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Editorial

Risco ideológico

Por Redação

22 out 2020 às 08:28 • Última atualização 22 out 2020 às 08:29

O presidente Jair Bolsonaro deixou claro qual será seu lado em relação à imunização da população contra o novo coronavírus (Covid-19). Vai preferir a ideologia e seu achismo à ciência. Foi se comportando desta maneira que o presidente desautorizou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre a compra da CoronaVac, vacina desenvolvida por um laboratório chinês e que tem sido negociada pelo governo Doria.

Na terça-feira, Pazuello afirmou que incorporaria a vacina, que será produzida pelo Instituto Butantan, ao calendário de imunização nacional. O governo federal havia se comprometido em comprar 46 milhões de doses até dezembro.

Nesta quarta, porém, Bolsonaro reagiu às críticas de aliados em redes sociais a chamada “vacina chinesa”. Negou que “qualquer dose” seria comprada. Depois, acrescentou que não se justificava um aporte bilionário num medicamento que nem ultrapassou a fase de testagem.

As falas de Bolsonaro evidenciam um comportamento que coloca em risco a vida dos cidadãos, algo inimaginável vindo do chefe de uma nação. O presidente se contradiz ao exigir comprovação científica da vacina enquanto vende o milagre da hidroxicloroquina, para a qual não há nada que prove sua eficácia. Também confunde a cabeça do brasileiro com sua aversão à China, já que, produzida pelo Butantan e sob o crivo de autoridades científicas e sanitárias, a CoronaVac não seria esse monstro que Bolsonaro faz parecer.

A irracionalidade do governo espalha um vírus ideológico gravíssimo, que, agora, coloca em risco à saúde pública. Além do negacionismo tolo que lhe é peculiar, Bolsonaro o faz com interesses eleitorais, de disputa com João Doria, mirando em 2022. A politização da vacina não pode ser empecilho à solução desta pandemia. Que os freios institucionais estejam a postos.

O Liberal

Neste blog você encontra a opinião do Grupo Liberal de Comunicação, por meio dos textos editoriais publicados na edição impressa.