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Editorial

Pelas vias certas

Por Da Redação

04 jun 2020 às 08:08

Os relatos de abusos sexuais em Americana, publicados nas redes sociais por meio de uma hashtag que viralizou nos últimos dias, se tornaram caso de polícia. Conforme o LIBERAL revelou nesta quarta-feira, a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) do município tenta identificar as vítimas para, caso possível, instaurar inquéritos que verificarão a existência de crime ou não.

As postagens ganharam volume no Twitter, com perfis, em sua maioria, femininos. São acusações contra ex-namorados, ex-companheiros e até professores. Em alguns casos, há exposição da vítima e de agressores. A maneira como as “denúncias” têm sido feitas nas redes sociais é muitíssimo delicada e traz riscos e consequências para todos os envolvidos, como a ocorrência de ameaças – relatadas, inclusive, em postagens – ou ainda de crimes contra a honra.

Há de se considerar que o território das redes sociais passa longe de ser o mais adequado para expor situações do tipo. A via adequada, por mais burocrática que seja, ainda é a que passa pelas autoridades e órgãos oficiais de proteção.

Os canais para se fazer uma denúncia são variados e devem ser procurados pelas vítimas ou pessoas que tenham conhecimento de violência. Em Americana, por exemplo, além da Delegacia de Defesa da Mulher, o Conselho Tutelar e os conselhos da Mulher e dos Direitos da Criança e do Adolescente estão preparados para receber relatos. Por telefone, é possível informar as autoridades pelo Disque 100.

A punição a agressores não deve ser tomada como suficiente pela execração pública nas redes sociais. Se houve um crime, a responsabilidade por julgá-lo não é dos perfis, mas da Justiça. O movimento pode e deve, sim, inspirar mulheres a denunciarem violência sofrida. É preciso que haja investigação e que os culpados sejam apontados para a Justiça.

O Liberal

Neste blog você encontra a opinião do Grupo Liberal de Comunicação, por meio dos textos editoriais publicados na edição impressa.