um diálogo entre dois jovens pelo WhatsApp.

“A mensagem que passo é a velocidade de escrita que as pessoas precisam ter hoje, principalmente os mais novos, para conversar com todos ao mesmo tempo, quer em grupos ou sozinhos, já que muitos têm dos mais variados e diversos grupos que se interagem. Para tanto, frases são escritas em uma única palavra, ou simplesmente um simples sinal, como :X, que significa de boca fechada”, explica o autor.

O diálogo é entre um jovem e seu melhor amigo sobre um problema que ele teve com a namorada. É um desabafo e o colega procura consolá-lo. Para escrever a história, Pedro realizou uma verdadeira pesquisa de gírias contemporâneas. “Algumas expressões, como ‘ce tá na Disney’, significa que ‘você está viajando’; ‘colante’, estou indo; ‘falsiane’ é falsa, ‘lelesques’ é menino praieiro, aqueles que ficam de boa”, detalha.

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