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Cultura

Almir Sater se reconecta com a obra de Benedito Ruy Barbosa na pele do árabe Rachid de ‘Renascer’

Por Geraldo Bessa - TV Press

12 de maio de 2024, às 09h06 • Última atualização em 12 de maio de 2024, às 09h07

Noveleiro e fã da obra de Benedito Ruy Barbosa, Almir Sater não perdia um capítulo da versão original de “Renascer”, de 1993. Além da saga principal, um personagem chamava muito a atenção do musicista e ator bissexto: Rachid. Descendente de libaneses e turcos, Almir chegava a imitar o personagem para os familiares e amigos mais próximos.

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“Nos bastidores da segunda versão de ‘Pantanal’, comecei a conversar com Bruno (Luperi, autor) e fiquei sabendo da ideia de revisitar ‘Renascer’. Eu me empolguei demais com a informação e falei dessa minha imitação para ele”, explica, aos risos.

Alguns meses depois, Almir foi surpreendido com o convite para viver o papel no remake, que na primeira fase acabou sendo defendido por seu filho, Gabriel Sater. “Fiquei muito orgulhoso do desempenho do Gabriel nos primeiros capítulos. Nós dois nos dedicamos muito para criar uma unidade entre nossas atuações, levamos realmente muito a sério essa coisa de dividir um mesmo papel”, valoriza.

Natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Almir já era um premiado violeiro, cantor e compositor – é dele e de Renato Teixeira o clássico caipira “Tocando em Frente” – quando acabou atacando de ator. A estreia como o Xéreu da versão original de “Pantanal”, em 1990, deu tão certo que, assim que acabou a trama, Almir foi convidado para viver o protagonista de “A História de Ana Raio e Zé Trovão”, ambas produções da extinta Manchete.

Com trabalhos esporádicos na tevê nos anos seguintes, foi justamente os recentes remakes da obra de Benedito Ruy Barbosa que reaproximaram o ator das câmeras. “Esse reencontro com meu lado ator é muito especial. Novela exige muita dedicação e é complexo conciliar com a rotina dos meus compromissos musicais, mas tudo tem fluído muito bem”, analisa.

Além de “Renascer”, você participou das duas versões de “Pantanal” e teve um papel de destaque em “O Rei do Gado”. De onde vem esse interesse pelas histórias do Benedito Ruy Barbosa?

Acho que o Benedito fala do meio rural, do homem do campo e do Brasil profundo de forma muito poética e própria. E a atualização promovida pelo Bruno (Luperi, autor) é brilhante. Quando eu ouvi falar sobre a possibilidade de um remake de “Renascer” pela primeira vez eu ainda estava gravando “Pantanal”. Falei para o Bruno que eu lembrava que meus parentes árabes ficaram felizes com a referência ao Líbano na primeira versão da novela, e com a atuação do saudoso Luis Carlos Arutin como Rachid. Lá nos anos 1990, eu já me imaginava no personagem e o imitava. Quando foi confirmado que teria uma nova versão da novela, o Bruno me ligou e perguntou se eu gostaria de participar.

Você divide o papel com seu filho, Gabriel, que viveu o Rachid na primeira fase. Como foi essa experiência profissional em família?

Foi incrível. Gabriel me acompanhou pelos sets e locações das novelas que fiz e sempre amou as obras do Benedito. Me emocionei vendo as cenas dele, que eram bem difíceis e tinham a missão de apresentar o início da trama. Rachid chegou montado em um burro, cantando em árabe e tocando alaúde. Gabriel fez um trabalho de composição muito bonito.

Como é para você tocar alaúde em cena?

Não toco de fato, mas tenho muita familiaridade com instrumentos de corda. Para gravar as cenas, afino o instrumento de uma forma que ele soe melhor, de acordo com a minha concepção. Estudei o alaúde escutando algumas músicas turcas e ensaio bastante antes de gravar. Está sendo uma boa experiência e me ajudou muito na composição.

Que outras referências você utilizou na construção do Rachid?

Quando assumo um personagem, meu ponto de partida é o texto. A partir daí, vou imaginando e criando um estofo para ele. Rachid tem leveza, bom humor, inocência, vivacidade e um sotaque carregado. Então, busquei olhar para trás, lembrar dos meus parentes e vizinhos, que também eram imigrantes, trazer para o personagem seus sotaques e costumes. Me dediquei bastante com a questão do sotaque.

Por quê?

É um detalhe muito importante porque não será utilizado apenas por um momento e sim ao longo de toda a novela. Então, é preciso estar atento. Se relaxar um pouquinho, ele pode sumir. Estudo até hoje que é para não ter falhas.

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