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Editorial

Sacrifício necessário

Por Da Redação

09 Maio 2020 às 08:42 • Última atualização 11 Maio 2020 às 08:44

A decisão do governo estadual de prorrogar a quarentena contra o novo coronavírus (Covid-19), anunciada pelo governador João Doria, nesta sexta-feira, pegou muita gente de surpresa. No dia 22 de abril, quando foi estendido novamente o período de quarentena no Estado, o governador havia anunciado o chamado Plano São Paulo, que seria o planejamento para a retomada gradual das atividades econômicas nos municípios paulistas.

Ainda sem detalhes, mas sob pressão de prefeitos e entidades de setores econômicos, o plano promoveu um certo alívio e expectativa de que a flexibilização das medidas contra o coronavírus finalmente seria posta em prática. O entendimento do comitê que norteia as ações do governo paulista contra o vírus, entretanto, mudou este cenário, influenciado, em boa parte, pelo comportamento da população.

No anúncio desta sexta-feira, autoridades de saúde enfatizaram que o número de contaminações e mortes na Região Metropolitana de São Paulo, no litoral paulista e no interior cresce com velocidade. E que esse aumento – capaz já de pressionar o sistema de saúde na capital – ocorre em meio a um relaxamento da população em relação ao distanciamento social.

De fato, o LIBERAL já mostrou que a medida recomendada pelo governo desde o início dos casos não tem sido cumprida com tanto afinco pelos moradores de todo o Estado. A queda nos percentuais de isolamento medidos pelo monitoramento estadual é notável nas últimas semanas. As autoridades de saúde pedem que ao menos 50% da população fique em casa, mas, em dias úteis, esse percentual não tem passado dos 47%.

O isolamento, assim como o uso de máscaras e outras medidas de higiene pessoal, é a principal e mais significativa tarefa que a população pode fazer para ajudar a conter o novo coronavírus e salvar vidas.

Seu incentivo, entretanto, precisa ganhar mais adesão de prefeitos e prefeituras e não pode ser apenas uma campanha em prol da reabertura do comércio. É preciso ampliar o conceito de que ficar em casa poupa que mortes se acumulem e que o vírus não mostre por aqui o que já mostrou em outros países do mundo.

O apoio das prefeituras é essencial para que a medida funcione. O trabalho de orientação, fiscalização, promoção de auxílios sociais e a transparência devem guiar o papel dos governos municipais. Manter o distanciamento social exige sacrifícios enormes de todos os lados, mas ainda é o caminho mais racional.

O Liberal